A dança das deusas
Este artigo é uma prenda da São. Tantos prodígios tem este mundo e tão poucos nos divertem. A chave do humor, e do prazer, é como o ovo de Colombo: basta uma pitada de engenho. As 24 Free Goddess Gif de Nina Paley (http://blog.ninapaley.com/) desenferrujam, após milénios de imobilidade, o corpo. A partir das imagens de Nina Paley, alguém (Emely Hesse?) montou o seguinte vídeo:
Emily Hesse. Yes. Best thing I’ve seen this year and we’re only five days in.
A menina de Paris
Morreu hoje em Paris France Gall, a menina bonita e frágil da canção francesa. Junto dois vídeos.
O primeiro com a canção Les sucettes, de 1966, com Serge Gainsbourg, compositor que não poupou duplos sentidos numa letra infantil a resvalar para a sexualidade.
O segundo com a canção La Lettre, de 1992, com Michel Berger, compositor e marido.
France Gall & Serge Gainsbourg. Les Sucettes. Les Sucettes. 1966.
France Gall & Michel Berger. La Lettre. Double Jeu. 1992
As danças de Matisse
« J’ai toujours essayé de dissimuler mes efforts, j’ai toujours souhaité que mes œuvres aient la légèreté et la gaieté du printemps qui ne laisse jamais soupçonner le travail qu’il a coûté » (Matisse, Henri, 1948, Carta a Henry Clifford).
Entre dois relatório de atividades, o pessoal e o do Departamento, o olhar deixa-se atrair por outros encantos. Um quadro de Matisse é outra louça. Matisse é um caso à parte na história da pintura: expoente do fauvismo, foi um dos artistas mais influentes do século XX, sobretudo, nos Estados Unidos. Andy Warhol terá exclamado: “Gostava de ser Matisse”.
As obras que Henri Matisse dedica à dança encontram-se entre as mais marcantes. Por exemplo, La Danse de 1910 (Museu Hermitage), mas também o tríptico La Danse de Mérion, encomendado por Albert Barnes, coleccionador de arte, patente na Barnes Foundation, em Filadélfia. Matisse pintou duas versões anteriores deste tríptico que se encontram no Musée de l’Art Moderne, em Paris.

Henri Matisse. A dança. 1910. Museu Hermitage.
O que me distraiu não foram as pinturas de Matisse. Foi uma fotografia, enviada pela Adélia, com Matisse a traçar o esboço de um tríptico, em cima de um banco munido com uma cana de bambu. Quem diz que pintar é fácil não conhece Matisse: “Algumas das minhas gravuras acabei-as após centenas de desenhos” (citado em Schneider, Pierre, 1984, Matisse, Flammarion, p. 578).
Como suplemento dançante, a música Avlägsen Strandvals (1981) do acordeonista sueco Lars Hollmer, acompanhada por uma selecção de quadros de Paula Rego. Trata-se de um excerto da parte final do vídeo O Desconcerto do Mundo (2005).
Albertino Gonçalves. O Carrossel. Excerto de O Desconcerto do Mundo. 2005.
O aprendiz de feiticeiro. A técnica entre Deus e o diabo
De tecnofílicos e de tecnofóbicos, todos temos um pouco. Sonhamos com casas, carros e robots inteligentes, mas também temos pesadelos com máquinas que se revoltam contra o criador. A máquina que expande o Homem é a mesma que o pode destruir. Face à máquina, o Homem vive esquartejado entre a apoteose e o Apocalipse. O anúncio Machines, da StubHub, com a qualidade da The Mill, pende para a rebelião das máquinas num alvoroço de desregramento técnico. Este é um dos maiores medos, e fantasmas, da humanidade. Nas catacumbas do entendimento, o Homem hesita como o burro de Buridan: a técnica é bênção de Deus ou pacto com o diabo? O Homem é um aprendiz de feiticeiro. Sabe-o há muito tempo. O anúncio progride a um ritmo alucinante, mas sobra tempo para o humor: antes de morrer, no desfolhar do livro da vida, o protagonista, inteira-se de uma falha na sua passagem pelo mundo: nunca foi a um concerto da Sia!
Marca: StubHub. Título : Machines. Produção : Epoch Films / The Mill. Internacional, 2007.









