Ver a cara a Deus

Ainda é domingo. Deixo o comentário do anúncio argentino “Verle la cara a Dios”, da Tulipán, para outros, mais entendidos.
“Tulipán insiste en recordar que el placer importa, merece un lugar central y debe vivirse con respeto y cuidado. Debido a que el lanzamiento llega en un momento donde conviven la hipersexualización, la sobreexposición y el acceso ilimitado a porno con poca educación sexual. Paradójicamente, el deseo parece a la baja: menos ganas, más apatía.
Victoria Kopelowicz, directora de la marca, expresó: “‘Verle la cara a Dios’ es la forma más argentina de describir el máximo placer, y es exactamente eso lo que queremos transmitir con nuestra nueva línea de productos.” (Adlatina: Preestreno: Zurda y Tulipán anuncian una nueva colección de juguetes sexuales para “Verle la cara a Dios” )
Goyesco

O Uber Eats estreou na Espanha sua nova campanha de marca, intitulada “Peça Quase Tudo”, em parceria com a agência Ogilvy e estrelada pelo ator Antonio Banderas. Natural de Málaga, o artista interpreta a si mesmo em uma narrativa divertida e caótica, na qual um pedido aparentemente simples acaba resultando em um “Goya inesperado (…)
A nova campanha do Uber Eats também aposta na irreverência ao incorporar elementos da cultura popular e da história da arte espanhola. Com toques de humor, o filme faz referência a obras icônicas de Francisco de Goya — como O Três de Maio de 1808, O Cão Meio Afundado e A Maja Vestida. A campanha ainda inclui uma citação divertida ao célebre “Ecce Homo” restaurado de forma desastrosa, agora reinterpretado como uma intervenção artística surreal.” (Acontecendo Aqui: https://acontecendoaqui.com.br/propaganda/quando-o-goya-chega-no-delivery-antonio-banderas-vive-momento-surreal-com-uber-eats/).
O jardim das verduras inadiáveis

A Marta Carvalho enviou-me o anúncio “Bok Choy/Garden of Doom”, da Thai Health Promotion. Agradeço sobremaneira porque resulta difícil encontrar uma curta-metragem mais delirante, ousada e polissémica. Já a tinha colocado no Tendências do Imaginário em 2019 (Verdura fora de época). Não obstante, continua digna de ser (re)revista.
Imagem: Bok choy ou acelga chinesa
Desbussolar
A publicidade volta ao delírio da construção de mundos impossíveis: baralha realidades, aturde sentidos, concilia opostos, acelera e voa para nenhures. Tudo para chamar a atenção de um público cada vez mais alheado. Trata-se de desbussolar para melhor magnetizar. Seguem dois anúncios recentes tão fabulosos quanto estapafúrdios: “Winning Is Everything”, francês, da WINAMAX; e “Never Stop Playing”, dinamarquês, da LEGO.
Por sinal, está a decorrer uma exposição da LEGO em Lisboa, na Cordoaria Nacional, até 5 de outubro (ver galeria de imagens).
Exposição da LEGO em Lisboa, até 5 de outubro, na Cordoaria Nacional








Dança da vida, triunfo da morte

Um compositor anónimo italiano do início do século XVII, possivelmente Stefano Landi, compôs a passacaglia magistralmente cantada pelo grupo Apollo’s Fire. Trata-se de “um estilo de composição musical baseada num tema, que é repetido constantemente no baixo, e em variações sobre esse tema na melodia principal”.

“Este gênero, que data do século XVI, é fascinante. Simples e direta, a passacaglia atinge o coração do ouvinte com a sua melodia repetitiva e precisa, como o mecanismo de um relógio. O texto representa um memento mori, apresentado com graciosidade, uma dança macabra (…), que nos convida a refletir profundamente sobre a nossa existência.
Imagem: Mestre de Adelaide de Savóia. História de Merlim, Poitiers, ca. 1450-1455
Pois na nossa dança diária da vida, a um dado momento importa entregar-nos a uma pausa de reflexão (…) para nos interrogar se aquilo que somos é aquilo que gostaríamos de ser. É neste momento, quando paramos para pensar, que um novo impulso vital costuma surgir. Indo do movimento para a quietude e depois novamente para o movimento, percebemos que temos um passado e, embora não tenhamos a certeza de ter um futuro, vivemos verdadeiramente no presente. A vida é uma dança para a qual todos somos convidados, sem máscaras nem fantasias. E enquanto durar, por este momento de eternidade, podemos perfeitamente dançá-la bem.” (La Passaglia della Vita ©Marco Beasley: https://www.marcobeasley.it/la-passacaglia-della-vita.html).
Anúncio português vintage 1: Crânio / capacete
“Crânio”, da Segurança Rodoviária, estreou há mais de 30 anos. Pretende sensibilizar, de um modo impactante, os motoristas para o uso [obrigatório] do capacete de proteção. [carregar na imagem seguinte para aceder ao vídeo]

Anúncios de arrepiar
Brinquemos aos disparates!
Se existem profissionais cuja capacidade de aprendizagem admiro são os médicos. Mas, até entre os mais dotados e afoitos, a aprendizagem pode enredar-se num qualquer nó. Talvez seja o caso do “sistema” [informático], mais mecânico do que orgânico. Por trágica ironia, quando se começa a dominar o “sistema”, logo o dito cujo cuida de mudar.

Por seu turno, os sociólogos comprazem-se a desatar nós. Desconstroem-nos, “reformando ilusões”. No conhecimento sociológico proliferam, portanto, as pontas soltas. Entre enlaces e desenlaces, o diálogo entre médicos e sociólogos pode ser edificante. Mesmo quando é questão do senso comum sábio acerca dos malefícios mais que evidentes do tabaco.
Imagem: Kamal Gurung, Lalitkala Fine Art Campus. Kathmandu, Nepal
Tenho sugerido que a publicidade de consciencialização varia geograficamente. O Ocidente tende a apostar no sério realista assustador, o Oriente, no humor delirante persuasivo.
O anúncio português “Heavy Silence”, sobre o risco de afogamento, segue a regra; já o anúncio tailandês “Park”, sobre os perigos do cigarro eletrónico, afasta-se da tendência oriental. A fantasia e o riso congelam dando lugar ao drama. Pelos vistos, a adesão dos jovens ao cigarro eletrónico assevera-se particularmente alarmante.
Contra infestação

Cautela! Os intrujões andam imparáveis. A pretexto do nosso bem! Não apenas na Internet. Só vejo televisão quando a “atualidade” se presta: “cimeira decisiva”, “guerra aos incêndios”… Importunam-ne os comentadores residentes omniscientes ou os painéis que descambam em propaganda. Semelhantes intrometidos, estranhos ou conhecidos, são mais difíceis de identificar do que os vírus” bloqueados pela Telstra.
George Grosz, O Agitador. 1928
A nova campanha da Telstra, “Blocking Villains”, apresenta (…) um imperador intergaláctico que tenta aplicar golpes nos australianos, mas seus planos são frustrados pela segurança da rede da Telstra. A campanha (…) visa destacar os esforços da Telstra para bloquear ameaças cibernéticas e proteger os clientes de golpes. (…) A campanha utiliza a narrativa de uma invasão alienígena por meio de crimes cibernéticos para demonstrar a capacidade da rede da Telstra de bloquear golpes. (IA)
Carregar na imagem para aceder ao próximo vídeo

A união faz a resistência

Perante inclemências tão intempestivas e adversas, estar juntos protege-nos! Um anúncio extraordinário como este só vindo de longe, do Japão. Obrigado Almerinda Van Der Giezen, pela inesperada viagem no espaço e no tempo.



