Etapas do método científico
A investigação é uma espiral sequencial sem fim, para quem tem o espírito muito arrumado.
O Valor da Diferença
À M

Rever-se no olhar dos outros é um consolo; não sentir o mérito reconhecido, uma desgraça. Pensei incluir os subtemas inclusão e reconhecimento no vídeo dedicado à Felicidade. Mas a duração de cerca de 1 hora já duplica o previsto. Sinal de que a participação ultrapassou as expetativas. Impõe-se filtrar e cortar. Com alguma frustração. Os três vídeos seguintes, como muitos outros, ficam, assim, de fora. Coloco-os neste último reduto. Sensibilizam!
Alterações climáticas. Hipocrisia
Eis um anúncio da Greenpeace deveras oportuno. Em diversos tempos e escalas. Por cá e alhures.
A Eni, uma das maiores empresas de petróleo e gás do mundo, está a utilizar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno para maquilhar a sua destruição provocada pelos combustíveis fósseis.
Não se pode proteger os desportos de Inverno enquanto um dos maiores patrocinadores dos Jogos estiver a alimentar a crise climática.
Os poluidores não devem subir ao pódio nos Jogos. É tempo de o Comité Olímpico Internacional abandonar o patrocínio do petróleo e do gás.
A mão estendida como semente de felicidade

Em Sociologia da Arte e do Imaginário, estamos a produzir um vídeo sobre a felicidade. As propostas e as iniciativas fusionam numa partilha que compensa. Como cita a aluna Teresa Carneiro, “feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina” (Emanuel Lizarte).
A Cláudia Aponte sugeriu a curta metragem #GiveInToGiving. Unanimidade quanto ao interesse; divergência quanto à interpretação. O que altera a atitude, a abertura, do protagonista? O pedido da velhinha ou a ameaça de morte? Qual é o ponto de viragem: a mão que agarra o braço ou a que sai do bolso? Qual é causa eficiente e qual é causa coadjuvante (que apenas ajuda a eficiente)?
Será a consciência da morte? Retira a mão do bolso apenas perante a iminência de atropelamento. Será a consciência da carência alheia? Neste caso, a mensagem, rara, seduz: para além da oferta de ajuda, o pedido também pode ser semente de felicidade. O gesto da velhinha, a fonte; o risco, a circunstância…
Sobra, ainda, outra conclusão: ambos são causa; ponto final, parágrafo. Esta solução oferece-se como salomónica apenas em aparência: ao contrário do rei, não se toma posição.
Resta ponderar o comentário do próprio autor da curta metragem. Para que lado pende?
Ao celebrarmos o Dia Mundial da Bondade em 13 de novembro, vamos refletir sobre como podemos fazer a diferença. Vamos estender a mão a quem precisa de ajuda e nos voluntariar para causas que nos transformam para melhor, assim como transformam o mundo.
Conecte-se connosco hoje mesmo e comece! (Emirates NBD)
Tudo o que é humano é de todos, por todos, com causa em todos. Também poderíamos perguntar: que circunstância(s) levou a que as mãos se escondessem nos bolsos? O que o leva a andar curvado e com pavor de tudo o que mexe no olhar? Quando a velhinha lhe pega no braço, o olhar fica em sobressalto, mas o corpo aceita. Ela já não é motivo para ter medo. A iminência da morte? Sim, claro. Dos dois. Ele não mexeu a mão em que a idosa se apoiava. Ela já era a extensão da humanidade. A agulha deixou que a linha se enfiasse. A partir daí, todos os pontos contam, mesmo para consertar rasgos, sem pudor. (Comentário de Almerinda Van Der Giezen, 13.02.2026)
O arco da generosidade
No passado 30 de janeiro, no artigo “Carta de uma Criança ao Menino Jesus”, escrevi: “Receber é bom, oferecer ótimo. Habitualmente, ocorre reciprocidade. Ora a dádiva suscita contra dádiva (Marcel Mauss, Ensaio sobre a dádiva, 1925), ora entra numa cadeia que acaba por regressar ao início (Bronislaw Malinowski, Os argonautas da Pacífico Ocidental, 1922). De qualquer modo, o gesto tende a compensar”.
Na disciplina de Sociologia da Arte e do Imaginário, da Academia Sénior de Braga, propomo-nos fazer um vídeo dedicado à felicidade. A pesquisa de obras com alguma afinidade com o tema conduziu-me a “Ripple – Kindness and good deeds will come back to you”, do realizador singapurense Daniel Yam, que alude precisamente à circulação da dádiva, a qual, passado algum tempo, pode regressar à origem, embora com outra carga simbólica.
Do mesmo realizador, pode também ver as curtas In the Heart of the Zoo e The Journey. A primeira convoca “o amor, a família e a natureza”, a segunda realça o papel dos marcadores da memória, por banais e simples que sejam, na preservação da felicidade.
Relaxe! O Teste do PSA

“Relax your tight end”, da Novartis, é um anúncio de sensibilização que alerta para a importância de monitorizar o estado da próstata através da medida do nível de PSA no sangue. Focando-se em jogadores de futebol americano, o anúncio opta por uma imagem bastante peculiar da masculinidade: uma virilidade descontraída e amaciada.
Refúgio da atrocidade
Quando se procura acontece encontrar-se, eventualmente, o que não se espera e nos choca. Para acompanhar o anúncio “Member of the British Empire”, da The Respite Association, é preciso ter “coração, cabeça e estômago”.
Sem limite de idade

Escrevi pelo menos sete artigos dedicados à estratégia publicitária da Dove (para aceder aos artigos, carregar no título):
- A beleza que toca o coração
- A mulher real
- Beleza real
- A beleza da coragem
- Estética de género
- A beleza como obrigação
- Publicidade simpática
Confunde-se muitas vezes envelhecimento com desvitalização. Mas a vida não tem idade — apenas a morte traça um fim. Parece ser este o mote do anúncio “Beauty has no age limit”, da Dove. O que vale para as pessoas vale para as comunidades: uma comunidade envelhecida não é uma comunidade sem vida.
Tudo bem?
Em Portugal, uma média de três pessoas morrem por suicídio todos os dias. No entanto, sendo um dos tabus mais profundos da sociedade, a morte (especialmente a autoinfligida) raramente é discutida. Não se fala sobre ela.
O suicídio existe na nossa realidade quotidiana, muitas vezes despercebido, enquanto nos esquecemos de que criar espaço, iniciar conversas e prestar atenção é uma responsabilidade partilhada.
Todos os dias, depois de um simples olá, perguntamos “Tudo bem?” – sem esperar pela resposta. É neste breve e quotidiano momento que devemos aprender a parar, a ouvir e, finalmente, a fazer as perguntas difíceis – aquelas que podem mudar vidas.
Este foi o ponto de partida da campanha: criar espaço para um tema fragmentado e desconfortável na conversa do dia a dia. Com o lançamento do 1411 (a primeira linha de apoio nacional de prevenção do suicídio em Portugal, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana), a campanha reformulou a prevenção como uma responsabilidade social coletiva. (https://www.adsoftheworld.com/campaigns/esta-tudo-bem).
Carregar na imagem seguinte para aceder ao vídeo do anúncio.

A Química dos Abraços

Nunca apreciei o ritual do beijo de cumprimento à francesa, uma espécie de beijo ao infinito.
O beijo de cumprimento à francesa (a bise) é um gesto social bastante comum na França e em outros países francófonos. Eis como ele funciona, na prática:
Como fazer
Não é um beijo de verdade: normalmente as pessoas encostam as bochechas e fazem um leve som de beijo no ar.
Começa-se pela bochecha direita da outra pessoa (ou seja, você vira o rosto para a esquerda).
Os lábios quase nunca tocam a pele. (ChatGPT, 02.02.2021)
“La campaña El juego de los abrazos, desarrollada por La Diputación Foral de Gipuzkoa, buscó promover el bienestar emocional, fortalecer los vínculos personales y apoyar a quienes atraviesan momentos de soledad o dificultad.
El juego de los abrazos nace en un contexto marcado por el ritmo acelerado de la vida diaria, el estrés y el aumento de la soledad no deseada. Frente a ello, la Diputación propone una acción cercana, accesible y participativa que se articula en torno a una caja solidaria.
La dinámica es sencilla: sacar una tarjeta, compartir el abrazo que indica y repetir sin límite.
Según numerosas investigaciones médicas, sociales y científicas abrazar no solo reconforta, también cuida. Cuando abrazamos, el cuerpo libera dopamina, serotonina y oxitocina, conocidas como las hormonas de la felicidad, la calma y el vínculo. Gracias a ellas, un abrazo de apenas 10 segundos puede ayudar al cuerpo a combatir infecciones, aliviar síntomas de depresión y reducir la fatiga. Y si lo prolongamos hasta los 20 segundos, sus efectos se multiplican: disminuye el impacto del estrés, mejora la presión arterial y fortalece el sistema inmunológico.
Es por eso que la Diputación Foral de Gipuzkoa busca promover que este juego lúdico-familiar se convierta en el regalo de estas Navidades y más allá de ellas.
La campaña se apoya en un audiovisual de 60 segundos que consta de un relatoque pone el foco en los silencios, la distancia y la reconciliación, y que recuerda que, a veces, un abrazo es la forma más directa de volver a encontrarnos cuando las palabras no bastan.
La caja tiene un precio de 3 euros, que se destina como donativo íntegro al Teléfono de la Esperanza, entidad que acompaña cada año a más de 60.000 personas que atraviesan momentos de soledad, angustia o sufrimiento emocional.
De este modo, la iniciativa amplía su impacto más allá del ámbito familiar y comunitario, con el objetivo de contribuir a que muchas personas encuentren apoyo, escucha y acompañamiento cuando más lo necesitan.”
(Adlatina – Nuevo: la Diputación Foral de Gipuzkoa reivindica el poder de los abrazos, 02.01.2026)
