Ratoeira
Sugerida por Teresa Carneiro, a curta metragem de animação “Happiness”, de Steve Cutts, é fabulosa (creio ser o adjetivo mais apropriado). Como escreve a Teresa, esta miragem de felicidade pode ser encarada como resultante de uma opção viciada: “A ‘Felicidade’ dos Ratinhos retrata a forma como a maioria dos seres humanos a tenta obter, de forma errada, a todo o custo e apenas conseguem viver uma vida sem sentido – o problema”.
Mas também pode exprimir um cenário ou uma situação limite do “mal-estar” incubado numa certa civilização (Sigmund Freud), mote, aliás, de muitos filmes de ficção científica (ver o vídeo “A Verdade Que Freud Revelou Sobre a Felicidade – E Que A Sociedade Não Quer Que Você Saiba”, de Mente em Progresso, sugerido por Amélia Carmen Cardoso).

O Passarinho Azul
Um conto de carnaval sem palavras.


Doidos

Os italianos e os japoneses têm um traço em comum: como diria o Obélix, são doidos! Por massas, naturalmente. Seguem quatro anúncios a marcas de ramen escolhidos pelo nipófilo cá da casas com o intuito de relevar o cuidado com o acompanhamento sonoro, designadamente a qualidade das músicas, muitas vezes exclusivas, ou seja, produzidas ou adaptadas para o efeito.
The Tokugawa Cup Noodle Prohibition feat. Nenerobo & Mikudayo. Direção: Morii Kenshirou. 2017
Surrealismo animado à Disney

Sou, afinal, uma pessoa “prendada”! A Ana Paula Alves Pinto enviou-me uma nova relíquia: Silly Symphony – Flowers and Trees, do Walt Disney, um dos primeiros filmes de animação a cores (1932). Persistem, portanto, obras magníficas que datam de há quase um século. Apoquenta-me, contudo, a impressão de que, com meios como nunca para rasgar horizontes, nos esmeramos tanto a estreitá-los.
A irradiação dos animes

Os animes constituem um dos fenómenos mais caraterísticos desta viragem de milénio. Crescem, apuram-se e expandem-se, projetando-se noutros mundos muito para além do ecrã, incluindo a chamada “alta cultura”. Pelo menos, assim o sugere o seu embaixador no lar partilhando mais um evento: a magnífica interpretação do Requiem for Attack on Titan, uma seleção de músicas da série de anime Ataque dos Titãs (uma adaptação série de mangá homónima), pela Grissini Project Orchestra, no Stocholm Concert Hall, a partir de 2 de novembro de 2023. São 19 minutos a que, pela excecional qualidade, vale a pena assistir.
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Aberturas da série de anime Attack on Titan (2013 a 2023)
Animação
Tenho em casa um nipófilo adepto dos animes. Costuma prendar-me com novidades e curiosidades. No passado mês de abril, estreou a série Kaiju. No. 8. O genérico de abertura é deslumbrante. Ao contrário da generalidade dos animes, quase dispensa o figurativo. Formas, movimentos, sons e cores insinuam-se, esboçam-se e atropelam-se a um ritmo estonteante, para antecipar sensações e emoções em vez de conteúdos, narrativas e significados. Uma aposta original e arriscada que tudo indica ter resultado.
As caraterísticas do genérico de abertura de Kaiju. No. 8 lembram-me um vídeo com anúncios a automóveis que produzi há décadas (Dobras e Fragmentos – A turbulência dos sentidos na publicidade de automóveis, 2007). Resultou uma colheira “bem apanhada”. Destaco, especialmente, o anúncio See How It Feels, da BMW (2007). Tempos em que bibia a beleza do mundo!
Seguem o anúncio See How It Feels, da BMW; o vídeo Dobras e Fragmentos – A turbulência dos sentidos na publicidade; e o texto homónimo correspondente ligeiramente ligeirament diferente do publicado no livro Vertigens (mais imagens e a cores).
As asas do desejo e a sombra redentora

Quando o novelo da beleza nos cai nas mãos, nos surpreende, importa desfiar o desejo em busca de outras flores da mesma planta. Deixar a sombra perseguir a borboleta, numa espécie de “empreendedorismo estético” focado no prazer. Fascinados com a curta-metragem LILA, de Carlos Lascano, importa sondar o resto da obra do autor. A curiosidade costuma compensar. Confirma-o a animação A Shadow of Blue, que, sublinhe-se, pede visualização até ao desenlace final.
Salvador Dalí. Flor Dalí. 1969
Festival Awards :
. 3rd Festival of Marvellous and imaginary Film (2012) / Best Animation Award
. 23rd « Meetings days Youth Cinema of Tarn » (2012) / Best Direction Award
. Kimera International Film Festival (Italy, 2012) / Preselection 1rst Award, Audience Award, Jury Award
. Tabor Film Festival – Competition Kiki (children) (Croatia, 2012) / Special Mention
. Festival of Nations – Ebensee (Austria, 2012) / Golden Bear Award
. Malta Short Film Festival 2012 (Malta, 2012) / Best Foreign Animation Award
. Cinemadamare (Italy, 2012) / Best Screenplayer
. 30th International Festival of Youth Cinema or Rimousky (Canada, 2012) / Camerio Award – Best Animation Short
. Jahorina Film Festival (Bosnia and Herzgovina, 2012) / Golden Gentian Award
. Banjaluka Festival 2012 (Ex-Yugoslavia, 2012) / Special Mention
. Picture This… International Film Festival (Canada, 2013) / Special Mention
. Grand Bayou Short Film Showcase (USA, 2013) / Most Artistic Award
Desenhar vidas / Animar Edward Hopper

A memória não descansa. Tudo me lembra alguma coisa.
Uma amiga de Melgaço partilhou este belo vídeo, com música de fundo de Vangelis: La Petite Fille de la Mer. O Tendências do Imaginário já contempla o vídeo oficial desta música (https://tendimag.com/2022/06/30/top-of-the-pops-com-rugas-5-michel-colombier-vangelis-e-francis-lai/). Neste caso, “Maria” (2015) limitou-se a retomar a curta-metragem LILA (2014) de Carlos Lascano mantendo o vídeo e substituindo apenas a música. Esta “remistura” não desmerece os originais. Coloco os dois vídeos: a adaptação de “Maria” e o original de Carlos Lascano.
A curta-metragem LILA lembra-me [adoro co(r)tejar realidades distintas] os quadros de Edward Hopper: seres humanos entregues a si mesmos, isolados em ambientes amplos, delineados e despojados com uma luminosidade estranha. Só por magia ou milagre as personagens parecem suscetíveis de resgate, de ganhar vida. Algo semelhante carateriza as situações iniciais no vídeo do realizador e escritor argentino Carlos Lascano, animadas pelos desenhos, por vezes em stop-motion, esboçados por uma jovem, qual anjo ou cupido travesso, (re)anima, incutindo vida e amor às pessoas e seus contextos. Como que restaura, transfigura e subverte o universo melancólico, desolado e solitário de Hopper.
Galeria com quadros de Edward Hopper












Vai uma aula? Versão alargada do vídeo Antepassados do Surrealismo: o Maneirismo

À barca, à barca, senhores!
Oh! que maré tão de prata!
Um ventozinho que mata
E valentes remadores! …
À barca, à barca segura,
Barca bem guarnecida,
À barca, à barca da vida!
(Gil Vicente)
Antepassados do Surrealismo: o Maneirismo é o meu vídeo mais extenso e, porventura, predileto. Também é aquele a que mais me entreguei. Cristaliza anos de estudo e investigação. Não está perfeito, mas dou por encerrado o capítulo. Cada novo retoque implica horas de renderização. Esta versão aumentada inclui, no início, a curta-metragem Destino, idealizada por Salvador Dalí e Walt Disney, e, no fim, a apresentação Maniera: A Arte do Artista, entretanto produzida. Trata-se da minha rosa mais recente. Com pétalas, folhas e espinhos. Não é uma mercadoria mas possui o seu valor, e está ao alcance de todos e de ninguém em particular.
Incorporei este vídeo com a qualidade que o WordPress permitiu. Parece-me mais conseguida a visualização disponível no seguinte link da Clipchamp: https://clipchamp.com/watch/DmbfFtHuPz8. A versão reduzida, apenas com a conversa e respetivas apresentações, está acessível em HD no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=1LM9SLzHzIA&t=18s.
Franz Ferdinand e o anime Cyberpunk

Os admiradores de anime revelam-se um público interativo. Reagem! No mesmo dia em que foi colocado o artigo “David Sylvian, Japan e os anime”, recebi o vídeo de abertura dos créditos do anime Cyberpunk: Edgerunners, estreado em setembro no canal Netflix. Lembra vagamente a Pop art e as viagens psicadélicas. O lettering é notável. A música, This Fire, é dos Franz Ferdinand. Além do referido vídeo dos créditos do anime Cyberpunk, acrescento dos vídeos musicais deveras criativos dos Franz Ferdinand: Love Illumination; e Take Me Out.
