A Nova Arca de Noé
A nova Arca, com asas, ou o novo Noé, do Extremo Oriente?
Preguiças, flamingos, alpacas, pinguins e outras criaturas adoráveis são as estrelas da mais recente campanha da Cathay Cargo, que realça a atenção e a zelo meticulosos que cada animal desfruta ao viajar com os serviços de Animais Vivos da Cathay Cargo. Concebida com a ajuda da agência criativa Leo Hong Kong, a campanha reinventa uma “arca” moderna – só que com asas, sem velas – para mostrar a espetacular diversidade de animais que podem viajar com a companhia aérea, bem como o cuidado personalizado que recebem em cada voo. (https://www.bestadsontv.com/ad/179410/Cathay-Live-Animal-We-Carry-Them-All-Big-And-Small).
Campanhas de m*rda

Ça sent la mer d’ici (trocadilho francês)
Acontece as novidades chegarem aos molhos. Com os anúncios “La campagne de merde”, “Conquer the First School Poo” e “Le Studio”, temos elementos para iniciar um tratado de coprologia. Abordam temas fecais, desde a prevenção até à libertação, passando pela depuração.
Imagem: Ilustração do livro Gargantua

O texto mais estapafúrdio que conheço nesta matéria é da autoria do François Rabelais: o capítulo XIII da obra Gargântua (1534), intitulado “Como Grandgousier reconheceu a maravilhosa inteligência de Gargântua graças à invenção de um limpa cu”. Cinco páginas de delírio grotesco, cuja leitura pode ser escutada nos dois vídeos que seguem aos anúncios.
Imagem: O pequeno Gargântua segurando com as mãos um limpa cu. Gravura de Gustave Doré
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Cantoria animal na publicidade 4
No anúncio “Push It”, da Doritos, os animais não cantam muito, mas ensaiam um passo de dança.
Cantoria animal na publicidade 3
No anúncio “Rock Me Gently”, a Jeep (Liberty) arrisca uma composição coral dramatizada em crescendo com vozes de uma grande diversidade de animais que se introduzem progressivamente no palco, palco que é o próprio interior da viatura.
Cantoria animal na publicidade 1
É raro mas acontece as grandes marcas investirem em anúncios com coros bestiais. Encontrei uma boa mão-cheia. Segue o primeiro com um “cover” dos Queen em que a Honda Ridgeline apostou no Super Bowl 2016.
Paredes, Sede e Morte
Sede e morte, a sede do morto, uma sede de morrer. Uma música, um anúncio, um vídeo. Paredes, Amstel, Animais. Carlos Bica, Mariana Abrunheiro e Ruben Alves. Três Sede e Morte, três versões de Carlos Paredes. Três, o número mágico-religioso por excelência. Um mais três quatro, e o macho se torna fêmea. Estou a escrever sobre diabos, bruxas e vampiros.
Imagens musicais na publicidade

Preparei, recentemente, uma comunicação sobre a música na publicidade. Um dos tópicos incide sobre os anúncios com bandas sonoras híbridas: a componente propriamente musical combina com outra decorrente de sons imanentes às imagens e à ação (ver A Alegria dos Sentidos). Os anúncios Push It, da Doritos & Cheetos, e Earth Odyssey, da Jeep, ilustram o que se entende por imagens musicais e bandas sonoras híbridas. No segmento automóvel, a Mercedes foi pioneira neste tipo de anúncios e a Honda tem sido useira e vezeira. Estes casos serão contemplados nos artigos seguintes.
Alegria dos sentidos

Deixemos descansar a razão no colo dos sentidos. Georg Simmel aborda, no ensaio dedicado à sociologia dos sentidos (1981, Sociologie et épistémologie. Paris, PUF), a visão, o ouvido e o olfato. Para ele, “é muitas vezes o que ouvimos que nos permite saber o que vemos” (Paquot, Thierry, 2012, “En lisant Georg Simmel”, Hermès, La Revue 2012/2 (n° 63), pages 21 à 25). No anúncio 2021 Earth Odyssey, da marca Jeep, por extraordinárias que sejam as imagens, quem comanda a dança é o som. Um belíssimo anúncio. Não me importava ser o autor.
A beleza da biodiversidade

Quando se aposta, com arte, na estética o resultado é compensador. O anúncio Don’t Mess With Mother, da Apple, é um hino à biodiversidade. Ao ritmo heavy metal da canção Last Rites dos Megadeth. Os autores do anúncio tiveram a sageza de dispensar a besta humana. Preferiram uma avalancha. Há marcas que são um expoente da publicidade.

