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Dono do tempo?

“Agora não é mais dono do seu tempo?” Pergunta uma amiga. Na realidade, ando ocupado. Talvez para fugir do vazio, vou-me deixando ocupar. Os meus colegas e amigos também andam ocupados, mas com coisas importantes: meetings, calls, papers, media, projects, reports, classrooms, contracts, bureaucracies, protocols, platforms, virtualities, travels, budgets, referees, metrics, contests, prices, rankings, positions & propositions. As minhas ocupações resumem-se a minudências invisíveis: revejo e traduzo textos alheios, presto-me a ser organizador sombra ou suplente de última hora, preparo aulas e encontros na aldeia, entrego-me a investigações vadias, intermitentes e gratuitas, edito e reescrevo livros que nunca têm fim, cuido da saúde que bem precisa e convivo cada vez mais com os amigos. Vale-me isso e a música, minha musa e companhia. E insisto em pingar pensamentos e sentimentos neste blogue. É certo que, reformado, a maioria destas atividades, decididas ou aceites, são livres. Mas uma vez iniciadas deixam de o ser. Devoram recursos e tempo. Regressando à pergunta inicial: neste momento, sou menos dono do meu tempo, mas provisoriamente. Trata-se de uma perda a que não me resigno, que não sei se prefiro à riqueza de ter todo o tempo do mundo.

Franz Schubert. Serenade. 1826. Camille Thomas and Beatrice Berrut. Live at Palais des Beaux-Arts in Brussels on June 5, 2011
Vanessa-Mae. A Poet’s Quest (For a Distant Paradise). Vanessa-Mae Storm. 1997

Violino

Pablo Picasso – Violin and Grapes, 1912.

Às vezes, chove música.

The last violin performance of Ladies in Lavender (O amor não escolhe idades). Violino: Joshua Bell. 2004.

O violino, o génio e o virtuoso

Niccolò Paganini

Niccolò Paganini (1782-1840), o “violinista demoníaco”, compositor e intérprete, é considerado por muitos “o melhor violinista de todos os tempos”. Culmina uma tradição de séculos de violino italiano: Marini, Corelli, Vivaldi, Tartini… O russo Leonid Kogan (1924-1982) foi um dos melhores violinistas do século XX. Assistir, contanto em vídeo, a Leonid Kogan a interpretar Niccolò Paganini é um privilégio. Nel cor più non mi sento é uma composição de Paganini particularmente difícil de interpretar.

Albertino e Fernando

Paganini. Nel cor più non mi sento. 1821. Interpretação de: Leonid Kogan.

A Bela e o Velho

Kersting, Der Geiger Nicolo Paganini. 1830-1831.

Músico velho: Victor Borge, 80 anos, mais célebre pelas peças de humor do que pelas teclas de piano. Música bela, Esther Abrami, francesa, uma promessa no domínio do violino.

Victor Borge. Octogésimo aniversário. Tivoli Concert Hall, Copenhaga, 1989. Com Michala Petri. Música: Czardas, de Vittorio Monti, 1904.
Esther Abrami interpreta Niccolò Paganini (Cantabile, 1822-24). Royal College of Music. 2017.

A melodia do repouso

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Joshua Bell

Nos últimos quatro dias, tive que escrever dois textos: um sobre a street food, outro sobre a fotografia. Como diria La Palice: quem não é especialista de nada acaba especialista de tudo. Para descansar das letras, costumo ouvir música. Nem livros, nem vídeos. Procurar músicas dá trabalho, mas é um trabalho que descansa. Gosto do violinista Joshua Bell. Tem um toque humano. Um dia foi tocar para o metro. Ninguém lhe prestou a mínima atenção. O Tendências do Imaginário já contempla uma ou outra música interpretada por Joshua Bell. Acrescento duas: uma de Dvorak, outra de Rachmaninov.

Joshua Bell. Dvořák. Zigeunerlieder. Gypsy Songs, opus 55.

Joshua Bell. Sergei Rachmaninov. Vocalise, Op 34 No 14.

Pachelbel por Pantene

Um belo dia. À beira mar. Em casa, a corrigir trabalhos. Vale a pena pedir trabalhos aos alunos. Este anúncio evidencia mais um amor livre, muito livre, entre a arte e a publicidade.

Marca: Pantene. Título: Crysalis. Agência: Grey Thailand. Direção: Thanonchai Sornsriwichai. Tailândia, Fevereiro 2009. [Recuperado e gravado em 14.07.2026]