Ser ou não ser especial

O blogue Peixinho de Prata recorda, hoje, no artigo 50 Anos, 50 Músicas – #24 Creep, Radiohead, a canção “Creep” dos Radiohead, acompanhando-a com um comentário pessoal. Em alto, em baixo ou algures no intermédio, eis uma boa maneira de começar o dia.
Tempos de Amor e Ódio
A uma refugiada em Paris durante a Guerra
Civil Libanesa iniciada em 1975

Thanatos, a pulsão de morte e a violência, aqui tão perto e Eros, a partilha e o Live Aid, já tão longe…
Seguem dois excertos da histórica prestação dos Queen no Live Aid 85 com as canções: Bohemian Rhapsody; We Will Rock You; e We Are The Champions.
Enlevo
Compositor e cantor britânico, Harry Styles revelou-se, com 15 anos, no programa de “caça-talentos” The X- Factor. No mesmo ano, cofundou a boy band One Direction. A partir de 2017, iniciou a carreira a solo. Conquistou um sucesso notável tanto a solo como com a banda. Seguem as canções “Sign Of The Times” e “Falling”, primeiro, as interpretações ao vivo, em seguida, os vídeos musicais oficiais, ambos notáveis.
Memorial

Existem momentos em que é muito importante recordar; nos outros, também! Agradeço à Almerinda Van Der Giezen a partilha deste dois links respeitantes ao espiritual “Wade in the Water”.
Imagem: Peter Lely. Elizabeth Murray (1626–1698)with a Black Servant. C. 1651
“Wade in the Water” é um dos espirituais afro-americanos mais conhecidos e carregados de significado histórico, cultural e religioso. A canção remonta ao século XIX e está profundamente ligada à experiência dos escravizados nos Estados Unidos e ao movimento de libertação por meio da Underground Railroad (Rede de Fuga). (…)
Interpretação religiosa:
• Faz alusão ao episódio bíblico de João 5:4, onde um anjo “agitava as águas” e quem entrasse primeiro seria curado. A ideia é que Deus está presente e ativo, oferecendo livramento e cura.
• O uso da palavra “trouble” (perturbar/agitar) sugere que algo milagroso está prestes a acontecer.
Interpretação codificada:
• Acredita-se que essa música também tinha função prática na fuga de escravizados. “Wade in the water” era um conselho literal: entrar na água para mascarar o rastro e confundir os cães farejadores dos caçadores de escravos.
• Harriet Tubman, uma das principais líderes da Underground Railroad, teria usado canções como essa para comunicar rotas e perigos de forma velada. (…)
Legado
“Wade in the Water” é mais que uma canção: é um símbolo de resistência, fé e inteligência coletiva dos povos escravizados. Faz parte de um legado musical e cultural que influenciou o gospel, o blues, o jazz e o soul, sendo até hoje cantada em contextos religiosos, educacionais e artísticos. (ChatGPT, 29/05/2025)
Campanhas de m*rda

Ça sent la mer d’ici (trocadilho francês)
Acontece as novidades chegarem aos molhos. Com os anúncios “La campagne de merde”, “Conquer the First School Poo” e “Le Studio”, temos elementos para iniciar um tratado de coprologia. Abordam temas fecais, desde a prevenção até à libertação, passando pela depuração.
Imagem: Ilustração do livro Gargantua

O texto mais estapafúrdio que conheço nesta matéria é da autoria do François Rabelais: o capítulo XIII da obra Gargântua (1534), intitulado “Como Grandgousier reconheceu a maravilhosa inteligência de Gargântua graças à invenção de um limpa cu”. Cinco páginas de delírio grotesco, cuja leitura pode ser escutada nos dois vídeos que seguem aos anúncios.
Imagem: O pequeno Gargântua segurando com as mãos um limpa cu. Gravura de Gustave Doré
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Heróis anónimos do rock progressivo

O concerto dos Camel, “heróis [quase] anónimos do rock progressivo”, um dos meus grupos prediletos dos anos setenta, no Royal Albert Hall, no dia 17 de setembro de 2018, impressiona a vários títulos. Não tanto pela idade de alguns membros: Andrew Latimer, a figura principal, ronda os 70 anos de idade. Habituámo-nos a ver cantores e membros de bandas clássicos dos anos sessenta e setenta a continuar ativos com rugas e cabelos brancos (ver Entrar na idade). Não consigo esquecer o Leonard Cohen (ver Coro Salgado).
O concerto dos Camel no Royal Albert Hall é notável pela prestação e pelo ambiente. Por um lado, a fidelidade em relação à gravação em estúdio e a concentração dos intérpretes. Nenhum improviso, nenhuma agitação corporal. A exemplo de grupos como os Moody Blues ou os Pink Floyd e não os Rolling Stones. Por outro, o público permanece sentado, silencioso, sem grandes efusões e gesticulações rituais. Não fosse o tipo de música e lembraria o mais clássico dos concertos clássicos.
Segue uma sequência de três canções: da quarta à sexta do DVD com o concerto: “Spirit of the Water”, “Another Night” e “Air Born”, por sinal, ainda não colocadas no Tendências do Imaginário.
Humor belga

“O surrealismo está profundamente enraizado na cultura belga, e isso transparece no humor, que frequentemente brinca com o absurdo, o ilógico e o inesperado (…) Os belgas costumam rir de si mesmos, seja em relação à sua identidade nacional, seus hábitos, sotaques ou rivalidades linguísticas (entre flamengos e valões). (…) O humor belga não evita temas sombrios.

São bastante comuns piadas envolvendo morte, tragédia ou situações desconfortáveis, mas tratadas de uma forma leve ou irónica. (…) Grande parte do humor belga (…) tem uma forte dimensão visual e foge muitas vezes da lógica convencional (…) Introduz críticas à sociedade, à política ou a instituições sob o disfarce de uma capa de absurdo ou de comédia leve.” (ChatGPT, consultado 29.04.2025).
Em termos de banda desenhada belga, recomendo dois autores: Franquin, criador do Gaston Lagaffe, e Greg, do Achille Talon. Prefiro ao consagrado Hergé, do Tintim.
A seguinte meia dúzia de anúncios recorda o dito humor belga. Os anúncios podem não ser belgas, são quase todos britânicos, mas a cerveja Stella Artois teve origem em Lovaina, ainda em plena Idade Média. Talvez subsistam algumas raízes de inspiração.
Abrenúncio
Estas leituras estão-me a dar nó em cima de nó. Sem entrançar! Demasiada luz alheia e escuridão própria. E não há lua que me alivie. Nestes casos, importa digerir lentamente, mas, mística e labiríntica, esta absorção não é pera doce. Sinto-me ignorante e sem discernimento. Se não considerasse necessária a penitência, diria que estou a ficar masoquista. Assim, temo as consequências. Abrenúncio! Talvez seja a falta de coca-cola…
Este estado de desgraça conduziu-me a experimentar a visualização de uma amostra de progressivo. O Tendências do Imaginário contempla apenas três canções dos Genesis: a primeira, “I know What I Like”, num artigo de 2014 (https://tendimag.com/2014/08/27/genesis/).; as seguintes, “Dancing with the Moonlit Knigh” e “The Carpet Crawlers”, noutro, de 2016 (https://tendimag.com/2016/07/05/genesis-2/). O link das duas primeiras foi, entretanto, desativado. Recoloco duas, por sinal, excelentes interpretações ao vivo.
Às voltas. O Ouroboros

A propósito da folia, música e dança de origem portuguesa (ver A folia portuguesa), comentou-se que continuava a inspirar novas versões, aludindo a Rita Ribeiro a um grupo célebre, sem, contudo, se lembrar do nome. Tão pouco consigo adivinhar.
Posteriormente, acudiu-me que a Rita talvez estivesse a pensar nos britânicos Penguin Cafe Orchestra. Por acaso, dias antes, ao escutar o álbum Ummagumma (1969), dos Pink Floyd ,tinha-me ocorrido que a música “The Narrow Way, Part I” prenunciava um pouco o estilo dos Penguin, cujo primeiro álbum, Music from the Penguin Cafe, foi lançado em 1976.
Às voltas com a noção de circularidade na teoria do imaginário do Gilbert Durand, a música Perpetuum Mobile, dos Penguin, acabou, também, por ressoar nos meus ouvidos.
Enfim, penso ilustrar, numa próxima comunicação, a referida noção de circularidade com a gravura do M. C. Escher “Um Encontro” (1944), que, por sinal, é capa do livro da Rita As lições dos aprendizes (2001)…

Tantas voltas que a serpente, o Ouroboros, dá! Até acaba por morder a própria cauda, renovando o ciclo.

