Histórias de Vida – Memória, Comunicação e Envolvimento Comunitário (Encontro)

A produção, a divulgação e a utilização de histórias de vida estão no vento. Mas a quantidade requer qualidade, sob risco de ineficiência, inconsequência e invisibilidade, senão de desperdício. Multiplicam-se, entretanto, iniciativas exemplares, ao nível da produção, edição, comunicação e envolvimento comunitário. O encontro do próximo sábado, 10 de outubro, na Casa da Memória de Guimarães, aposta na respetiva partilha. A cada apresentação, sucede um período significativo de participação da audiência. A entrada é livre. Junto o cartaz/convite, bem como o programa.

Novas sensações tecnicamente assistidas

A técnica dá a mão à estética. Ocorrem-me, por exemplo, as serigrafias de Andy Warhol. As novas tecnologias audiovisuais permitem ver a realidade como ninguém, pelo seus próprios meios, alguma vez viu. É o caso dos movimentos de dança no anúncio Feel Something New, da Royal Opera House, de Londres.
Oração às avessas. Vida de esqueleto II

Em 2017, sentia a morte rondar-me. Os três anos seguintes foram de aproximação paulatina, mas iniludível. Em vez de a esconjurar, optei por me familiarizar com ela. Vida de esqueleto II. O espelho, como muitos outros textos que escrevi nesse período, nasceu desse exercício. Volvidos nove anos, leio-o hoje como uma espécie de oração às avessas.
Imagem: William Cheselden. Esqueleto rezando. 1733
Pesadelos acordados

A próxima edição dos Serões dos Medos em Melgaço está programada para a noite de 23 de outubro. Entretanto, convém exercitar os neurónios. Assistindo, antes de deitar, a imagens de pesadelo, com música a condizer. Recomendo as pinturas grotescas, corrosivas e perturbadoras dos expressionistas alemães Otto Dix e Georg Grosz.
Imagem: Georg Grosz – Battalion of the Hole, 1948
Porcos, Famintos e Promíscuos. Memórias de Vilar de Mouros 1971

Proporciona-se juntar os artigos A decomposição da realidade e a recomposição da ilusão, de 24.09.2015, e Porcos, Famintos e Promíscuos, de 25.09.2013. Em agosto de 1971, estreou o álbum Who’s next, dos The Who, e realizou-se o Festival de Vilar de Mouros.
Dia após dia, durante mais de 15 anos, o Tendências do Imaginário foi compondo um arquivo que contribui, ao seu jeito, para a memória coletiva. Porcos, Famintos e Promíscuo consta entre os artigos que considero relevantes.
Trata-se de um arquivo que importa preservar. Seria lamentável perdê-lo na sequência de um sempre possível “acidente digital”. Dediquei os últimos quatro meses à sua restauração. Penso continuar. Mas é uma tarefa que consome demasiado tempo e que colide com outras atividades, porventura mais empolgantes.
A (re)visão das alturas

Nem tudo o que parece bem é bom. Prezo tanto a responsabilidade que estranho o respetivo espartilho e a proliferação de comissões de ética e exames prévios. Nem tudo requer ser visto de cima, como os gigantescos geoglifos do deserto de Nazca, no Perú.
Libertação da lei da morte

Ao ritmo a que são publicados, os artigos do Tendências do Imaginário são flashes de palavras e imagens, fruto aparente de geração espontânea. Mas acontece um ou outro estar na forja durante dias, senão semanas. Continuam a ser palpites, mas um pouco menos. Nestes casos, gosto de falar em imaginação criativa de médio alcance. O artigo Até que a morte nos separe?, colocado pela primeira vez no dia 22 de setembro de 2018, representa um exemplo.
Vamos brincar aos pensadores com imagens do inferno

“O que perturba a mente dos homens não são os eventos, mas os seus julgamentos sobre os eventos. Por exemplo, a morte não é nada horrível ou então Sócrates a teria considerado como tal. Não, a única coisa horrível sobre ela está no julgamento dos homens de que ela é horrível.”
(Epicteto, Manual: 5)
Imagem: Marten de Vos. Juízo Final. 1570. Detalhe


