Ser bom e estar bem
Ao João
Geater work comes from great place to work (Saatchi & Saatchi, Notre Manifesto, 2024)
Numa recente autopromoção, “Notre manifesto”, a Saatchi & Saatchi destaca dois atributos incontornáveis numa boa agência de publicidade: não brincar (troçar) com o humor e convencer-se que “para ser bom no trabalho é preciso estar bem no trabalho” (vídeo 1).
A KFC e a agência Mother (London) parecem adotar e expressar estes dois princípios no anúncio “Believe in chicken”: um apelo coletivo, uma dança galinácea e uma concentração devota em torno de um frango (vídeo 2). Humor a sério e boa disposição não faltam!
Atribulações climáticas
O ambiente e as alterações climáticas estão na ordem do dia. Até rendem simbolicamente como alegoria ou disparate. Por exemplo, na publicidade, como alegoria no anúncio The Tempest, do Grupo Boticário, e disparate, no anúncio The Big Jump, da Gaz Réseau Distribution France (GRDF).
Mãos que protegem; mãos que castigam

Moi j’ai les mains sales. Jusqu’aux coudes. Je les ai plongées dans la merde et dans le sang. Et puis après ? Est-ce que tu t’imagines qu’on peut gouverner innocemment ? (Jean-Paul Sartre. Les Mains Sales. Éditions Gallimard. 1948. Pág. 200)
A associação francesa StopVEO Enfance Sans Violences acaba de publicar um anúncio de sensibilização excelente a alertar para a violência de que são vítimas as crianças com a justificação de contribuir para a sua educação. A mão, motivo principal brilhantemente explorado, remete sobretudo para o contato físico. Aguarda-se uma segunda parte que incida sobre a cabeça e a violência psicológica. Evidência que a Stop VEO não ignora:
“L’acronyme « VEO » est la Violence (physique, psychologique ou verbale) utilisée envers les enfants dans une intention Éducative (pour leur « bien », pour qu’ils aient un « bon comportement »), culturellement admise et tolérée, dans tous les lieux et tous les milieux ; elle en devient alors « Ordinaire ».”
“Les conséquences de la VEO sont considérables. Elles constituent une question de santé publique parce qu’elle est encore très largement employée : 85 % des parents reconnaissent avoir recours à la fessée (71,5% à des « petites gifles »). La moitié des enfants sont frappés avant l’âge de 2 ans, et les trois quarts avant l’âge de 5 ans (étude menée par l’OVEO (Observatoire de la violence éducative ordinaire) en 2017)”. (https://stopveo.org/veo-violence-educative-ordinaire/)
Melgaço: Homenagem a Maria Beatriz Rocha-Trindade e apresentação do livro “Em Torno da Mobilidade”

Este sábado, dia 06 de abril, às 09h30, ocorrerá na Casa de Cultura de Melgaço, uma homenagem à Professora Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade. Pela mesma ocasião, terei o prazer de apresentar, com a autora, o seu novo livro Em torno da mobilidade: Provérbios, Expressões Idiomáticas e Frases Consagradas. Iniciativa integrada na Celebração dos 50 anos do 25 de Abril em Melgaço, estou em crer que vai proporcionar um bom momento. Enriqueça-o com a sua presença.
Segue uma pequena nota sobre o livro e a autora. Como complemento, sugere-se a consulta do artigo “O simbolismo da mala” (https://tendimag.com/2023/11/26/o-simbolismo-da-mala/), no blogue Tendências do Imaginário, e o visionamento da Entrevista de Maria Beatriz Rocha-Trindade ao LusoJornal (https://www.youtube.com/watch?v=kf11xs1nDF8&t=975s), em 4 de janeiro de 2024.
Em Torno da Mobilidade ajuda a melhor conhecer as perspetivas essenciais que caracterizam um dos mais importantes fenómenos sociais, presente ao longo de toda a História de Portugal: as migrações.
A sua permanência, diversidade no tempo e no espaço, causas estruturais subjacentes, motivações pontuais, o significado dos itinerários percorridos são alguns dos temas presentes nesta edição bilingue (português e inglês), visando o alargamento do público leitor.
A associação de provérbios, expressões idiomáticas e frases consagradas, traduz a intenção de preservar um valioso legado cultural e de potenciar a sua utilização enquanto instrumento pedagógico de valor universal, numa sociedade multicultural como a atual.
Destina-se a entidades públicas e privadas, a educadores, professores, a toda a diáspora e ao público em geral.

Maria Beatriz Rocha-Trindade
Diplomada em Administração Ultramarina e Licenciada em Ciências Antropológicas e Etnológicas, pelo ISCSPU.
Professora Catedrática na Universidade Aberta, onde fundou, em 1989, o Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais.
Introduziu em Portugal o ensino da Sociologia das Migrações ao nível de Licenciatura e de Mestrado.
É autora de uma vasta bibliografia sobre matérias relacionadas com as Migrações, colaboradora habitual e referee de revistas científicas internacionais.
Em 1996, recebeu o Prémio da Associação Portuguesa de Organizações Museológicas.
Em 2008, a Medalha de Mérito do Município de Fafe e em 2022, a Medalha de Ouro do Município do Fundão, recebendo o mesmo reconhecimento pela Obra Católica Portuguesa das Migrações.
É titular da Ordre National du Mérite, com o grau de Chevalier e da Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública.
Em 2023 foi distinguida na Câmara de Paris com a Medalha Grand Vermeil e com a Medalha de Honra do Comité Aristides de Sousa Mendes.
Em Torno da Mobilidade – Apresentação na livraria Centésima Página
Na próxima sexta, dia 5 de abril, às 18h30, na Livraria Centésima Página, em Braga, ocorre a apresentação do livro Em Torno da Mobilidade: provérbios, expressões idiomáticas, frases consagradas, de Maria Beatriz Rocha-Trindade, publicado em finais de 2023 pela editora Alma Letra, de Viseu. À introdução pela autora, sucede a apresentação por Albertino Gonçalves. Apareça e traga um amigo, também!
Segue uma pequena nota sobre o livro e a autora. Como complemento, sugere-se a consulta do artigo “O simbolismo da mala”, no blogue Tendências do Imaginário, e o visionamento da Entrevista de Maria Beatriz Rocha-Trindade ao LusoJornal, em 4 de janeiro de 2024.

Em Torno da Mobilidade ajuda a melhor conhecer as perspetivas essenciais que caracterizam um dos mais importantes fenómenos sociais, presente ao longo de toda a História de Portugal: as migrações.
A sua permanência, diversidade no tempo e no espaço, causas estruturais subjacentes, motivações pontuais, o significado dos itinerários percorridos são alguns dos temas presentes nesta edição bilingue (português e inglês), visando o alargamento do público leitor.
A associação de provérbios, expressões idiomáticas e frases consagradas, traduz a intenção de preservar um valioso legado cultural e de potenciar a sua utilização enquanto instrumento pedagógico de valor universal, numa sociedade multicultural como a atual.
Destina-se a entidades públicas e privadas, a educadores, professores, a toda a diáspora e ao público em geral.

Maria Beatriz Rocha-Trindade
Diplomada em Administração Ultramarina e Licenciada em Ciências Antropológicas e Etnológicas, pelo ISCSPU.
Professora Catedrática na Universidade Aberta, onde fundou, em 1989, o Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais.
Introduziu em Portugal o ensino da Sociologia das Migrações ao nível de Licenciatura e de Mestrado.
É autora de uma vasta bibliografia sobre matérias relacionadas com as Migrações, colaboradora habitual e referee de revistas científicas internacionais.
Em 1996, recebeu o Prémio da Associação Portuguesa de Organizações Museológicas.
Em 2008, a Medalha de Mérito do Município de Fafe e em 2022, a Medalha de Ouro do Município do Fundão, recebendo o mesmo reconhecimento pela Obra Católica Portuguesa das Migrações.
É titular da Ordre National du Mérite, com o grau de Chevalier e da Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública.
Em 2023 foi distinguida na Câmara de Paris com a Medalha Grand Vermeil e com a Medalha de Honra do Comité Aristides de Sousa Mendes.
Moleza

Regresso de Melgaço com alguma fadiga no corpo e na alma. Subir e descer do ninho é mais dado à criação do que à idade. Excesso de afeto mói! No Jardim do Luxemburgo, em Paris, apreciava sentar-me junto à estátua de Verlaine. Com a ajuda de Léo Ferré, vou estender-me um momento a repousar na imaginação.
Jardin du Luxembourg. Paul Verlaine. Por Auguste de Niederhausem Rodo (1863-1913)
Pesca à linha
Deus pesca as almas à linha, Satanás pesca-as com rede. (Alexandre Dumas)
O mundo é grande, transborda de línguas e vozes. Afortunadamente, não existe peneira que o tape. Para o desvendar, importa demandar outros mares, respirar outros ares.

Programas como o The Voice têm contribuído para esta pesca à diversidade. Permitem, por exemplo, descobrir sereias em pequenas ilhas, tais como a Córsega. Battista Acquaviva é um encanto. Seguem três vídeos musicais, dois ao vivo no The Voice francês, o terceiro, a versão oficial do primeiro. Impressionante!
P. Picasso. Sardane de la paix. 1953
Brisa de liberdade

Gosto de sentir abril em fevereiro. A liberdade respira-se. Se é difícil de conquistar, não é menos de preservar. Memórias tangíveis ajudam. Algumas canções reavivam-na. Retenho uma mão cheia. Entre estas, composta por Georges Moustaki para Serge Reggiani, Ma Liberté sobressai. Pelos vistos, a acreditar no poema, a liberdade só tem um rival à altura: o amor.
Ma liberté
(Serge Reggiani. Ma Liberté)
Longtemps je t’ai gardée
Comme une perle rare
Ma liberté
C’est toi qui m’as aidé
A larguer les amarres
Pour aller n’importe où
Pour aller jusqu’au bout
Des chemins de fortune
Pour cueillir en rêvant
Une rose des vents
Sur un rayon de lune
Ma liberté
Devant tes volontés
Mon âme était soumise
Ma liberté
Je t’avais tout donné
Ma dernière chemise
Et combien j’ai souffert
Pour pouvoir satisfaire
Tes moindres exigences
J’ai changé de pays
J’ai perdu mes amis
Pour gagner ta confiance
Ma liberté
Tu as su désarmer
Mes moindres habitudes
Ma liberté
Toi qui m’as fait aimer
Même la solitude
Toi qui m’as fait sourire
Quand je voyais finir
Une belle aventure
Toi qui m’as protégé
Quand j’allais me cacher
Pour soigner mes blessures
Ma liberté
Pourtant je t’ai quittée
Une nuit de décembre
J’ai déserté
Les chemins écartés
Que nous suivions ensemble
Lorsque sans me méfier
Les pieds et poings liés
Je me suis laissé faire
Et je t’ai trahie pour
Une prison d’amour
Et sa belle geôlière
Et je t’ai trahie pour
Une prison d’amour
Et sa belle geôlière.
Jogos agonísticos

Os simulacros de combate constituem um apelo desafiante. Desde crianças. Muitos dos jogos infantis encenam lutas e os filmes western e peplum deliciavam a rapaziada do meu tempo. Por exemplo, no Cine Pelicano, em Melgaço, ou, em Braga, no Pópulo e no Centro Social Paróquia de São Victor. E identificávamo-nos com os heróis. Um momento de glória por projeção mais ou menos estereotipada.
Estátua de Hércules em Bronze dourado, do século 2 aC. Museus Capitolinos
Com a introdução e expansão dos jogos eletrónicos, as atividades lúdicas alteraram-se. Mas a agonística persiste, em particular a luta corpo a corpo. Agora, os jogadores não só assistem mas também intervêm na ação.
Com maior variedade de movimentos e estilos de artes marciais e comandos de controle mais simples e mais intuitivos, Tekken (“Punho de Ferro”) é a série de jogos de luta mais vendida de todos os tempos. Acaba de ser lançada a oitava versão.
Entrevista de Maria Beatriz Rocha -Trindade ao LusoJornal (04/01/2024)
Para unir é preciso amar, para amar é preciso conhecer-se, para se conhecer é preciso ir ao encontro do outro. (Cardinal Mercier)
Cumpre-me a honra e o prazer de participar na apresentação do livro mais recente da Maria Beatriz Rocha Trindade, Em Torno da Mobilidade – Provérbios, Expressões Idiomática, Frases Consagradas (editora almaletra, 2023), sexta, dia 12, às 18:30, na Livraria Centésima Página, em Braga, e sábado, dia 13, às 11 horas, no Salão Nobre da Câmara de Melgaço, durante a homenagem que o município lhe vai dedicar.
Sei que não parece, mas costumo preparar-me, bem ou mal, para este tipo de exposição. Neste caso, com particular empenho: a Maria Beatriz Rocha-Trindade é uma das minhas principais, por sinal raras, referências da sociologia portuguesa, como cientista e como pessoa. Neste exercício, deparei com uma entrevista dada ontem, dia 4 de janeiro, ao LusoJornal. Uma hora, nem mais nem menos, de uma “conversa solta” deveras interessante.
Permito-me chamar a atenção para os minutos 46 e seguintes em que Maria Beatriz Rocha-Trindade sustenta que, em Portugal, o único museu da emigração “que realmente existe é o de Melgaço (…) acho que esse é realmente o que existe “, precisando que outros municípios manifestaram a intenção ou estão a desenvolver o projeto, tais como Fafe, Matosinhos, Sabugal, Vilar Formosos ou Fundão, mas, até ao presente, só Melgaço conseguiu dar esse passo. Há mais de 15 anos.
