Respeito
A maioria dos anúncios antitabaco fere a dignidade humana. Existem, felizmente, excepções. O anúncio One Breath, da Nicorette, não convoca bestas nem cadáveres. Esteticamente cuidado, irradia confiança: a capacitação em vez da humilhação, a esperança em vez do medo, numa parábola de salvação. A exclusão não é caminho para o chamamento. Com anúncios como o da Nicorette, apetece deixar de fumar. Como explicar a diferença? Será por o anunciante ser uma empresa privada que precisa cativar clientes?
Marca: Nicorette. Título : One Breath. Agência : AMV/BBDO London. Direcção: Toby Dye. Reino Unido, Outubro 2016.


E, com Respeito pelo outro, está tudo explicado.
Quando deixei de fumar, há muitos anos, pensei que enlouquecia. Era uma coisa de fazer trepar pelas paredes. Habituado à sua ração de nicotina 30 vezes por dia, o meu organismo exigia-a imperativamente. O que me fez resistir e conseguir abandonar o vício foi um muito maior fôlego (embora eu não tivesse qualquer problema respiratório, de modo nenhum, enquanto fumador), o regresso dos cheiros e sabores da minha infância (o olfacto e o gosto deixaram de estar saturados de tabaco) e uma sensação de uma extraordinária capacidade física, tanto no domínio da força como no da resistência. Eu sentia-me capaz de ganhar uma maratona ou de dar uma tareia ao campeão mundial de boxe. Se isto não tivesse acontecido, eu não teria conseguido escapar à escravatura do tabaco. Vale mesmo a pena deixar de fumar, por muito que nos custe. E se custa!
É verdade! Custa mas vale a pena. É pelo que se ganha, pelo que se recupera, que deixar o tabaco é uma decisão muito sensata. O tabaco pouco dá para além do vício.