Barbas salutares
A Modernidade abraçou a Razão. O ser humano passa a orientar-se e mobilizar-se pela análise, pela linearidade e pela lógica. Eis uma das maiores ilusões da História da Humanidade. Segundo Marshal McLuhan (A Aldeia Global, 1992), o cérebro divide-se em dois hemisférios: o esquerdo, visual, mais racional e o direito, acústico, mais emocional. Na Modernidade, prevalece o lado esquerdo.

Vem esta nota a propósito do anúncio de sensibilização norte-americano A Hairy Time. Enquanto que no Oriente, a publicidade de sensibilização não hesita em recorrer à fantasia e ao absurdo, no Ocidente insiste-se na argumentação lógica e racional. Mesmo que o insucesso seja, muitas vezes, o preço deste arremedo de seriedade. A motivação e a adesão das pessoas continuam a assentar, em grande medida, num fundo não racional (Max Weber) e não lógico (Vilfredo Pareto).
A Hairy Time oferece-se, portanto, como uma pequena exceção: a delicadeza e gravidade do tema (a vacinação) não dispensam nem a excentricidade nem o sentido de humor.
Caducidade: a contagem das folhas

“Mover-se como uma folha morta caída da árvore que o vento leva, sem se saber se é o vento que nos leva ou se somos nós que transportamos o vento…” (Michel Jourdan). As folhas despedem-se dos ramos que bradam aos céus, para visitar a terra e as raízes de onde beberam a seiva. As folhas soltam-se avulsas, discretas e anónimas. Mas certos dias, fetichistas, teimamos em contá-las. São dias especiais comemorativos da caducidade. Pois contemos mas por ordem decrescente. Ousemos adolescentar perdidamente, bolinar contra o vento como as caravelas.
Encantados pelas folhas suspensas nas águas cristalinas de M.C. Escher (Three Worlds, 1955), resgatemos três vultos clássicos da floresta musical: Nat King Cole (Autumn Leaves; Unforgettable; e Smile), Emilio Cao (Cain as Follas) e Yves Montand (Les Feuilles Mortes, a versão original, francesa, de Autumn Leaves).
Sensibilidade

Quando as palavras não sonham, as notícias não prestam, a música não dança, as pessoas não se abraçam, as sombras não se escondem, os minutos não passam e o depois não chega… segue os pássaros ou bebe um anúncio bem cheio, sem gelo, do Bruno Aveillan. Perde-te em Nova Iorque ou descobre AluLa. Sente! Sente os rostos, as mãos, os objetos e o que mais se oferecer.
André Soares em Viana do Castelo
O próximo sábado oferece uma excelente oportunidade para saborear um folhadinho de camarão aquecido, revisitar a Igreja de Nossa Senhora da Agonia sem ser para trabalhar, folhear as imagens de um belo livro, ouvir o Eduardo Pires de Oliveira e jantar à beira-mar.

No próximo dia 17 de junho (sábado), na Igreja de Nossa Senhora da Agonia (Viana do Castelo), pelas 17.30 horas, é apresentado o livro “André Soares em Viana do Castelo”, de Eduardo Pires de Oliveira. Nesta publicação, o autor dá nota do conjunto excepcional de retábulos deixados pelo arquiteto setecentista na cidade Viana do Castelo, nomeadamente o da capela de Nossa Senhora do Rosário, na Igreja de São Domingos, o da Capela da Casa da Praça e os que se mantêm na nave e capela-mor da Igreja de Nossa Senhora da Agonia. A edição de autor, composta por 254 páginas, apresenta fotografia de Adelino Pinheiro da Silva, Ricardo Janeiro e Agnès de Gac e inclui um estudo do douramento do Retábulo de Nossa Senhora do Rosário, assinado por cinco investigadores na área da Conservação e Restauro.
Eduardo Pires de Oliveira, reputado investigador de História da Arte e especialista em André Soares, é doutorado em História de Arte pela Universidade do Porto, Investigador Integrado no ARTIS, Académico Correspondente da Academia Nacional de Belas Artes (Lisboa) e autor de centenas de estudos sobre Arte e a região minhota.
A organização do evento é do Centro de Estudos Regionais, constando no programa a atuação do Coro desta associação cultural.
Muito nos honraria se aceitasse o nosso convite.
José Carlos Magalhães Loureiro
Libera
“O mundo pula e avança / Como bola colorida / Entre as mãos de uma criança” (António Gedeão).
Antepassados do surrealismo: o maneirismo. Lembrete
O início da conversa dedicada aos “antepassados do surrealismo” mantém-se às 17 horas, do dia 27 de maio, no Museu D. Diogo de Sousa. Prevê-se não exceder os 60 minutos. Concluirá com um pequeno convívio.



