Com o Filho no Colo. Evento no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa

Há três anos na forja (desde a conferência “O Olhar de Deus na Cruz: O Cristo Estrábico”, em novembro de 2022), a conversa “Com o Filho no Colo: As Esculturas da Humildade e da Piedade” aproxima-se. Ocorrerá no dia 28 de novembro, às 16 hora. O Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, que a acolhe no respetivo auditório, é uma das instituições organizadoras. Destaca-a no programa de eventos mensal. Para aceder à notícia detalhada, carregar numa das imagens ou no link: https://www.museuddiogodesousa.gov.pt/event-item/com-o-filho-no-colo-as-esculturas-da-humildade-e-da-piedade/

Restolho dos Serões dos Medos

A quarta edição dos Serões dos Medos (sexta, 24 de outubro) quase encheu o auditório da Casa da Cultura de Melgaço (com capacidade para 195 pessoas). De ano para ano, cada vez mais jovens e forasteiros. Uma iniciativa original, imaginativa e ousada, a assumir a população, simultaneamente, como protagonista e público. Em suma, um enxerto que pegou no programa mais alargado da Noite dos Medos.

Mal começo a falar, após a exibição do vídeo de apresentação, um frisson de assombro e espanto apodera-se da audiência: uma “alma do outro mundo”, uma noiva penada translúcida, hasteada à minha esquerda, de tamanho natural, põe-se a estremecer teimosa e ostensivamente…
Não tive outro remédio, senão prosseguir o discurso, como se nada fosse.
Imagem: Noiva Penada. Noite dos Medos. Melgaço
Estive demasiado tagarela. Ainda mais do que de costume. Talvez por causa 1) da cafeína da coca-cola que os meus tios me ofereceram, b) de eventuais fluídos de papagaio provenientes da mediunidade da Mariana, sentada, eloquente e bem-disposta, ao meu lado, ou c) da intenção de aliviar a carga sobrenatural com disparates do tipo:
“há uns tempos, não me largavam os pesadelos com entes falecidos. Antes de deitar, bebia café com leite acompanhado com pão e queijo. Por obra e graça de um sexto sentido, antecipei a refeição uma hora. Desapareceram os pesadelos e as visitações do Além”.
Como nas edições anteriores, sem tempos mortos entre as 21 horas e perto das doze badaladas, confesso que acabei por sentir o espírito maligno do tabaco a chamar por mim. No fim, felicitei o Abel Marques pela organização, com destaque para o vídeo de abertura e o efeito da “boneca animada”. Disse-me que não foi de propósito. Pois, pois… acode-me o testemunho contado durante a sessão por um primo:
“O meu avô residia no lugar da Lavandeira e namorava no lugar dos Bouços, ambos da freguesia de Prado, a uma distância de perto de dois km, por carreiros estreitos, num tempo em que não havia eletricidade. Numa noite de luar, quando regressava a casa, a meio do caminho, no lugar da Barronda, sente-se agarrado pelo ombro, faz força para se soltar e vê no chão a sombra de algo que pairava no ar. Desata a correr, sem se atrever a olhar para trás. No dia seguinte, volta ao mesmo local: a boina baloiçava numa silva”.


Até para o ano, se os astros assim o entenderem! Entretanto, na próxima sexta, 31 de outubro, será a vez da Noite dos Medos.
“Medos” voltam a “assombrar” Melgaço
Sexta, 24 de outubro, pelas 21 horas, haverá mais uma edição dos Serões dos Medos, dedicada ao “sexto sentido”, na Casa da Cultura, em Melgaço. Na semana seguinte, 31 de outubro, será a vez da Noite dos Medos. Entretanto, pode visitar, até ao dia 16 de novembro, na Casa da Cultura, a Exposição Entre Mundos e Segredos.
Para aceder ao respetivo programa, bem como a quatro galerias com imagens e fotografias, carregar aqui ou na imagem seguinte.

Abstinência social. Contos de solidão e mal viver

Das 417 visualizações que o Tendências teve ontem, 15 de novembro, 7 incidiram sobre o artigo “Contos de solidão e mal viver”. O título despertou-me a curiosidade e fui espreitar. Não engana: o assunto é mesmo a abstinência social, o isolamento e a fata de convívio, principalmente dos mais velhos. Na altura, sentia-me só. Aliás, ainda me sinto, embora menos. Instalada a solidão, a morte social, resulta difícil livrar-se dela. Entre nós e os outros ergue-se como que um véu deveras complicado de rasgar. Recoloco o artigo.
Podem repetir os sábios que não existem velhos, que velhos são os trapos. Mas o envelhecimento persiste. Até os trapos envelhecem. Sinto-me a envelhecer: as pernas pesam, os olhos turvam-se e a memória esquece-se. A rede de relações encolhe, como um polvo na panela, rumo à solidão. E nós insistimos que não há velhos, que velhos são os trapos. Recorremos à esconjuração retórica, como se o envelhecimento fosse uma figura de estilo ou um descuido da perfeição. Como se não rezássemos todos no templo do abraço perdido…
Quem me mergulhou neste estado de desentendimento lamentável foi o Nick Cave. Dos três anúncios que seguem, o último é o mais confrangedor: os netos “visitam” o avô mas para assistir a uma emissão de futebol facultada aos idosos por um canal televisão.
Com o Filho no Colo – Convite

O Luís Pinto, do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), acaba de produzir o convite para a conversa Com o Filho no Colo: As Esculturas da Humildade e da Piedade, que preparo há quase três anos, desde a conferência dedicada ao “Cristo Estrábico” (29/11/2022), no mesmo local, o auditório do Museu de Arqueologia Dom Diogo de Sousa. Está previsto abrir com um momento musical pela Escola Arquidiocesana de Música Litúrgica – São Frutuoso; no fim, em jeito de compensação, um Alvarinho de Honra (da adega Quintas de Melgaço).
Os Valores da UNESCO no Contexto Local

Na próxima sexta-feira, 4 de julho, participo no painel “Histórias Contadas. Memórias Guardadas” do encontro Os Valores da UNESCO no Contexto Local (Uma década de Clube para a UNESCO), na Casa do Tempo, em Cabeceiras de Basto.
Procurarei ilustrar, mais do que teorizar, com excertos de entrevistas filmadas, a importância dos testemunhos de vida para as ciências sociais e para a sociedade.
Programa do Encontro Os Valores da UNESCO no Contexto Local. Casa do Tempo. Cabeceiras de Basto, 4 julho 2025
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Inicia no dia 28 de julho, até 3 de agosto, a 11ª edição do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço, uma iniciativa a vários títulos única e notável. Acerca do programa deste ano, João Martinho publicou no jornal Voz de Melgaço uma apresentação ao mesmo tempo atenta e concisa: “MDOC 2025: Novos olhares e reflexões sobre o território regressam de 28 de julho a 3 de agosto”.

Português no 45º World Amateur Go Championship no Canadá

O Fernando parte hoje para Vancouver (Canadá). Vai representar Portugal no 45º World Amateur Go Championship que se realiza de 16 a 23 de maio de 2025. Já o tinha feito no campeonato de 2016 na Coreia do Sul. Que tenha uma boa experiência!
No artigo ” Este português vai representar Portugal num Campeonato Mundial… e quase ninguém sabe“, da GEEKINOUT, Jorge Loureiro entrevista Fernando Gonçalves. Carregar na imagem ao lado para aceder ao artigo.
Morte Social e Sorte Grande
A crença universalmente difundida segundo a qual o medo da morte física é o maior dos medos do homem é altamente contestável. Incomparavelmente mais mortal é o seu medo da morte social, isto é o medo de ser desacreditado, ignorado ou escarnecido” (Günther Anders. Sténogrammes philosophiques. Ed. orig. 1965).
A memória de Jeff Buckley conduziu-nos aos Estados Unidos onde, em termos musicais, nos vamos demorar. Entretanto, uma pausa para publicidade. Insatisfeito com os anúncios mais recentes, demandei os premiados na última década no Festival de Cannes.

“Justino”, estreado em 2015, proporcionou um reencontro encantador. Partilhado no Tendências do Imaginário em dezembro de 2018 (ver Justino e os manequins), não resisto a recolocá-lo. Continua a sensibilizar-me, embora de um modo distinto. Em 2018, ainda não detinha a mínima experiência de “morte social”.
Imagem: Jean-Joseph Perraud – Desespero. Musée d’Orsay
No anúncio, tudo parece suceder como se Justino, anestesiado em rotinas e sem convívio, não existisse para os outros. Mas não se senta ao lado de outros transeuntes nas deslocações para o trabalho? Não vive em função dos outros? Morte social significa a nossa ausência na sociedade, não a ausência da sociedade em nós. A presença da sociedade em nós pode até ser obsessiva. Esse é um dos dramas da morte social. Justino sobrevive num armazém humanizando manequins. Poderia ser numa paisagem hertziana animada por pixéis ou num retiro qualquer onde são esquecidas as figuras outrora célebres. Apagar pessoas pode ser desumano, nem por isso deixa de ser corriqueiro.
Na realidade, resulta complicado sair de um estado de morte social. Inclino-me a acreditar mais na ressurreição mística do que na social. Uma vez acabado, nem sequer “cevada ao rabo”! Uma derradeira valsa sem parceiro. A não ser que sobrevenha algum “milagre” improvável: um bilhete de lotaria, uma fagulha de poder, um estranho reinteresse quase póstumo… Algo que desperte a atenção e a vontade alheias, que contrarie a sua inércia. Ámen!

