Grilos anti-crise

Eis um canal de televisão prodigioso! Afasta os grilos, primos dos temíveis gafanhotos da praga bíblica. Quem teme, hoje, os grilos? Pelo sim, pelo não, talvez aquela espécie eleita de cujas nuvens chovem impostos carregados de austeridade. E não há modo de se lhes esquivar. Com canais TV? Canais há muitos, palerma! Grilos, também há, ainda mais. Um grilo para ti, outro grilo para mim, e muitos euros a voar… Precise-se que esta publicidade é mexicana. No México, os grilos não são como os nossos. Lá, devem alimentar-se de serradela. Aqui, esvaziam as carteiras. Já agora, com o que sobra, aproveite e assine um canal TV e compre um tablet, ambos de preferência anti-grilos, num off-shore qualquer.

A este tipo de arrazoado chamam os franceses um “coq-à-l’âne”: um discurso insensato, que salta constantemente de tema, sem se descobrir ponta por onde se lhe pegue. A seguinte imagem, extraída de um livro de horas do século XV, alude a esta complicada arte do absurdo. Nela, pode ver-se um galo e um homem montado num burro e pode ler-se: “je saute du coq à l’ane”.

Horae ad usum Rothomagensem. 1401-1500. Bibliothèque nationale de France.

Anunciante : Maxcom Yuzu. Título : Cricket. Agência: DRAFTFCB México. Direcção: Jonathan Gurvit. México, Setembro 2011.

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