Archive | Abril 2017

Optimismo

Carrefour

Perco-me nas origens, mas não consigo recomeçar. Este anúncio não me assenta bem, é optimista. Mas gosto de o ver e, ainda mais, de o ouvir:
“Ensinei aos homens a ver o copo meio cheio, mas, sobretudo, a poder enchê-lo”.
“Não me recuso a ver a infelicidade, mas recuso ver uma fatalidade”.

Marca: Carrefour. Título: Je suis l’optimisme. Agência: Publicis K4. França, Março 2016.

Os Indígenas do Paraíso Perdido

Mongólia

Uma bela natureza num belo filme. Todos ansiamos pelo paraíso perdido. Para os lados da Mongólia, existem dois indígenas munidos de instagram para salvaguarda ecológica. Lembram os “embaixadores” das colónias na Grande Exposição do Mundo Português, de 1940, o álbum Tintin no Gongo, o livro A Nação nas malhas da sua identidade, de Luís Cunha, e o filme Os Deuses Devem Estar Loucos. Águas passadas movem moinhos; a nossa atracção pelo genuíno, pelo outro idealizado, também. A figura do indígena guardião da natureza, que com ela quase se confunde, é recorrente na publicidade.

Marca: Crosscall. Título: Nature’s eyes. Agência: Leo Burnett. Direcção: Fabien Ecochard. França, Março 2017.

A Grande Exposição do Mundo Português (1940). Realizador: António Lopes Ribeiro.

Mergulho inglório

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Mergulhar vestido numa piscina para resgatar um boneco de peluche talvez seja humano. Ter caprichos é, com certeza, humano. Dos 0 aos 150 anos. A cadeia de hotéis Sheraton mima, pelos vistos, os clientes, mesmo aqueles que atiram outros objectos em vez de bonecos para a piscina.

Marca: Sherato, Título: We dive in and go beyond. Agência: Venables Bel & Partners San Francisco. USA, Abril 2017.

Proporcionou-se ver um telejornal. Crise da Síria, atentados contra os coptas no Egipto, cerimónia em memória do atentado na Suécia, funeral do polícia morto no atentado de Londres, tiroteio numa escola nos Estados Unidos e… um jovem convidou uma actriz para a festa dos finalistas. Ela agradece, mas não pode, está ausente. A comunicação é um circo ou sou eu o palhaço?

Do avesso

Assembly Anchor

Promover o leite deste jeito é, no mínimo, original. Um vídeo intertextual com imagem a preto e branco. Às vezes, parece arte. E para namorar a arte, é preciso talento.

Marca: Anchor. Título : Inside-out. Agência : Colenso BBDO (Auckland). Nova Zelândia, Abril 2017.

As mercadorias do amor

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L’amour consiste à être bête ensemble (o amor consiste em ser estúpido em conjunto; Paul Valéry, Monsieur Teste, 1896).

Um anúncio centrado numa relação heterossexual! Um romance num mundo recheado de mercadorias. L’amour, l’amour, l’amour… A música é meio anúncio. Uma pequena amostra de romantismo francês.

Marca: Intermarché. Título: L’amour, l’amour, l’amour. Agência: Romance. Direcção: Katia Lewkowicz. França, Março 2017.

Francis Lai. Un homme et une femme. Claude Lelouch. Un Homme et une femme. 1966.

Sexualidades alternativas

True easter bunny

Associados à  lua, as lebres e os coelhos ligam-se à velha divindade Terra-Mãe, ao simbolismo das águas fecundas e regeneradoras, da vegetação, da renovação perpétua da vida sob todas as suas formas (Chevalier, Jean & Gheerbrant, Alain, Dictionnaire des Symboles).

Uma relação heterobestial entre um coelho e uma galinha resulta num coegalinho hermafrodita, que põe ovos pascais sem pecado, para escárnio dos pacóvios e deleite dos citadinos. Como são bons os coelhos e os ovos de chocolate! São símbolos de fecundidade que se derretem na boca. Dizem que faz mal! Nada como se deixar tentar. Tudo, menos augar. O anúncio True easter bunny convida-nos, de uma forma criativa e agradável, à descoberta da origem do coelho da Páscoa.

Marca: Netto Marken-Discount.Título: True easter bunny. Agência: Jung von Matt. Alemanha, Março 2017.

Um mundo melhor

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Acordei bem-disposto! Hoje, não vou ao trabalho; o trabalho vem ter comigo. A esta hora, já bebi uma coca-cola. Tenho muitos pecados: beber “água suja do capitalismo” não é o pior. O anúncio Choir, da Coca-cola, é animador. Um hino com causas. O mundo está cheio de causas. Anda causado. Nada a ver com a míngua dos anos oitenta, tão órfãos de mobilização social. Ainda recordo a preocupação responsável: “os jovens não têm causas”! Agora, há causas para tudo e para todos. Muitas causas diabolizam os outros, incham e rebentam. Tanta causa inquieta-me! Quando os homens são demasiado bons, abrem-se as bocas dos infernos. Não conheço causas que não sejam boas para quem as advoga; mas também conheço causas cujas consequências são uma tragédia para a humanidade. Bem-aventurados aqueles que acreditam num mundo melhor!

Marca: Coca-cola. Título: Choir. Agência: Santo (Buenos Aires). Direcção: Pucho Mentasti. Argentina, 2011.

O voo do avestruz

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“Não se teria jamais atingido o possível, se não se houvesse tentado o impossível” (Max Weber, 2004, Ciência e Política: Duas Vocações, São Paulo, Editora Cultrix, p. 123).

Costuma dizer-se “enfiar a cabeça num buraco como um avestruz”. Mas o avestruz não enfia a cabeça em nenhum buraco; em caso de ameaça, coloca a cabeça junto ao solo com o pescoço esticado para se camuflar, à distância, como um arbusto ou uma pequena rocha. Quem enfia a cabeça na areia somos nós, os seres humanos. Tanto que as nossas cabeças ficam a chocalhar. O avestruz voa? Graças à realidade virtual e ao sonho. A ilusão e o sonho tornados vontade e a vontade, técnica e magia. Mais ou menos como voam os seres humanos. Mas há muito quem nem sequer descole.

O voo constitui um dos tópicos preferidos do Tendências do Imaginário. O anúncio da Samsung, Ostrich, é brilhante. A ideia é original e inesperada. A técnica soberba. A história bem contada, a sequência com a sombra no solo do avestruz voador perseguida pelos outros avestruzes é espantosa. O slogan é intemporal: Do what you can’t.

Marca: Samsung. Título: Ostrich. Agência: Leo Burnett Chicago. Direcção: Matthijis Van Heijningen. USA, Março 2017.

Rare Bird. Flight. As your mind Flies By. 1970.

Até o bom pode ser efémero

00. Projecto de cartaz que não foi cartaz. Marta Barbosa.

Projecto de cartaz que não foi cartaz. Marta Barbosa.

O III Encontro Minho-Galiza já pertence ao passado. As coisas boas também partem. Perduram, no entanto, na memória dos presentes e na imaginação dos ausentes. O Encontro foi fantástico, do início ao fim. Tomiño e Goián receberam-nos de braços abertos. O auditório era grande, confortável e bem equipado. Houve música e palavras. Uma centelha de diálogo e humanidade acendeu o Encontro, dando azo a momentos de comunhão irrepetíveis. Houve música para todos os gostos: Banda da Escola de Música de Tomiño, Ricardo Almeida (gaita de fole), Pedro Abrunhosa (cantor e compositor português), Ses (cantora e compositora galega) e Joaquim Fidalgo (acordeão). Pedro Abrunhosa entusiasmou-se, e entusiasmou-nos. As comunicações dos painéis testemunharam, dialogaram e agradaram. Tendemos a separar saber e prazer, um engano que nos traz desinteressados. No dia 1 de Abril de 2017, o saber e o prazer dançaram até se cansar. Por obra, talvez, da proximidade do rio Minho, um dos rios que, segundo Orlando Ribeiro, unem mais do que separam.

A organização do Encontro resultou de uma parceria entre o Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, o Centro de Estudos Galegos e o Centro de Estudos Comunicação e Sociedade, todos da Universidade do Minho. Para não diluir os créditos em etiquetas amplas, quem, na realidade, concebeu e se empenhou na organização do III Encontro Minho-Galiza foram:

– Fernando Groba (CEG-ILCH);
– Helena Pires (MCAC/CECS-ICS);
– Francisco Abrunhosa (MCAC-ICS);
– Adriana Silvério (MCAC-ICS);
– Albertino Gonçalves (MCAC/CECS-ICS).

Os eventos científicos converteram-se ao benschmarking e entenderam por bem tirar fotografias como nos casamentos. Uma boa prática. Segue uma galeria com fotografias quase todas da autoria de Francisco Abrunhosa.

Galeria de imagens

Um lugar para dois

Du telecom

Parodiar o cinema é uma doença infantil da publicidade. A Du Telecom, dos Emirados Árabes Unidos, fez uma dúzia de anúncios, muito premiados, a ridicularizar diversos géneros de filmes. Escolho três: Too Silly; Too Scary; Too Boring. Acrescento o recente The man sitted next to you, que parodia o público. Em suma, convém ir ao cinema acompanhado. Dedico estes anúncios ao meu especialista de cinema: Nelson Zagalo.

Marca: Du Telecom. Título : Too Silly. Agência: Leo Burnet Dubai. Direcção: Ali Ali. Emirados Árabes Unidos, 2015.

Marca: Du Telecom. Título : Too Boring. Agência: Leo Burnet Dubai. Direcção: Ali Ali. Emirados Árabes Unidos, 2014.

Marca: Du Telecom. Título : Too Scary. Agência: Leo Burnet Dubai. Direcção: Ali Ali. Emirados Árabes Unidos, 2014.

Marca: Du Telecom. Título : The man sitted next to you. Agência: Leo Burnet Dubai. Direcção: Ali Ali. Emirados Árabes Unidos, Fevereiro 2017.