O Microchip e a Parabólica. Ekaterina Shelehova 2
A primeira é a preferida do Fernando; a segunda, minha; a terceira, não sei!
O Microchip e a Parabólica. Ekaterina Shelehova 1
À São, à Beatriz, à Minda,
à Paula e à Fátima,
estrelas deste deserto
Quando tudo é belo e sublime, a intérprete, a voz e a execução, convém sentir mais do que ser. Ekaterina Shelehova, canadiana, de origem russa, a viver em Itália, revelou-se durante o Got Talent de 2022 búlgaro. Desde então, de en-canto em en-canto, abraçou uma carreira de merecido, embora não ofuscante, sucesso.
Sur-preso por uma promessa incomensurável de prazer, que fazer? Tornar-se, como diria Pascal, infinitamente pequeno e infinitamente grande, microchip e parabólica, para sentir concentrado, intensamente, e aberto, extensamente. Depois, agradecer e partilhar alegre e humildemente.
Proponho-me dedicar três artigos a Ekaterina: o primeiro realça a qualidade da voz e da interpretação; o segundo retém algumas canções preferidas; o terceiro contempla parcerias.
A imigração das cegonhas

Pelos vistos, as cegonhas também imigram cada vez mais para Portugal. Para bem acordar depois da sesta, nada melhor que um anúncio do Xavier Mairesse.
Qual foi o contributo da imigração para a natalidade em Portugal?
Dito pelo ChatGPT:
ChatGPT
A imigração tem desempenhado um papel crucial para a natalidade em Portugal nas últimas décadas, ajudando a mitigar a queda da taxa de natalidade que o país vem enfrentando há anos. O país tem uma das mais baixas taxas de fertilidade da Europa, o que resulta num envelhecimento acelerado da população e num declínio demográfico. A imigração ajuda a atenuar este cenário em diversos aspetos:
- Rejuvenescimento da população
Os imigrantes tendem a ser mais jovens do que a população portuguesa, o que tem ajudado a rejuvenescê-la. Como resultado, muitos imigrantes estão em idade fértil e têm contribuído diretamente para o aumento do número de nascimentos no país. Embora a fertilidade das mulheres imigrantes tenda a convergir com as médias nacionais ao longo do tempo, num primeiro momento, a taxa de natalidade entre os imigrantes é geralmente mais alta. - Aumento da população ativa
A presença de imigrantes jovens ajuda a manter a população em idade ativa, o que é crucial para a sustentabilidade do sistema de segurança social, especialmente num contexto de população envelhecida. Essa faixa etária contribui não apenas para o aumento da natalidade, mas também para a estabilidade do mercado de trabalho. - Fecundidade mais alta entre os imigrantes
Os imigrantes que chegam a Portugal, especialmente vindos de países como o Brasil, Cabo Verde, Angola e outros países africanos, têm historicamente taxas de fecundidade mais elevadas do que as de famílias portuguesas. Isso tem um impacto direto no número de nascimentos no país. Dados do INE (Instituto Nacional de Estatística) revelam que uma proporção significativa dos nascimentos em Portugal nos últimos anos é atribuída a mães estrangeiras. - Dinamização das regiões despovoadas
Em muitas regiões do interior de Portugal, onde a população envelhece mais rapidamente e o despovoamento é um problema grave, a chegada de imigrantes tem trazido novas famílias e revitalizado comunidades. Nestas zonas, os imigrantes podem ser a principal fonte de novos nascimentos e de dinamismo social. - Políticas de imigração e sua ligação à natalidade
Nos últimos anos, Portugal adotou políticas de imigração mais abertas, favorecendo a entrada de trabalhadores estrangeiros e estudantes internacionais. Estas políticas, além de preencherem lacunas no mercado de trabalho, têm como efeito secundário a melhoria do panorama demográfico e a promoção da natalidade. - Estudos e números
Segundo dados do INE, em 2021, cerca de 12% dos nascimentos em Portugal foram de mães estrangeiras, uma percentagem que tem vindo a aumentar nos últimos anos. Este crescimento reflete a importância crescente da imigração para a natalidade e o crescimento demográfico do país. Em alguns anos, mais de 25% dos novos nascimentos na Área Metropolitana de Lisboa já foram atribuídos a imigrantes ou descendentes de imigrantes. - Casamento e formação de famílias
Os imigrantes muitas vezes formam novas famílias em Portugal, casando-se com cidadãos portugueses ou com outros imigrantes. Isso contribui para a diversidade cultural e demográfica, ao mesmo tempo que apoia os números da natalidade.
Conclusão
Em resumo, a imigração tem um papel fundamental para contrabalançar o declínio da natalidade em Portugal, através do aumento dos nascimentos, rejuvenescimento da população e mitigação do envelhecimento demográfico. Embora a imigração não seja a solução única para o problema da baixa natalidade, sem ela o declínio populacional seria ainda mais acentuado.
(https://chatgpt.com/?temporary-chat=true; consultado 05.10.2024 às 17:44)
O Cântico das Criaturas

Em tempos conturbados de obscurantismos e cegueiras mil, nada como se compenetrar e contemplar com olhos enxutos a imensa mas vulnerável dádiva da natureza. Pequenos, simples e humildes, como franciscos! Seguem duas músicas de Angelo Branduardi: “Il Cantico delle Creature” e, com Teresa Salgueiro, “Nelle Palludi di Venezia”, ambas publicadas originalmente no álbum L’Infinitamente Piccolo (2000).
Imagem: Noite estrelada do Principezinho (poster)
Sonho de Virgem
“A verdadeira intimidade é aquela que nos permite sonhar em conjunto sonhos diferentes” (Jacques Salomé, Et si nous inventions notre vie?, 2006).
Uma amiga tem o dom de adivinhar os meus gostos. Envia-me pérolas a fio num colar sem fim. Compensa a parcimónia dos demais amigos. A cada pérola recebida, o reflexo é tentar retribuir. Nem sempre é fácil. É o caso da canção “Nossa Senhora”, composta por Roberto Carlos, na interpretação de Marina Elali.
Ando obcecado com a iconografia da Virgem Maria. Vai ser o tema da próxima conversa, lá para o início do outono. Quem vê imagens, ouve músicas. A canção “Il sogno di Maria”, do Fabrizio De André, não desmerece. Pode propiciar um belo diálogo com a “Minha Senhora”, do Roberto Carlos.
A cor do vento

Estou ocupado a escrever um artigo por encomenda. Para não variar, adiei a tarefa até terminar o prazo. Para este post, recorro, assim, à ajuda de uma amiga, fonte inesgotável de partilhas originais e cativantes. Hoje, calha a sorte ao cantautor “histórico” italiano: Fabrizio de André. Nascido em 1940, faleceu em 1999, com 59 anos, vítima de um cancro do pulmão. Seguem três canções interpretadas ao vivo um ano antes da sua morte.
Pensadoras

O artigo “Cristo ensimesmado” (https://tendimag.com/2024/03/18/recaida-no-vicio-das-imagens/) peca por omissão. Arrisca sugerir que entre as figuras que antecedem O Pensador, de Auguste Rodin, só existem homens. Nada mais falso. Existem muitas (imagens de) pensadoras.




Se no masculino se destaca Cristo, entre as mulheres sobressaem Penélope, apoquentada pela demora de Ulisses, e Maria Madalena, figura maior da hagiografia cristã, nem Eva, nem Virgem, que, retirada em penitência no deserto, se entrega à meditação.









Não obstante os casos exemplares de Penélope e Maria Madalena, a figura cuja pose mais se aproxima da do Pensador de Rodin parece-me ser a alegoria da Escultura, de Valerio Cioli (1529–1599), no túmulo de Michelangelo, concluído por volta de 1574. Só falta despi-la!



Versão publicitária do teorema de Thomas

William I. Thomas (1863-1947), sociólogo norte-americano pioneiro do estudo das migrações, do “método biográfico” e da célebre Escola de Chicago, é um dos clássicos a quem devoto particular estima. Com Dorothy S. Thomas, que viria a ser sua esposa, publicou, em 1928, The child in America: Behavior problems and programs, onde se avança uma interpretação que se tornaria, doravante, conhecida como “Teorema de Thomas”.
Imagem: William I. Thomas
Sustentando a importância objetiva e subjetiva da “definição das situações”, os autores propõem a seguinte fórmula: “If men define situations as real, they are real in their consequences” New York: Alfred A. Knopf, p. 572). Em termos simples: se os professores estão convencidos que determinado aluno é bom, há sérias probabilidades que, embora não o sendo à partida, ele se torne efetivamente um bom aluno. Noções como “profecia autorrealizadora”, “predição criadora” ou “efeito Pigmaleão” estão, de algum modo, associadas a este teorema. Em livro precedente, The Unadjusted Girl, With Cases and Standpoint for Behavior Analysis, publicado em 1923 (Boston: Little, Brown, and Company, Thomas sustentava já que o modo como as pessoas encaram e se comportam com outras contribui para forjar as respetivas personalidades, podendo estas acabar por as assumir. Estava assim traçado o esboço de uma teoria que viria a ser cunhada como teoria da “rotulagem” (e.g. Howard S. Becker, Outsiders, New York: Free Press, 1963), abordagem particularmente influente na área da criminologia. Este princípio desdobra-se no seguinte corolário: o crime e o criminoso são, pelo menos em parte, definidos e fabricados pela sociedade envolvente.
A que propósito vem esta resenha académica intragável?
Resulta inspirada pelo anúncio recente “Assume that I can”, da organização italiana sem fins lucrativos CoorDown para o World Down Syndrome Day 2024. Trata-se de uma inequívoca concretização das teorias de Thomas e da rotulagem.
Abraça e dança

Com o sol de janeiro, apetece abraçar e dançar! Quando coloquei três covers interpretados pela italiana Margherita Pirri (tendimag.com/2024/01/13/o-mar-a-lua-o-vento-e-a-musica/), prometi acrescentar canções originais, com música e letra da própria cantora. Por agora, seguem Danse e Your Arms Around Me, ambas do álbum Daydream, de 2011.
O fóssil e a acendalha


Eros e Thanatos. Instintos de vida e morte. O amor é vida. Que a vida não o esqueça.
Norte-americana, com formação em canto operático, Minnie Riperton iniciou a sua carreira em soul, rythm e rock, aos 15 anos. A canção “Lovin’You”, do álbum Perfect Angel, foi um dos grandes sucessos da década de setenta. Morreu de cancro da mama, em 1979, com apenas trinta e um anos.
Os fósseis podem funcionar como acendalhas?
