Placebomania e Mentes Perdidas

Pasmo na varanda, um cigarro nos dedos, a ver os melros a roubar a comida do gato. O quintal parece um aeroporto. Aterram por trás do limoeiro e das hortênsias. Ali permanecem escondidos alguns segundos. Seguem-se uns saltinhos até à manjedoura. Não dispensam este ritual de abordagem, embora saibam que só correm o risco de ser capturados pelo olhar.

Neste enlevo, costumam surgir-me as ideias mais parvas.

No mundo atual, os problemas multiplicam-se, reais e graves. Mas as sociedades e as organizações democráticas parecem contentar-se com placebos. Estes “panos quentes” custam, contudo, tanto ou mais do que os remédios. Quem os suporta, os mais vulneráveis, não sente fatalmente os resultados esperados. Tudo isto é má medicina.

Como tudo me lembra alguma coisa, pensei nos Placebo. Deixei os melros sossegados, ignorei os debates da televisão a transbordar de placebos e coloquei um cd. Placebos por placebos…

Esta ideia de placebomania não passa de um exercício mental. Um convite à reflexão. Não é para engolir como comida de gato.

Placebo – A Million Little Pieces. Loud Like Love. 2013. Live at RAK Studios, 2014
Placebo – Too Many Friends. Loud Like Love. 2013. Live at RAK Studios, 2014
Placebo – Passive Aggressive. Black Market Music. Live at Bizarre Festival 2000
The Pixies Ft. Placebo – Where Is My Mind. Live at Palais Omnisport in Paris, 2003

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