Muito querido sono
Quando escrevi o artigo com as fotografias da Almerinda Van Der Giezen, escolhi uma música para as acompanhar. Tarefa nada fácil. Com a pressa, esqueci-me de a colocar. Segue agora, fora de contexto. De qualquer modo, Dear Sleep, do sueco Johannes Bornlöf, vale por si mesma.
Fotografias minimalistas
Gosto que as pessoas partilhem comigo aquilo que fazem ou gostam. Resulta, no entanto, raro. Afortunadamente, verifica-se um franco crescimento. Nos últimos tempos, o número triplicou: passou de 2 para 6.

Esta fotografia de Almerinda Van Der Giezen conquistou o prémio de Premier Photo no grupo Photographic Minimalism. Felicito-a! Aproveito para acrescentar três fotografia da sua autoria.



Loura e pura
A cerveja, como o tabaco, pode ser um vício de estimação. Uma loura, o outro moreno. Surpreendentemente, ambos podem ser “puros”. Se não é alérgico ao prazer, à beleza, à fantasia e ao disparate, convido-o a saborear estes três anúncios da marca Pure Blonde. Divirta-se! Hoje, domingo, é dia de oração mas também de recreação.
A irradiação dos animes

Os animes constituem um dos fenómenos mais caraterísticos desta viragem de milénio. Crescem, apuram-se e expandem-se, projetando-se noutros mundos muito para além do ecrã, incluindo a chamada “alta cultura”. Pelo menos, assim o sugere o seu embaixador no lar partilhando mais um evento: a magnífica interpretação do Requiem for Attack on Titan, uma seleção de músicas da série de anime Ataque dos Titãs (uma adaptação série de mangá homónima), pela Grissini Project Orchestra, no Stocholm Concert Hall, a partir de 2 de novembro de 2023. São 19 minutos a que, pela excecional qualidade, vale a pena assistir.
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Aberturas da série de anime Attack on Titan (2013 a 2023)
Boa Disposição Divina (continuação)
Ontem, mudança na medicação: mais contra a tensão, menos calmante. Hoje, sinto-me quebrado. Nem sequer tive disposição para assistir à Liberdade à Deriva (Dia do Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura). Afundei-me numa sesta arrastada.

Com alguma ajuda, por modesta que seja, os caminhos tornam-se mais acessíveis e amplos. Reagindo ao artigo “Boa Disposição Divina. A Virgem e o Menino Sorridentes”, uma amiga enviou-me uma imagem com a estatueta da Virgem com o Menino, dita da Sainte-Chapelle, datada do século XIII e localizada no Museu do Louvre (Figuras 16 e 17).
Resultam deveras gratificantes estes retornos.
Uma imagem desconhecida é fonte, ponte ou porta para outras, avulsas ou em cadeia, num efeito multiplicador. A partilha amiga ofereceu-se, portanto, como um estímulo, ou desafio, para retomar a busca.
Figura 13. Vierge à l’Enfant. Ca. 1240 a 1260. Ivoire. Musée de Cluny
Adoro esgaravatar, como as galinhas. É um vício. Não me recordo, por exemplo, de colocar os pés na praia de Moledo e resulta raro sentar-me nas esplanadas. Em contrapartida, não perco a mínima oportunidade para ir até à zona dos rochedos.

As pessoas que me acompanham costumam entreter-se a apanhar “beijinhos”, umas conchas minúsculas. O meu alvo é ainda mais raro e exigente: picos e bifaces pré-históricos, que remontam ao Paleolítico. De insucesso em insucesso, a coleção cresce. Há quem goste de oferecer flores do jardim, o meu cúmulo é surpreender com picos apanhados na areia ou resgatados de poças de água salgada, com sérios riscos de, apesar da bengala, escorregar e dar uma queda.
Picos descobertos em Moledo
Esgaravatar é um vício facilitado pela Internet. Em dois dias, o número de imagens guardadas na pasta “Virgem e Menino Sorridentes” disparou de meia dúzia para mais de uma quinzena (Figuras 13 a 27), excluindo aquelas em que a Virgem esboça um sorriso à Gioconda. Quase todas provêm do século XIII e da primeira metade do século XIV. A maioria é em marfim e provém da região parisiense, berço do estilo gótico.
Segue a colheita mais recente, mas, espero, não a definitiva. Repare-se que na figura 27 até os leões riem!
Galeria de imagens com a Virgem e o Menino Sorridentes (continuação)














Liberdade à Deriva. Dia do Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura

“Os alunos do 1° ano do Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, da Universidade do Minho, promovem no dia 15 de maio, no Campus de Gualtar, a 3ª edição do Deriva, um dia dedicado à intervenção e à cooperação/colaboração cultural na Universidade.
A edição de 2024 alia-se, conceptualmente, à celebração dos 50 anos do 25 de Abril, tendo sido batizada “Liberdade à Deriva”.
A organização do Deriva este ano pretende associar os conhecimentos apre(e)ndidos em contexto de aula a um projeto que quebra as fronteiras da sala, através da sua materialização, hasteando a bandeira da reciprocidade com a restante comunidade académica, que é convidada a ser parte integral do Deriva, assim como construir pontes entre o curso, profissionais no campo, instituições artísticas e culturais e a comunidade na qual se insere imersiva e participativa. Busca também tornar visível o curso de Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura frente às entidades, organizações e empresas locais e ao nível dos protagonistas da Cultura em Portugal.
Do corte com o quotidiano, ou seja, da mudança/revolta, ao convite à cocriação e à participação, encontram-se os cravos plantados há meio século, que resistem à custa de quem cria e, mais importante, o partilha.”
Segue o link para acesso ao programa:
Boa Disposição Divina. A Virgem e o Menino Sorridentes

Se há algo que podemos aprender da Virgem Maria é a sua ternura. (Madre Teresa de Calcutá)

Entretenho-me a procurar e a contemplar imagens da Virgem Maria com o Filho. Um mundo diversificado sem fim. Não obstante, encontrei um número deveras reduzido, apenas meia dúzia em centenas, com ambos a sorrir.
Habitualmente, a Virgem apareça hierática, reservada, pensativa, preocupada, amargurada, dolorosa, eventualmente atenciosa e afetuosa. Mas não divertida!
2. Virgin and Child. North French, ca. 1250. The Metropolitan Museum of Art
Raras e inesperadas, as imagens com a Virgem e o Menino bem-dispostos surpreendem e impressionam. Proporcionam um belo efeito, porventura terapêutico, a incentivar oração frequente. Difíceis de encontrar, partilho imagens, dos séculos XIII a XVI, que tenho o esmero e o deleite de guardar numa pasta intitulada “A Virgem e o Menino Bem-Dispostos”. Dêmos graças!
Imagens da Virgem e do Menino Sorridentes (sécs. XIII a XVI)









Se Maria aglomera tantas designações, funções, figuras, templos, lendas, devoções e orações, também pode haver lugar para uma Nossa Senhora da Alegria. Por exemplo, em França, existe a basílica e a lenda de Notre-Dame de Liesse (liesse: alegria; júbilo), em Espanha, em Toledo, a escultura e a lenda da Senhora-a-Branca; e no Brasil, a pintura com a Nossa Senhora da Alegria (dos Prazeres).
Lenda da Virgem de Liesse
A História de Nossa Senhora da Alegria começa na época das cruzadas, quando foram feitos três prisioneiros que foram ameaçados a renegar a sua fé.
(a partir de https://tendadosenhor.com.br/a-historia-de-nossa-senhora-da-alegria/)
Contudo, ao contrário do que se pretendia, ainda conseguiram converter a filha do príncipe, que, não só os ajudou a fugir, como também foi com eles, levando uma imagem da Virgem Maria.
Apesar de terem conseguido fugir com alguma facilidade, a sua situação continuava bastante perigosa. Uma noite, adormeceram desanimados e abatidos com receio das incertezas do futuro.
Quando acordaram, para sua surpresa, perceberam que estavam em França, sua terra natal. Ou seja, durante a noite foram transportados milagrosamente do Egito, onde tinham sido presos, para a França.
Para completar, no dia seguinte, encontraram no mesmo lugar uma estátua da mesma imagem de Nossa Senhora que tinham com eles aquando da fuga.
Por esse motivo, construíram um santuário dedicado à Nossa Senhora, que multiplicou as bênçãos e graças derramadas. Atendendo à alegria que o santuário representava na vida dos três prisioneiros, foi dado o nome de Santuário de Nossa Senhora de Lièsse, que significa Nossa Senhora da Alegria.
A Igreja foi construída em 1134, reconstruída em 1384 e ampliada em 1480. Em 1923, tornou-se Basílica.

Por que a Virgem Branca está rindo? Lenda da Catedral de Toledo.
A catedral de Toledo contém uma grande coleção de tesouros, arte, curiosidades… e também lendas. No coro é admirada e venerada uma imagem da Virgem, sob o título de Nossa Senhora Branca, feita em alabastro branco com policromia dourada. E, como não poderia deixar de ser em Toledo, também tem a sua lenda.
Durante muitos meses as festividades e homenagens pelo casamento de Beatriz de las Roelas e Dom Santiago Galán em 1569 foram lembradas em Toledo. Beatriz era conhecida pela nobreza e generosidade da sua família e Santiago era um jovem fidalgo que, tendo ficado órfão ainda criança, foi levado sob a proteção da casa de Orgaz. Foi a Senhora de Orgaz quem fez um esforço especial para que ambos os jovens consistissem no casamento.
Beatriz foi uma fiel devota da Virgem Branca da Catedral de Toledo, cuja imagem serviu de testemunha divina no dia em que contraíram o casamento e fidelidade para sempre. Esta Virgem está no centro do coro da catedral e sempre foi venerada em Toledo com o nome de Nuestra Señora la Blanca.
Os primeiros meses do casal transcorreram felizes, longe de problemas, misérias e penalidades. Uma tarde tudo mudou repentinamente, quando Beatriz anunciou ao marido que ele seria pai, mas ao contrário do que se esperava, observou com espanto que a tristeza aparecia no rosto do seu amado, porque nesse mesmo dia o Senhor de Orgaz lhe tinha dado ordem para comandar parte de suas tropas e ir para a guerra.
Mais resignada do que compreensiva diante de tanta desgraça repentina, ela jurou-lhe que iria todos os dias que durasse sua ausência prostrar-se diante da imagem da Virgem Branca para que ela o protegesse no campo de batalha e cuidasse de ela e seu futuro filho até seu retorno.
Meses longos e angustiantes se passaram. O primogénito nasceu com o nome do pai. Ocasionalmente chegavam notícias dos combates, mas nenhuma referência a Santiago.
Todas as tardes, Beatriz e o seu filho atravessavam os imensos e solitários espaços da Sé Catedral para se prostrarem diante da sua Virgem pedindo proteção ao seu ente querido e um sinal de que tudo ia bem, que ele voltaria saudável e que seriam felizes, mas o a intensa devoção da toledana não conseguiu arrancar nenhum sinal divino que lhe desse a esperança necessária para continuar esperando.
Mais de um ano se passou sem notícias de Santiago. Entre os círculos da corte toledana ninguém esperava o retorno vivo e alguns até propuseram celebrar uma missa pela alma do miserável.
A suposta viúva recusou, garantindo que o marido estava sob a proteção da Virgem Branca e que regressaria. A família começou a se preocupar, temendo até que ela enlouquecesse, quando aumentou o número de visitas diárias à imagem da Virgem.
Duas ou até três vezes por dia, ela atravessava as naves da Primada, acompanhada pelo pequeno Santiago, para continuar a mostrar a sua devoção.
Naquele 8 de setembro, festa da Virgem Branca, fazia um ano e meio que ninguém sabia alguma coisa sobre Santiago. Naquele dia ela sentou-se com o filho no primeiro dos bancos, diante do olhar atento de todos os presentes que já a achavam louca.
Mas depois da cerimnia algo aconteceu. As pessoas perceberam que Dona Beatriz, com o rosto iluminado de felicidade, estava rodeada por uma espécie de luz que se destacava das demais. Quando os demais participantes procuraram a fonte de luz, viram como a imagem da Virgem Branca inclinou a cabeça e sorriu abertamente.
Naquele momento, um barulho de esporas tirou do espanto e da curiosidade os que ali estavam e ao virarem a cabeça viram um quase irreconhecível Santiago Galán, de longa barba, roupas esfarrapadas e sinais de ter passado muita fome.
Os maridos se abraçaram no meio da cerimônia e Santiago conheceu ali o filho, diante da Virgem que o protegeu durante quase dois anos de batalhas e cativeiro.
Texto original: Rafael Ramírez Arellano em “Nuevas tradiciones toledanas”, 1916. Em versão de Javier Mateo e Luis Rodríguez Bausá em “La Vuelta a Toledo en 80 leyendas”. (https://toledospain.click/why-is-the-white-virgin-laughing-a-legend-of-toledo-cathedral/)
Oração a Nossa Senhora da Alegria
Na calma deste momento, furtando-me do corre-corre da vida, eu me recolho em Ti. Senhora da alegria, olha a minha audácia: na singeleza da minha oração, eu te dou a minha alegria. Como é bom ser alegre. Obrigado Senhora! Foi teu dom.
(a partir de https://tendadosenhor.com.br/a-historia-de-nossa-senhora-da-alegria/)
Como é agradável ter a alma em paz. Ela é tua também. Como é maravilhoso ter a alma branda. Razão de ser de toda alegria. Senhora, nos dias ensolarados e nas noites entreabertas, um sorrir sincero indique a alegria sempre em mim.
Que eu saiba sorrir a Ti em todas as circunstâncias da vida, nas festas, nas tormentas, no meu próximo. Sorria eu, Senhora, para aprender com Teu salmista a servir a Senhora, na alegria. Que assim seja em nome de Teu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
Nossa Senhora da Alegria, rogai por nós!
Animação
Tenho em casa um nipófilo adepto dos animes. Costuma prendar-me com novidades e curiosidades. No passado mês de abril, estreou a série Kaiju. No. 8. O genérico de abertura é deslumbrante. Ao contrário da generalidade dos animes, quase dispensa o figurativo. Formas, movimentos, sons e cores insinuam-se, esboçam-se e atropelam-se a um ritmo estonteante, para antecipar sensações e emoções em vez de conteúdos, narrativas e significados. Uma aposta original e arriscada que tudo indica ter resultado.
As caraterísticas do genérico de abertura de Kaiju. No. 8 lembram-me um vídeo com anúncios a automóveis que produzi há décadas (Dobras e Fragmentos – A turbulência dos sentidos na publicidade de automóveis, 2007). Resultou uma colheira “bem apanhada”. Destaco, especialmente, o anúncio See How It Feels, da BMW (2007). Tempos em que bibia a beleza do mundo!
Seguem o anúncio See How It Feels, da BMW; o vídeo Dobras e Fragmentos – A turbulência dos sentidos na publicidade; e o texto homónimo correspondente ligeiramente ligeirament diferente do publicado no livro Vertigens (mais imagens e a cores).
Anjo (da) guarda


A toda a hora e em todo lado
Posso contar com a sua vigia
Não usa arma, não usa a força
Usa uma luz com que ilumina a minha vida
(António Variações)
Jean Michel Basquiat. Fallen Angel. 1981

58, 56, 54,
Good angels at my door.
63, 62, 61, 60, 59, 58,
Good angels at my gate
59, 58, 57, 56, 55, 54,
Good angels at my door.
(Manfred Mann’s Earth Band)
Sax Berlin. Dollar Angel. Contemporary Expressionist Street Art. 2018
Outrora, o anjo da guarda era uma graça providencial, uma preciosidade desejada. Hoje, proliferam os anjos guardas caídos como chuva, guardiões do templo que infestam e infetam as nossas vidas.
Seguem as canções “Anjinho da Guarda”, do António Variações, e “Angels At My Gate”, dos Manfred Mann’s Earth Band.
Mãos que protegem; mãos que castigam

Moi j’ai les mains sales. Jusqu’aux coudes. Je les ai plongées dans la merde et dans le sang. Et puis après ? Est-ce que tu t’imagines qu’on peut gouverner innocemment ? (Jean-Paul Sartre. Les Mains Sales. Éditions Gallimard. 1948. Pág. 200)
A associação francesa StopVEO Enfance Sans Violences acaba de publicar um anúncio de sensibilização excelente a alertar para a violência de que são vítimas as crianças com a justificação de contribuir para a sua educação. A mão, motivo principal brilhantemente explorado, remete sobretudo para o contato físico. Aguarda-se uma segunda parte que incida sobre a cabeça e a violência psicológica. Evidência que a Stop VEO não ignora:
“L’acronyme « VEO » est la Violence (physique, psychologique ou verbale) utilisée envers les enfants dans une intention Éducative (pour leur « bien », pour qu’ils aient un « bon comportement »), culturellement admise et tolérée, dans tous les lieux et tous les milieux ; elle en devient alors « Ordinaire ».”
“Les conséquences de la VEO sont considérables. Elles constituent une question de santé publique parce qu’elle est encore très largement employée : 85 % des parents reconnaissent avoir recours à la fessée (71,5% à des « petites gifles »). La moitié des enfants sont frappés avant l’âge de 2 ans, et les trois quarts avant l’âge de 5 ans (étude menée par l’OVEO (Observatoire de la violence éducative ordinaire) en 2017)”. (https://stopveo.org/veo-violence-educative-ordinaire/)
