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O emigrante e a nota de Santo António

As “fotografias faladas” inserem-se no projeto “Quem somos os que aqui estamos?” do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço. Este projeto visa explorar o espaço geográfico e a sociedade local, dedicando-se em 2024 à freguesia de Alvaredo. Inclui atividades como o registo audiovisual de “fotografias faladas”, a recolha e digitalização de fotografias de álbuns familiares dos habitantes, uma exposição fotográfica na freguesia e a publicação de um trabalho sobre o projeto. A coordenação está a cargo de Álvaro Domingues e Daniel Maciel, com orientação científica de Albertino Gonçalves. (ChatGPT, consultado em 19-02-2025 às 12:40).

Existem objetos que cristalizam e expressam vidas. É o caso, nesta “fotografia falada”, de uma nota de 20 escudos com a figura de Santo António quardada preciosamente, senão religiosamente, por um emigrante desde o momento da partida para França em 1973 até à atualidade.

Fotografia Falada é um projeto de salvaguarda da memória e do património imaterial. Consiste no registo vídeo de um depoimento e tem como ponto de partida uma fotografia comentada pela pessoa nela retratada. Pede-se que comente a fotografia e fale da época e do contexto familiar e socioeconómico em que foi tirada (LUGAR DO REAL. Fotografia Falada).

Para aceder ao vídeo, carregar na imagem seguinte.

A Fotografia e Santo António. Realização: João Gigante. Entrevista: Daniel Maciel. Direção de produção: Rui Ramos. Produção: AO NORTE. Janeiro 2025

Celestial

I find the colors and the diagonal streaks mesmerizing. The slow transition from blue to orange works very well also. To my interpretation of minimal, sharp edges of complimentary colors are not a requirement. When solid objects are the subject versus an overall ethereal scene (like here), of course, having the the solid objects closer together adds more tension and is more graphic art like. (Mike Thompson / Administrador: Photographic Minimalism,10.02.25)

Fotografia de Almerinda Van Der Giezen. Seleção do grupo público Photographic Minimalism, Fev 2025

Em qualquer estação, perante o céu sublime, contrastada mas suavemente multicor, da fotografia da Almerinda Van Der Giezen, nada como imaginar um pastor a tocar trechos (largos) de dois concertos de Vivaldi para flautim (em dó maior p.78-2 e p.79-2), enquanto acompanha os galanteios das cotovias. Já agora, mudando de instrumento, o pastor pode tocar, também, o largo do concerto para flauta em lá menor P.77-2.

Faz da tua vida um sonho, e do teu sonho uma realidade” (Pierre Curie).

Antonio Vivaldi – Concerto para flautim em dó maior P.78- 2. Largo & Concerto para flautim em dó maior P.79- 2. Largo
Antonio Vivaldi – Concerto para flauta em lá menor P.77- 2. Largo

Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo

Imagem extraída do documentário Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo
Imagem extraída do documentário Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo

“Noite escura, densa, calada. Premonições. Memórias deste e de outro mundo. No Ribeiro de Baixo o nosso dia-a-dia cruza-se com histórias e sinais que vão além do Minho pitoresco. Olha-se atentamente o monte galego do outro lado do rio. Essa fronteira, através da qual todos observam por binóculos, é atravessada entre a vida e a morte. O que procuramos? O lobo que caça? O caminhante solitário? Luzes de estântegas? Que atenção damos a um futuro hesitante? Esperamos, desaparecemos” (Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo. Lugar do Real. AO NORTE – Plano Frontal).

O lugar do Ribeiro de Baixo, com uma história e identidade próprias, situa-se nos confins de Castro Laboreiro. A uma dúzia de quilómetros da sede da freguesia, resultava, há pouco mais de cinquenta anos, deveras complicado lá chegar.

O documentário Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo, de 2024, com uma duração de 19 minutos, foi realizado por Nuno Mendonça, Rodrigo Queirós e Vitor Covelo e produzido pela associação AO NORTE, durante a residência cinematográfica Plano Frontal, no âmbito no âmbito do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço.

“A residência cinematográfica Plano Frontal ocorre no âmbito do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço em simultâneo com a residência de fotografia. O objetivo deste projeto é contribuir para um arquivo audiovisual sobre o património imaterial de Melgaço, dotar o Espaço Memória e Fronteira de obras audiovisuais  e fotográficas que retratem a história da região, promover o filme documentário e o aparecimento de novas equipas técnicas e artísticas.

Quatro equipas formadas por quatro jovens realizadores, quatro operadores de som e quatro operadores de câmara, realizarão, durante uma semana, quatro documentários sobre temas locais que lhes serão propostos. Cada equipa trabalha na montagem do seu filme após o fim da residência. Plano Frontal tem como destinatários os alunos em final de curso que frequentem Escolas do Ensino Superior de Cinema e de Audiovisuais, ou que tenham concluído recentemente a sua formação e é orientado pelo realizador Pedro Sena Nunes” (Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo. Lugar do Real. AO NORTE – Plano Frontal).

Sobre a vocação, organização, enquadramento, história, relação com o território e atividades do MDOC- Festival Internacional de Documentário de Melgaço, anexo o pdf do artigo “MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço”, publicado no Boletim Cultural nº 11, de 2024, editado pela Câmara Municipal de Melgaço. A autora, Clara Vasconcelos, tem acompanhado, desde a criação, esta iniciativa, promovida, em boa hora, pelo Município de Melgaço e pela Associação AO NORTE.

Para aceder ao vídeo com o documentário Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo, carregar na imagem acima.

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Três fotografias de Castro Laboreiro.

Em Castro Laboreiro (Pântano da Ameijoeira). Foto de Nuno Vieira
Em Castro Laboreiro (Castelo). Foto de Pedro Cunha
Cascata do Rio Laboreiro. Fonte – Município de Melgaço

Notícia sobre a apresentação do Boletim Cultural no jornal Voz de Melgaço

O jornal Voz de Melgaço dedicou uma extensa notícia à recente publicação do Boletim Cultural (nº 11), editado pela autarquia, com fotografias e excertos da apresentação. Para aceder ao respetivo artigo, carregar na imagem seguinte.

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Coordenadores e colaboradores do Boletim Cultural, de Melgaço, nº 11. 18.01.2025. Fotografia: Município
Apresentação do Boletim Cultural, de Melgaço, nº 11. 18.01.2025. Fotografia: Município

A balada do arco-íris

Até os fenómenos naturais mais efémeros se conjugam para unir o Minho e a Galiza.

Moledo do Minho 1. 18.01.2025. Fotografia de Fernando Gonçalves
Moledo do Minho 2. 18.01.2025. Fotografia de Fernando Gonçalves

Está bom tempo para dormitar, embalados, por exemplo, pela “Berceuse” (1879) de Gabriel Fauré.

Gabriel Fauré – Berceuse Opus 16. Violin: Shishi Zhou; Piano: Chewon Park. Shishi’s Graduation Recital, Master of Music. New England Conservatory’s Brown Hall. February 23, 2016

Cenas

Fotografia de Álvaro Domingues. Habituei-me a chamá-la A Catedral

Entretive-me a procurar anúncios da Sony nos ficheiros do computador. Encontrei algumas relíquias. Dedico estes dois, com sequências de cenas quase fotográficas, ao Álvaro Domingues e à Almerinda Van Der Giezen. Lembranças do Natal, lembranças de sempre.

Imagem: Fotografia de Almerinda Van Der Giezen. Chamo-lhe Ofélia ou Rosa sobre Azul

Marca: Sony HD. Título: Beauty. Agência: Y&R, Singapore. Direção: Sam Tootal, 2010
Marca: Sony. Título: Soundville. Agência: Fallon London. Direção: Juan Cabral. UK, 2009

O Presidente e o Emigrante

Marcelo Rebelo de Sousa e João Gonçalves. Holanda. 09.12.2024

Seul: Barbudos em nevão recorde

Coreia do Sul enfrenta segundo dia de neve intensa que já causou cinco mortes / Vaga de frio poderá estar a abrandar, mas causou mais de 140 voos cancelados, mais de mil escolas fechadas e, pelo menos, cinco mortes. Mais de 40 cm de neve acumularam-se em algumas zonas de Seul. (Público, 28.11.2024)

João em Seul. 27.11.2024. Fotografia de Fernando Gonçalves

Os meus dois barbudos estão a rapar um frio de rachar em Seul: 10º negativos e neve com mais de 40 cm.

O Fernando devia estar a caminho do Japão, onde estão 22º positivos, mas o voo foi adiado para sábado.

Que os deuses da Coreia, que são muitos, os agasalhem!

Seguem algumas das fotografias que enviaram ontem, quarta, 27 de novembro.

Imagem: Fernando em Seul. Fotografia de João Gonçalves. 27/11/2024

Fernando em Seul. 27.11.2024. Fotografia de João Gonçalves

Galeria: Fotografias do nevão em Seul – 27 de novembro de 2024

A amamentação através dos tempos III. O primeiro milénio cristão

Igreja de Anba Bishay e Anba Bigol. Mosteiro Vermelho. Perto de Sohag. Egito. Sec. VI a VII . Fotógrafo: E. Bolman

Com o corpo debilitado durante uma meia dúzia de anos, acabei por abusar das “células cinzentas”, teimosamente operacionais. Tornei-me um hiperativo mental, a saltar de assunto em assunto, vários ao mesmo tempo, sem os acabar. Faltava a corda para os desafios que abraçava. Subsistia, contudo, uma vantagem: entregar-me (quase) apenas ao que gostava: investigar, muito; escrever, bastante; divulgar, pouco. Acumulei descobertas, que não escrevi, e apontamentos, que não publiquei. Num estilo impaciente, apertado e abreviado, com a imagem a sobrepor-se à letra.
Algo recuperado, por inércia ou histerese, esta hiperatividade mental não diminuiu. Continuo a multiplicar as pesquisas, sem cuidar de as concluir nem de partilhar os resultados.
O Tendências do Imaginário é um bom testemunho deste estado pouco recomendável. Passaram quase três meses desde a publicação do segundo artigo da série A amamentação através do tempo, dedicado ao primeiro milénio pagão. A Baixa Idade Média oferecia-se com a meta almejada, contemplando, portanto, o românico, o gótico e parte do renascimento. Recolhi, em conformidade, informações e imagens. Arrumei-as numa fila à espera de ocasião propícia, eventualmente o dia de São Nunca. Sábado, fui ao Mosteiro de Tibães. Os fantasmas dos monges copistas e iluminadores, o entusiasmo da Aida Mata, a dedicação da Anabela Ramos e a curiosidade do Alberto Gonçalves despertaram-me um raro rebate de consciência. Não partilhar as imagens da “Virgem do Leite” do primeiro milénio cristão configurava um desperdício, senão um pecado de soberba e preguiça. Partilho-as, portanto, despojadamente, em jeito de penitência. Perdi o treino à comunicação e a escrita oferece-se como um prazer que me custa. Mas, com franqueza e sem maneirismo, o que mais me incomoda é a sensação de estar a despachar questões dignas de mais cuidado e atenção.

O primeiro milénio da era cristã revela-se estranhamente parcimonioso no que respeita a imagens, conhecidas, com a Virgem a amamentar o Menino. Esta exiguidade estende-se, aliás, à generalidade das imagens marianas, quando não cristãs, o que surpreende atendendo à expansão do cristianismo, mormente a partir do século IV, na sequência dos éditos de Milão, que o legaliza em 313, no tempo de Constantino, e de Tessalónica, que o promove a religião oficial exclusiva do Império Romano, em 380, no tempo de Teodósio I.

O culto da Virgem levou, porém, algum tempo a consolidar-se, devendo aguardar a sua consagração dogmática como Mãe/Portadora de Deus (Theotokos) no Primeiro Concílio de Éfeso, em 431.

É provável que, pelo menos a partir dessa data, as imagens com a Virgem se tenham multiplicado, principalmente no Imperio Romano do Oriente, onde a presença cristã era notável e as artes não só se mantiveram como se desenvolveram. Só que esta implementação não “ficou para a História”. A grande maioria das imagens foi destruída pelos movimentos iconoclastas dos séculos VIII (726 a 787) e IX (814-842), responsáveis por uma autêntica razia das imagens religiosas, associadas à idolatria. Estes movimentos foram decretados pelos imperadores que, no Império Romano do Oriente, eram também os chefes da Igreja Ortodoxa. Sublinhe-se que, durante o primeiro milénio, Constantinopla foi o principal centro de produção de arte cristã.

Afresco com a Virgem e o Menino. Catacumba de Priscila. Roma. Final do século II, início do século III
Mulher a amamentar um menino. Possivelmente a Virgem Maria. Catacumba de Priscila. Roma. Ca. 260

Não admira que na fase inicial desta indagação apenas tenha surgido um par de afrescos pressupostamente com a Virgem a amamentar o Menino, ambos descobertos na catacumba de Priscila, em Roma, datados por volta dos séculos II e III. O primeiro afresco suscita-me poucas dúvidas. Parece ser um fragmento de uma cena com a Adoração dos Reis Magos.

Adoração dos Magos. Afresco da Catacumba de Priscila. Roma. Séc. III
Adoração dos Magos. Decoração de um Sarcófado. Museus do Vaticano. Séc. III

Aponta nesse sentido a semelhança com outro afresco da catacumba de Priscila e com a decoração de um sarcófago, ambos do século III, cujo motivo é, precisamente, a Adoração dos Reis Magos, com a Virgem e o Menino na mesma posição e uma figura de pé a apontar para a estrela.

Cenas com Sofia, Maria e Cristo ou da vida de uma mulher cristã defunta. Catacumba de Priscila. Roma. Ca. 260

O segundo afresco, com uma mulher a amamentar uma criança, justifica mais reservas. Orantes, com os braços abertos levantados, são frequentes nas catacumbas romanas. Na composição do afresco, tanto pode aparecer Sofia, no centro, Cristo com amigos, à esquerda, e a Virgem com o Menino, à direita, como um conjunto de cenas da vida de uma mulher defunta (ver um exemplo semelhante respeitante ao túmulo de uma criança na imagem seguinte).

Sarcófago de Cornelius Statius, uma criança. Evocação da sua vida.140 a 150 d.C. De Roma. No Museu do Louvre

Perante esta exiguidade, que fazer? O mesmo que, há alguns anos atrás, adotámos para as imagens de Cristo: alargar horizontes, demandar outros territórios e outras cristandades, além dos Impérios Romanos do Ocidente e do Oriente e das igrejas Católica Apostólica Romana e Ortodoxa Bizantina. Sondar, por exemplo, a Síria, a Palestina e o Egipto, conquistados pelos muçulmanos no século VI, em particular as igrejas Ortodoxas Copta e Síria, com foco especial nos mosteiros de Apa-Jeremias, em Sacará, e Santa Catarina, no Monte Sinai.

Escavações no Mosteiro de Apa-Jeremias, em Sacará (1908-9, 1909-10)
Mosteiro de Santa Catarina no Monte Sinai

Com este “desvio”, sobem de duas para nove as imagens encontradas com a Virgem a amamentar o Menino anteriores aos iconoclasmos dos séculos VIII e IX [Na galeria seguinte, carregar em cada imagem para a aumentar e ler a respetiva legenda].

Galeria 1: Imagens com a Virgem a amamentar o Menino no primeiro milénio

Quatro apontamentos complementares em jeito de conclusão:

1) A figura da Virgem do Leite não foi criada na Idade Média Central e ainda menos pelo estilo gótico. Existem antecedentes desde o século II;

2) A produção de imagens com a Virgem a amamentar o Menino foi muito superior aos exemplares conhecidos;

3) Durante o primeiro milénio, as imagens com a Virgem a amamentar o Menino afastam-se pouco de outras congéneres, tais como a Ísis Lactans ou as Deusas Mães, por exemplo, celtas e galo-romanas;

4) A sobrevivência de muitas imagens cristãs deve-se à sua localização em territórios não pertencentes ao Império Bizantino, designadamente sob domínio muçulmano, durante os períodos iconoclastas dos séculos VIII e IX.

A busca de imagens com a Virgem a amamentar o Menino proporcionou, naturalmente, o conhecimento de imagens apenas com a Virgem e o Menino. Eventualmente menos divulgadas e de difícil acesso, coloco, na galeria 2, uma seleção com 26 exemplares.

Galeria 2: Imagens apenas com a Virgem e o Menino no primeiro milénio

Nesta galeria, dez imagens provêm do Egipto e nove de Roma. Três repartem-se pela Ucrânia, Geórgia e Alemanha, regiões não pertencentes ao Império Bizantino durante os iconoclasmos. Apenas duas imagens são oriundas de Constantinopla/Istambul, por sinal posteriores ao último movimento iconoclasta (datadas por volta do ano 1000). Enfim, a única imagem restante, do século VI, encontra-se na Basílica de Santo Apolinário Novo, em Ravena. Esta cidade constitui um caso singular. Trata-se de uma das principais concentrações atuais de arte bizantina, nomeadamente do período de transição entre o romano e o bizantino. Boa parte dos mosaicos cristãos mais antigos abrigam-se nas basílicas de São Vital e Santo Apolinário Novo. Escaparam por pouco à purga do primeiro movimento iconoclasta, que, decretado por Leão III, em 726, atingiu o auge, sob Constantino V, a partir do Concílio de Hieria, em 754. “Providencialmente”, três anos antes, em 751, os lombardos conquistaram Ravena, libertando-a do controlo bizantino.

Ironia das ironias, coube, naquele tempo (séculos VIII e IX) aos muçulmanos e aos “bárbaros” “proteger” a arte cristã do zelo purificador da cristandade “ortodoxa”.

Descobrir relíquias

Com a Elvira durante o magusto no Mosteiro de Tibães. 23.11.2024

Entregue a mim mesmo, costumo esquadrinhar as estantes dos CD e dos Vinis em busca de uma relíquia. Um modo de revisitar o passado. Hoje, retive o álbum com os concertos para clarinete e fagote de Mozart. O que me terá cativado para o adquirir em 1980? Mais do que a peça exemplar de fagote, o adagio do clarinete, interpretado, nessa edição da Deutsch Grammaphon, pela Orquestra Sinfónica de Boston, dirigida por Seiji Ozawa.

Segue a interpretação do referido adagio, agora, pela Iceland Symphony Orchestra, com Arngunnur Árnadóttir no clarinete.

Wolfgang Amadeus Mozart – Clarinet Concerto in A major, K.622. Adagio. Iceland Symphony Orchestra. Conductor: Cornelius Meister. Clarinet: Arngunnur Árnadóttir. Reykjavík, September 10th 2015.