A Institucionalização da Felicidade
A Felicidade, eu conheci-a, era uma senhora de idade, de boas famílias, alta e magra, que morava junto à igreja da minha aldeia. Chamá-la pelo nome era um regalo. Hoje, é o Dia Internacional da Felicidade. É-se feliz? Para sempre, nos contos de fadas. Está-se feliz? Muitas vezes. Há quem meça a felicidade dos povos… Mais complicado do que abraçar as nuvens. Mas há quem acredite nestes ícaros da objectividade forçada… E quem devore os números e os regurgite. Hoje é o dia internacional da felicidade. Quem diria! Seguem:
– uma entrevista ao Jornal de Notícias sobre a “felicidade dos portugueses”, publicada hoje (para aceder ao artigo, carregar na imagem ou no seguinte endereço: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=3118437&page=-1).
– um vídeo musical dos Fleetwood Mac (Don’t Stop. Rumours, 1977), não para proporcionar felicidade, mas um pouco de alegria. A resolução do vídeo deixa a desejar, mas a qualidade do conteúdo compensa.
O ecrã não é uma janela
Este anúncio da marca Brian Atwood abusa de um efeito: exibir até aos limites do oculto, de um oculto imaginável. Apetece aproximar o olhar do ecrã para vislumbrar um pouco mais, para alargar o campo de visão. Mas não! O ecrã não é uma janela. E a Eva Herzagova está a passar do outro lado. Quando muito uma janela de Alberti uma vez terminado o quadro. O ecrã funciona como um quadro, como um quadro animado. Tem limites rígidos. Há modalidades de imersão que escapam a interatividade ecrânica.
Amanhã é o dia internacional da felicidade. Já podem começar a treinar!
Marca: Brian Atwood. Título: Brian Atwood Spring 2013. Agência: Hsi advertising agency. Direção: Mert and Marcus. Reino Unido, Março 2013.
O outro lado do muro
A publicidade é ávida por temas sociais marcantes e simbólicos. É o caso do derrube do muro como promessa de libertação. Neste anúncio, La Chute du Mur, os demolidores são citadinos bem aparentados e a libertação, um carro. Sinais dos tempos. A música, Sounds of Silence, está bem escolhida e bem aproveitada.
Marca: Renault. Título: La chute du Mur. Agência: Publicis Conseil. Direção: Ne-o. França, Março 2013.
Amor verdadeiro
Não há nada como uma cena de amor. Sobretudo quando é verdadeiro. Não há contacto como com o objecto desejado. Não há nada, não há êxtase, como montar uma bicicleta. Este anúncio da Decathlon não dá azo a qualquer dúvida.
Marca: Decathlon. Título: Oh my love. Agência: Villarosas. Direção: Augusto de Fraga. Brasil, Março 2013.
Partos extravagantes
Embora o parto seja um dos atos humanos mais íntimos, não escapa ao humor da publicidade. Em 2002, num anúncio da X-box o nascimento de um bébé assemelha-se à abertura de uma garrafa de champanhe. Neste Birth, do álbum Pocket Symphonies de Sven Helbig, o trabalho de parto é acompanhado por uma orquestra.
Fantasiar a propósito do parto, parodiar o nascimento, não é apanágio do nosso tempo. François Rabelais, num livro escrito em 1534, descreve deste modo o nascimento do gigante Gargântua, pai de Pantaguel: Gargamelle, a mãe, grávida de onze meses, empanturra-se com tripas de boi. Tanto comeu que acaba por dar à luz as próprias tripas. Com as saídas de baixo obstruídas, a criança, Gargântua, “entra na veia cava e, trepando pelo diafragma até acima dos ombros (onde a dita veia se divide em duas), tomou caminho à esquerda e saiu pela orelha esquerda. Acabado de nascer, não gritou como as outras crianças: ‘Mies! Mies! Mies!’ , mas a alta voz: ‘A beber! A beber! A beber!’, como se estivesse a convidar todo o mundo a beber.” Mas há casos mais complicados do que o de Gargântua. Nascer, por exemplo, de uma costela ou de uma coxa masculina.
Marca: Sven Helbig’s Pocket Symphonies. Título: Birth. Agência: Kolle Rebbe, Hamburg. Direção: Kai Schonrath. Alemanha, Março 2013.
Marca: Xbox. Título: Champagne. Agência: Bartle Bogle Hegarty. Reino Unido, Janeiro 2002.
Capuchinho Vermelho tem medo em casa
Às vezes, apetece ouvir música. Daquela que não vem se não a procuramos. Camille é um caso à parte no mapa da canção francesa. Pela originalidade e pela aposta em sons corporais. Sozinha em palco, dá um espectáculo. Canta normalmente em francês, mas não resisti à tentação de escolher duas canções em inglês: Ilo veyou e Home is where it hurts.
Morte aos mortos!
Que o tétrico e o chocante cativam a atenção e ajudam a vender produtos, já se sabe. Que o fenómeno pode ser trabalhado com todo o requinte é algo que este anúncio brasileiro ilustra, desde o mais ténue contorno até ao mais ínfimo detalhe. A sequência inicial é, nesta perspectiva, um primor. Um anúncio para a Fox, o canal dos policiais, das assombrações, das morgues e dos mortos vivos.
Marca: Fox International Channels. Título: Shooting Posters. Agência: Loducca, São Paulo, Direção: Brasil, Março 2013.
Limites do Digital
Um amigo enviou-me este anúncio francês na versão inglesa. O anúncio mostra, intimamente, os limites do digital face ao papel. Há momentos em que o digital deixa a desejar. Segue a versão francesa do anúncio francês, porque o inglês, tal como o digital, não atende a todas as necessidades ou, pelo menos, deixa a desejar.
Skating in the Past
Este belíssimo anúncio a preto e branco da Nomad Skateboards propõe-nos um regresso ao passado, há um século atrás, para nos colocar a seguinte questão: se, em 1911, o homem concebeu o modelo do átomo e já voava em dirigíveis Zeppelin por que motivo esperou tanto tempo para colocar quatro rodas numa prancha?
Marca: Nomad Skateboards. Título: Very OLd School. . Agência: Lola Lowe Madrid. Espanha, Agosto 2012.
Sonho de um peso pesado
Não é qualquer imagem que acompanha tamanho discurso. Ao discurso, tira-se o chapéu; à imagem, o resto. O rapper Yasiin Bey contracena com o “caligraffitista” Niels Shoe Meulman, nesta homenagem da Louis Vuitton a Muhammad Ali (Cassius Clay), ídolo do desporto mundial.
Marca: Louis Vuitton. Título: Dream. Agência: Ogilvy Paris. Direção: Stuart A. McIntyre. França, Julho 2012.






