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A beleza da biodiversidade

Apple. Don’t Mess With Mother. 2019.

Quando se aposta, com arte, na estética o resultado é compensador. O anúncio Don’t Mess With Mother, da Apple, é um hino à biodiversidade. Ao ritmo heavy metal da canção Last Rites dos Megadeth. Os autores do anúncio tiveram a sageza de dispensar a besta humana. Preferiram uma avalancha. Há marcas que são um expoente da publicidade.

Marca: Apple. Título: Don’t Mess With Mother. Estados Unidos, Abril 2019.

Homo carnivorus

No artigo precedente, abordámos a situação do homo sapiens fumus. Num registo sério que não me assenta. Resultado: “a argumentação não é má, mas não convence”. Hoje é a vez do homo carnivorus, outra espécie em projeto de extinção. Os sábios do terceiro milénio entendem corrigir o atrevimento que, há cerca de 2,6 milhões de anos, tiveram os nossos antepassados: comer carne. Uma inovação complicada. Não havia talhos e os animais não se deixavam caçar. Por vezes, convinha fugir deles.

Desventuras do homo carnivorus, que a série de anúncios da Nissin, empresa japonesa fabricante de massas alimentícias, recorda.

Marca: Nissin. Título: A avestruz. Agência: Hakuhodo. Direcção: Shinya Nakajima. Japão, 1995.
Marca: Nissin. Título: O rinoceronte e os parasitas. Agência: Hakuhodo. Direcção: Shinya Nakajima / Onuki. Japão, 1994.
Marca: Nissin. Título: Puma adormecido. Agência: Hakuhodo. Direcção: Shinya Nakajima. Japão, 1996.
Marca: Nissin. Título: Mamute. Agência: Hakuhodo. Direcção: Shinya Nakajima. Japão, 1995.
Marca: Nissin. Título: As maçãs e o puma. Agência: Hakuhodo. Direcção: Shinya Nakajima. Japão, 1996.

As virtudes do funil

01. Unknown, Inuentio sanctae Crucis, Illumination from the Passionary of Weissenau (Weißenauer Passionale) (1170-1200), Codex Bodmer 127, fol. 53v

01. Unknown, Inuentio sanctae Crucis, Illumination from the Passionary of Weissenau (Weißenauer Passionale) (1170-1200), Codex Bodmer 127, fol. 53v.

Com menos anos do que dedos nas mãos, pasmava na feira a ver o vendedor de banha da cobra. Numas bancas, alguns recipientes de vidro com uma espécie de massa longa (mafaldine) a que chamava “bicha solitária”. O seu vozeirão dava exemplos dos pavores que estes parasitas provocavam nos intestinos. Para alimentar o monstro, as vítimas sentiam fome e definhavam a olhos vistos. Para grandes males, pequenos remédios. Bastam dois frascos com uma poção milagrosa para matar o bicho e a fome. Duas pessoas apressam-se a comprar, secundadas por parte da assistência. Naquele tempo, eram mais as pessoas com fome do que com fastio. Talvez fosse da bicha solitária. Este é um dos esquemas básicos da publicidade. Criar necessidades, pelo imaginário mas com fio de terra. Como diria Karl Marx, a oferta produz a procura. Não digo que os anúncios actuais são herdeiros dos charlatões das feiras, mas também não desdigo.

Marca: SodaScream. Título: It’s time for a change. Estados Unidos, Novembro 2018.

Afirmam que existe uma nova ilha composta por lixo. Os oceanos e os rios estão atafulhados de lixo, os lugares onde as pessoas residem, também. Como combater a catástrofe? O anúncio It’s time for a change, da SodaStream, sugere deixar de beber água engarrafada em embalagens de plástico e passar a beber soda. Com mais de 6 milhões de visualizações no site da marca, o anúncio está a alcançar um enorme sucesso.

02. Las tentaciones de San Antonio. obra de Joos Van Craesbeeck, fue realizada en el año 1650

02. Las tentaciones de San Antonio. Obra de Joos Van Craesbeeck, fue realizada en el año 1650.

Como vamos beber a soda? Com palhinhas ou copos de plástico? São o problema. Com copos de madeira ou de papel? São desflorestadores. Com copos de vidro? São de reciclagem rápida, mas requerem detergentes. Tecnologicamente avançada, a nossa sociedade tem a poção mágica para quase tudo. Se existe, digitaliza-se! Por que não beber soda em copos virtuais! A digitalização é amiga do ambiente, apenas polui os neurónios.

03. David Teniers the Younger.The Temptation of Saint Anthony (detail) (c 1650)

03. David Teniers the Younger.The Temptation of Saint Anthony (detail) (c 1650).

Restam duas soluções. A primeira consiste em beber soda diretamente da fonte. Sem copo, nem palhinha. Na aldeia, para beber às escondidas, sorvia-se o vinho da torneira da pipa. Outra solução: não beber nem água engarrafada nem soda. Beber água da chuva, graças a um funil. Aos primeiros pingos, funil à boca e ergue-se a face. Regressado o sol, o funil, assente na cabeça, serve, agora, de chapéu. Esta solução já foi patenteada há, pelo menos, oito séculos (Figura 01).

Os funis de Hieronymus Bosch

 

 

Os drones e a protecção dos animais

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Belo e inteligente. O propósito é claro: recorrer aos drones para vigiar os caçadores furtivos de África. O crescimento dos meios de vigilância também tem virtudes.

Anunciante: Over & Above Africa. Título: A Guardian. Agência: Giant Films. Direcção: Sam Coleman. Criativo: Andy Fackrell. África do Sul, Outubro 2018.

Vida de cão

O graffiti não tem vida fácil em São Paulo, mas aquilo que se expulsa pela porta entra pela ponte, desde que superiormente autorizado. Como neste anúncio da Prefeitura de São Paulo. Os sem-abrigo constituem um problema grave da cidade. Nos Centros Temporários de Atendimento, “os acolhidos podem tomar banho, ter acesso a refeições (café da manhã, almoço e jantar), receber o atendimento social e ser encaminhados para outras políticas públicas de acordo com a sua demanda. O espaço dispõe de banheiros e dormitórios específicos para pessoas com deficiência.” Alguns Centros recebem não apenas os sem-abrigo, mas também os respectivos animais. Por exemplo, “ o CTA Brigadeiro Galvão conta com lavandaria e um canil com sete baias, garantindo um atendimento qualificado também aos animais de estimação dos conviventes.” (http://www.capital.sp.gov.br/noticia/centro-temporario-de-acolhimento-cta-e-inaugurado-na-barra-funda). Carregar na imagem para ver o anúncio.

Eduardo Kobra. Welcome to Brazil. São Paulo

Imagem: Eduardo Kobra. São Paulo. Anunciante: Prefeitura de São Paulo. Título: Case sendo visível. Brasil, 2018.

O ADN da sobrevivência

San Diego Zoo

Os símbolos da morte têm um impacto contundente. No anúncio Let’s turn things around, do San Diego Zoo, a ampulheta alerta para os riscos de extinção de espécies animais, mas também para a possibilidade de reversão. Socorrendo-se da tecnologia do ADN, o San Diego Zoo luta pela sobrevivência de espécies ameaçadas tais como o rinoceronte branco e a girafa. O material genético, nomeadamente o ADN, é uma linguagem, a nova palavra, ou o novo grito, da criação.

Marca: San Diego Zoo. Título: Let’s turn things around. Agência: Epsílon Chicago. USA, Setembro 2017.

Com um burro às costas. Música com humor.

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Francisco Goya. Tu que no puedes. Los caprichos 42. 1799.

Estive sete dias sem Internet. O apoio técnico por parte da operadora, a única entidade que o pode prestar, só chegou hoje. Uma simples troca de modem. Podia ter recorrido a outros acessos à Internet, mas estas conversas são pessoais e têm um nicho, a minha casa. Sou fetichista.

Há quem acredite que a técnica nos conduzirá à eternidade. Quanto a mim, a técnica, parente da obsolescência, é aceleradora da morte. Atropelam-se os funerais de técnicas de ponta, computadores incluídos. Deus não fez, neste mundo, obra perfeita. O que fez desfaz-se. Não faltam porém divindades de barro em busca da perfeição. São os piores inimigos da humanidade.

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Pássaro alimenta uma cria proveniente do ovo de um cuco.

Neste País de mil leis, uma operadora não tem prazo para acudir a uma participação de avaria! E nem sequer é possível denunciar o contrato. Por causa da fidelização. Quando o poder político e o poder económico se sentam no mesmo banco, o melhor é o consumidor não se pôr a jeito. Para a próxima, pense duas vezes antes de avariar, não vá carregar dois burros às costas.

Esta abstinência digital lembrou-me quatro músicas dedicadas a animais. Na primeira, os burros zurram; na segunda, as galinhas esgaravatam; na terceira, os cucos parasitam; e na quarta, os zangões zumbem.

La Fête de l’Ane. Excerto. Música medieval. Clemencic Consort.

Jean-Philippe Rameau. La Poule. 1728. Sir Neville Merrimer.

Louis-Claude Daquin. Le Coucou. 1735. Trevor Pinnok.

Nikolai Rimsky-Korsakov. Flight of the Bumblebee. 1899-1900. David Garrett.

Como os animais

Sagami Act of Love

“[As fábulas] não são apenas Morais; elas facultam outros conhecimentos. Os atributos dos Animais, e os seus diversos caracteres, nelas se exprimem; por conseguinte, os nossos também, porque nós somos a abreviatura daquilo que há de bom e de mau nas criaturas irrazoáveis” (Jean de La Fontaine. Fables. Préface, 1668).

“Nós somos a abreviatura daquilo que há de bom e de mau nas criaturas irrazoáveis”. Pensando bem, até somos irracionais. Segundo Karl Marx, “a anatomia do homem dá-nos uma chave para compreender a anatomia do macaco” (Introdução à Contribuição para a Crítica da Economia Política, 1858). Prefiro acreditar, com La Fontaine, que o macaco e os outros animais são o molde do homem. Atente-se nas danças do anúncio aos preservativos Sagami Original, em que os seres humanos imitam os rituais de galanteio dos animais. “O amor é profundamente animal: é a sua beleza” (Remy de Gourmont, Physique de l’Amour, Essai sur l’instinct sexuel, 1903. Nada que os Maroon 5 não cantem (Animals, 2014).

Marca: Sagami Original. Título: Act of Love. Agência: White Briefs. Direcção: Greg Brunkalla. Japão, Janeiro 2016.

Maroon 5. Animals. Álbum: V. 2014.

Mais real do que o real

Cartier. Winter Tale

“Je me sers des animaux pour instruire les hommes” (Jean de La Fontaine).

A Teresa, antiga colega na Universidade, decidiu prosseguir carreira no México. Agradeço-lhe o vídeo dos anúncios Bel été, de Nicolas Deveaux para a France 3.

Nicolas DeveauxNicolas Deveaux é um jovem talentuoso, graduado, em 2003, pela Escola Superior de Infografia “Supinfocom”. Iniciou no mesmo ano a sua carreira de realizador. Tornou-se reputado pelas curtas-metragens e pelos anúncios surrealistas com animais  “mais reais do que o real”. Palpita-me que Salvador Dali não se importaria de assinar alguns destes trabalhos. Permito-me seleccionar alguns vídeos:

– Uma série de sequências curtas com animais para a France 3: Bel été (desde 2003);

– “7 tonnes 2”, uma curta metragem com um elefante num trampolim (2004);

– “5m80”, um anúncio espectacular, para a Orange (2013), com girafas que mergulham, acrobaticamente, numa piscina (ver https://tendimag.com/2013/05/22/girafas-na-piscina/);

– O anúncio, Wintertale, para a Cartier (2014).

Marca: France 3. Produção: Cube Créative. Direcção: Nicolas Deveaux. Desde 2003.

“7 tonnes 2”. Produção: Cube Créative, Direcção: Nicolas Deveaux. 2004.

Marca: Cartier. Título: Winter Tale 2014, Direcção: Nicolas Deveaux. 2014.

Be together. Not the same

android 2Que queridos, que fofos, tão amigos! Uma metáfora da União Europeia? Todos juntos, todos diferentes! Tão amigos! Todos hóspedes da arca de Noé…

Marca: Android. Título: Friends Furever. Agência: Droga5 New York. USA, Fevereiro 2015.