Tag Archive | Alemanha

A Banheira Fantasma

O mal espalha-se no espírito do tempo como a água por baixo da porta. No início, quase nada. Um pouco de humidade. Quando a inundação começa, é tarde demais (Christian Bobin, La Plus Que Vive, 1996).

O anúncio “DIY Odyssey”, da Hornbach, releva da arte. Alucinante, propõe, antes de mais, um coro e uma coreografia impressionantes. Aprecio os anúncios da Hornbach. Costumam ser criativos e divertidos. O Tendências do Imaginário contempla cerca de uma dezena.

Marca: Hornbach. Título: DIY Odyssey / The Square Meter. Agência: HeimatTBWA, Berlin. Direção: Lope Serrano. Alemanha, agosto 2025

Uma Pitada de Mitsune

Mitsune

Não é por ser generoso que um pensamento é mais interessante, nem por ser desagradável, menos válido (AG)

De castigo em Braga (só para aprender), desforro-me a procurar e escutar excentricidades. Segue, para os nipófilos mais rebuscados, o formidável concerto dos Mitsune, em Rennes, em dezembro de 2024.

Mitsune é uma banda japonesa de folk fusion sediada em Berlim, com membros provenientes do Japão, Austrália, Alemanha e Grécia. O seu som mistura folk tradicional japonês com música psicadélica, cinematográfica e ritualística, acrescentando ao folclore moderno uma mentalidade punk (…) Os seus espetáculos ao vivo estão carregados de energia bruta, com visuais decadentes e uma pitada de humor (https://www.mitsune.de/).

Mitsune performing live at the l’Antipode in Rennes, France, during Trans Musicales 2024. Recorded December 08, 2024. Songs: 00:04 – Kokiriko Bushi; 04:51 – Soran Bushi: 07:37 – Roku-Go; 11:06 – Aizu Bandaisan

O feitiço das castanhas

O feitiço das castanhas

Projetava colocar hoje uma música do Mozart, mas fui a um magusto no Mosteiro de Tibães. Encontrei velhos amigos e até antigos alunos. Regresso jovial e prazenteiro, inebriado pela positividade simbólica das castanhas. Tenho vindo a colocar artigos que, por qualquer motivo, convocam a Alemanha. Pois lembrei-me dos Scorpions, o grupo rock alemão com maior reputação internacional no século passado, cujas baladas se prestam a uma dança com uma parceira imaginária.

Scorpions – Still Loving You. Love at First Sting, 1984. Live at Rock in Rio 1985
Scorpions – Wind Of Change. Crazy World, 1990
Scorpions – Send Me An Angel. Crazy World, 1990
Scorpions – You And I. Moment of Glory, 2000

Distância social. A cerca

Muros e barreiras representam um tema que afeta particularmente a memória de alguns povos. Carregar na imagem seguinte para aceder ao vídeo do anúncio Der Zaun.

Marca: Kaufland. Título: Der Zaun. Agência: Kaufland In House. Direção: Thomas Garber. Alemanha, dezembro 2022

Barreiras e erupções

Je prends mes désirs pour des réalités car je crois à la réalité de mes désirs / Tomo os meus desejos por realidade porque acredito na realidade dos meus desejos (slogan de Maio 68)

Marca: Deutsch Telekom. Título: Bubbles. Agência: MUW Saatchi & Saatchi (Bratislava). Direção: Alex Feil. Alemanha, novembro 2024

A albarda e a liberdade jovial

Continuo a colocar música alemã. Uma pequena greve ao inglês. Presta-se a sondar outros horizontes. Há hegemonias que lembram albardas [e palas] irresistíveis. Por birra, aplico-me a deixá-las descansar, por um tempo, a um canto. Há quem não acuse o peso das albardas. De tão habituados, integram a sua identidade. Pois, a mim, incomodam-me, sobretudo quando sobra alguém a querer sentar-se em cima.

O Zé Povinho – Depois das eleições, à vontade do seu dono, O Antonio Maria, 1880

Berge – Wir sind frei. Vor uns die Sinnflut. 2015
Berge – Für die Liebe. Für die Liebe. 2019
Berge – Das Heiligste der Welt (Unplugged). Für die Liebe. 2019

Caixa de ferramentas

Retomemos a música proveniente da Alemanha. Anna Loos é uma cantora e atriz alemã. Apareceu, desde 1996, em mais de 50 filmes e é vocalista, desde os anos 2010, do grupo rock Silly, fundado em 1977. Digna de registo a diferença de visual entre os vídeos.

Anna Loos – Ich will dass du weißt (feat Deutsches Filmorchester Babelsberg). 2019
 Anna Loos – Werkzeugkasten. Werkzeugkasten. 2018
Anna Loos – Kaputt. Werkzeugkasten. 2018

Ruínas de estimação

Sarah Connor, batizada Sarah Terenzi, é uma compositora e cantora nascida em 1980 na Alemanha. Considerada uma das melhores vocalistas germânicas, acumulou prémios, publicou uma dezena de álbuns e vendeu mais de 15 milhões de cópias. Canta em inglês e em alemão. Embora os 15 primeiros vídeos a aparecer no YouTube sejam de canções em inglês, selecionei 4 canções em alemão. O terceiro vídeo, da canção Bedingugslo, é uma delícia. Uma amiga francesa sustentava que a língua alemã proporcionava uma sonoridade muito própria à poesia e à música. Dá para perceber?

Sarah Connor – Ruiniert. HERZ KRAFT WERKE. 2019. Live in Hamburg / 2019
Sarah Connor – Das Leben ist schön. Muttersprache. 2015. Live in Dresden. 2016
Sarah Connor – Bedingungslos. Muttersprache. 2015
Sarah Connor – Kommst du mit ihr. Muttersprache. 2015. HERZ KRAFT WERKE (Special Deluxe Edition. 2019

Canções frias

Klaus Nomi (1944-1983)

Gosto do Klaus Nomi, um cometa extraordinário que teve uma breve passagem pela música antes de ser vítima da sida em 1983. Quase todas as suas canções estão contempladas no Tendências do Imaginário. O que não me impede de continuar a procurar versões com melhor qualidade. Encontrei três respeitantes a outros tantos covers: The Cold Song, da ária What Power Art Thou?, da ópera King Arthur, de Henry Purcell (1691); Can’t Help Falling in Love, de Elvis Priesley; e Death, da ária Dido’s Lament, da ópera Dido and Aeneas, de Henry Purcell (1689). Com votos de frescos sentimentos!

Klaus Nomi. The Cold Song. 1981. Cover da ária What Power Art Thou?, da ópera King Arthur, de Henry Purcell, 1691.
Klaus Nomi. Can’t Hel Falling in Love. Cover de Elvis Priesley, Can’t Help Falling in Love, 1961.
Klaus Nomi. Death. Cover da ária Dido’s Lament, da ópera Dido and Aeneas, de Henry Purcell, 1689.

Jovialidade, elegância e leveza

Jean-Honoré Fragonard. L’Escarpolette, 1766, Detalhe.

Como diria a Rita, apetece dar música neste início de ano novo. Haydn e Vivaldi, com direção de Lazar Gosman.

Joseph Haydn. String Quartet in F Major, Op. 3 No. 5, Hob. III:17: II. Serenade. Andante cantabile. Tchaikovsky Chamber Orchestra. Direção: Lazar Gosman. 1989.
Antonio Vivaldi. Vivaldi Concerto for Mandolin, Strings and Basso Continuo in C major. Leningrad Chamber Orchestra. Direção: Lazar Gosman. 1967