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Ratoeira

Sugerida por Teresa Carneiro, a curta metragem de animação “Happiness”, de Steve Cutts, é fabulosa (creio ser o adjetivo mais apropriado). Como escreve a Teresa, esta miragem de felicidade pode ser encarada como resultante de uma opção viciada: “A ‘Felicidade’ dos Ratinhos retrata a forma como a maioria dos seres humanos a tenta obter, de forma errada, a todo o custo e apenas conseguem viver uma vida sem sentido – o problema”.

Mas também pode exprimir um cenário ou uma situação limite do “mal-estar” incubado numa certa civilização (Sigmund Freud), mote, aliás, de muitos filmes de ficção científica (ver o vídeo “A Verdade Que Freud Revelou Sobre a Felicidade – E Que A Sociedade Não Quer Que Você Saiba”, de Mente em Progresso, sugerido por Amélia Carmen Cardoso).

Happiness. Steve Cutts. No YouTube em 24.11.2017
A Verdade Que Freud Revelou Sobre a Felicidade. Mente em Progresso. Link: https://www.facebook.com/reel/726594233062212

O Passarinho Azul

Um conto de carnaval sem palavras.

Morning Joy. Realizador: John Henry Hinkel. USA. 2023

Doidos

Astérix et la Transitalique. 2017

Os italianos e os japoneses têm um traço em comum: como diria o Obélix, são doidos! Por massas, naturalmente. Seguem quatro anúncios a marcas de ramen escolhidos pelo nipófilo cá da casas com o intuito de relevar o cuidado com o acompanhamento sonoro, designadamente a qualidade das músicas, muitas vezes exclusivas, ou seja, produzidas ou adaptadas para o efeito.

U.F.O Ramen Commercial
Nissin Chicken Ultra Form

The Tokugawa Cup Noodle Prohibition feat. Nenerobo & Mikudayo. Direção: Morii Kenshirou. 2017

U.F.O. – U Feel Overjoyed! Vocal: Towa Tokoyami. 2023

Surrealismo animado à Disney

Sou, afinal, uma pessoa “prendada”! A Ana Paula Alves Pinto enviou-me uma nova relíquia: Silly Symphony – Flowers and Trees, do Walt Disney, um dos primeiros filmes de animação a cores (1932). Persistem, portanto, obras magníficas que datam de há quase um século. Apoquenta-me, contudo, a impressão de que, com meios como nunca para rasgar horizontes, nos esmeramos tanto a estreitá-los.

Silly Symphony: Flowers and Trees. Por Walt Disney. 30 de julho de 1932

A irradiação dos animes

Attack on Titan

Os animes constituem um dos fenómenos mais caraterísticos desta viragem de milénio. Crescem, apuram-se e expandem-se, projetando-se noutros mundos muito para além do ecrã, incluindo a chamada “alta cultura”. Pelo menos, assim o sugere o seu embaixador no lar partilhando mais um evento: a magnífica interpretação do Requiem for Attack on Titan, uma seleção de músicas da série de anime Ataque dos Titãs (uma adaptação série de mangá homónima), pela Grissini Project Orchestra, no Stocholm Concert Hall, a partir de 2 de novembro de 2023. São 19 minutos a que, pela excecional qualidade, vale a pena assistir.

Requiem for Attack on Titan, pela Grissini Project Orchestra. Stocholm Concert Hall, 02/11/2023. Music by Hiroyuki Sawano and Linked Horizon. Arrangement and orchestration Simon Nebout

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Aberturas da série de anime Attack on Titan (2013 a 2023)

Attack On Titans – All Openings (1-9)

Animação

Tenho em casa um nipófilo adepto dos animes. Costuma prendar-me com novidades e curiosidades. No passado mês de abril, estreou a série Kaiju. No. 8. O genérico de abertura é deslumbrante. Ao contrário da generalidade dos animes, quase dispensa o figurativo. Formas, movimentos, sons e cores insinuam-se, esboçam-se e atropelam-se a um ritmo estonteante, para antecipar sensações e emoções em vez de conteúdos, narrativas e significados. Uma aposta original e arriscada que tudo indica ter resultado.

Genérico de abertura do anime Kaiju. No. 8. Abril de 2024. Música: Abyss, dos YUNGBLUD

As caraterísticas do genérico de abertura de Kaiju. No. 8 lembram-me um vídeo com anúncios a automóveis que produzi há décadas (Dobras e Fragmentos – A turbulência dos sentidos na publicidade de automóveis, 2007). Resultou uma colheira “bem apanhada”. Destaco, especialmente, o anúncio See How It Feels, da BMW (2007). Tempos em que bibia a beleza do mundo!

Seguem o anúncio See How It Feels, da BMW; o vídeo Dobras e Fragmentos – A turbulência dos sentidos na publicidade; e o texto homónimo correspondente ligeiramente ligeirament diferente do publicado no livro Vertigens (mais imagens e a cores).

BMW (See How it Feels, WCRS, Londres, 2007
Dobras e Fragmentos. A turbulência dos sentidos na publicidade de automóveis. Por Albertino Gonçalves. 2007.

As asas do desejo e a sombra redentora

Quando o novelo da beleza nos cai nas mãos, nos surpreende, importa desfiar o desejo em busca de outras flores da mesma planta. Deixar a sombra perseguir a borboleta, numa espécie de “empreendedorismo estético” focado no prazer. Fascinados com a curta-metragem LILA, de Carlos Lascano, importa sondar o resto da obra do autor. A curiosidade costuma compensar. Confirma-o a animação A Shadow of Blue, que, sublinhe-se, pede visualização até ao desenlace final.

Salvador Dalí. Flor Dalí. 1969

A Shadow of Blue. Written and Directed by Carlos Lascano. A co-production: Les Films du Cygne and DreamLife Studio in Association with Eallin Motion Art. 2012

Festival Awards :
. 3rd Festival of Marvellous and imaginary Film (2012) / Best Animation Award
. 23rd « Meetings days Youth Cinema of Tarn » (2012) / Best Direction Award
. Kimera International Film Festival (Italy, 2012) / Preselection 1rst Award, Audience Award, Jury Award
. Tabor Film Festival – Competition Kiki (children) (Croatia, 2012) / Special Mention
. Festival of Nations – Ebensee (Austria, 2012) / Golden Bear Award
. Malta Short Film Festival 2012 (Malta, 2012) / Best Foreign Animation Award
. Cinemadamare (Italy, 2012) / Best Screenplayer
. 30th International Festival of Youth Cinema or Rimousky (Canada, 2012) / Camerio Award – Best Animation Short
. Jahorina Film Festival (Bosnia and Herzgovina, 2012) / Golden Gentian Award
. Banjaluka Festival 2012 (Ex-Yugoslavia, 2012) / Special Mention
. Picture This… International Film Festival (Canada, 2013) / Special Mention
. Grand Bayou Short Film Showcase (USA, 2013) / Most Artistic Award

Desenhar vidas / Animar Edward Hopper

Gragnano, Villa rustica in Località Carmiano, Villa A. Room 9, in proprietà de Luca, Pompeii, 1st century BC

A memória não descansa. Tudo me lembra alguma coisa.

Uma amiga de Melgaço partilhou este belo vídeo, com música de fundo de Vangelis: La Petite Fille de la Mer. O Tendências do Imaginário já contempla o vídeo oficial desta música (https://tendimag.com/2022/06/30/top-of-the-pops-com-rugas-5-michel-colombier-vangelis-e-francis-lai/). Neste caso, “Maria” (2015) limitou-se a retomar a curta-metragem LILA (2014) de Carlos Lascano mantendo o vídeo e substituindo apenas a música. Esta “remistura” não desmerece os originais. Coloco os dois vídeos: a adaptação de “Maria” e o original de Carlos Lascano.

A curta-metragem LILA lembra-me [adoro co(r)tejar realidades distintas] os quadros de Edward Hopper: seres humanos entregues a si mesmos, isolados em ambientes amplos, delineados e despojados com uma luminosidade estranha. Só por magia ou milagre as personagens parecem suscetíveis de resgate, de ganhar vida. Algo semelhante carateriza as situações iniciais no vídeo do realizador e escritor argentino Carlos Lascano, animadas pelos desenhos, por vezes em stop-motion, esboçados por uma jovem, qual anjo ou cupido travesso, (re)anima, incutindo vida e amor às pessoas e seus contextos. Como que restaura, transfigura e subverte o universo melancólico, desolado e solitário de Hopper.

Vangelis. La Petit Fille de la Mer. Apocalypse des Animaux. 1973. Gravado para a banda sonora de uma série de documentários sobre o reino animal dirigida por Frédéric Rossif e apresentada na televisão francesa em 1970. Versão do vídeo colocada por “Maria”, em 19/06/2015
LILA. Curta-metragem de Carlos Lascano, com música de Sandy Lavallart. Argentina, 2014

Galeria com quadros de Edward Hopper

Vai uma aula? Versão alargada do vídeo Antepassados do Surrealismo: o Maneirismo

À barca, à barca, senhores!
Oh! que maré tão de prata!
Um ventozinho que mata
E valentes remadores! …
À barca, à barca segura,
Barca bem guarnecida,
À barca, à barca da vida!
(Gil Vicente)

Antepassados do Surrealismo: o Maneirismo é o meu vídeo mais extenso e, porventura, predileto. Também é aquele a que mais me entreguei. Cristaliza anos de estudo e investigação. Não está perfeito, mas dou por encerrado o capítulo. Cada novo retoque implica horas de renderização. Esta versão aumentada inclui, no início, a curta-metragem Destino, idealizada por Salvador Dalí e Walt Disney, e, no fim, a apresentação Maniera: A Arte do Artista, entretanto produzida. Trata-se da minha rosa mais recente. Com pétalas, folhas e espinhos. Não é uma mercadoria mas possui o seu valor, e está ao alcance de todos e de ninguém em particular.

Incorporei este vídeo com a qualidade que o WordPress permitiu. Parece-me mais conseguida a visualização disponível no seguinte link da Clipchamp: https://clipchamp.com/watch/DmbfFtHuPz8. A versão reduzida, apenas com a conversa e respetivas apresentações, está acessível em HD no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=1LM9SLzHzIA&t=18s.

Antepassados do surrealismo: o maneirismo (versão alargada). Albertino Gonçalves. Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, Braga. 27 de maio de 2023

Franz Ferdinand e o anime Cyberpunk

Cyberpunk: Edgerunners. Setembro 2022

Os admiradores de anime revelam-se um público interativo. Reagem! No mesmo dia em que foi colocado o artigo “David Sylvian, Japan e os anime”, recebi o vídeo de abertura dos créditos do anime Cyberpunk: Edgerunners, estreado em setembro no canal Netflix. Lembra vagamente a Pop art e as viagens psicadélicas. O lettering é notável. A música, This Fire, é dos Franz Ferdinand. Além do referido vídeo dos créditos do anime Cyberpunk, acrescento dos vídeos musicais deveras criativos dos Franz Ferdinand: Love Illumination; e Take Me Out.

Cyberpunk: Edgerunners | Opening Credits | Netflix. Setembro 2022
Franz Ferdinand. Love Illumination. Right Thoughts, Right Words, Right Action. 2013. Vídeo oficial
Franz Ferdinand. Take Me Out. Franz Ferdinand. 2004. Vídeo oficial