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São João da Idade

Passei o São João com pessoas da mesma idade. Ou próxima. Um dia no arraial do Centro Social da Paróquia de Gualtar; o outro em passeio por terras do Laboreiro.

No arraial, com a vitalidade e a animação dos mais velhos numa festa cuja organização foi da responsabilidade da Filipa, aluna de uma aluna minha.

A visita a Castro Laboreiro requereu mais energia. Há anos, prefiro não os contar, que não ensaiava uma saída de casa tão longa: 12 horas. Para lograr tamanha proeza, só graças ao Laboreiro, ao São João, ao solstício de verão e, sobretudo, à companhia (dois homens da montanha, o Américo Rodrigues e o José Domingues, e dois “plicas” urbanos, o Eduardo Pires de Oliveira e o Alberto Gonçalves). Recomendo a experiência da transição, quase abrupta, da verticalidade do vale, com desfiladeiros, cumeadas, fragas improváveis, pontes e carvalheiras para a horizontalidade do planalto, a roçar o céu, apaziguador e enigmático, com vegetação rasteira, uma ou outra cotovia, ave de rapina ou lebre, bastantes bovinos e garranos, mamoas e dólmens, e horizontes a perder de vista. “Brutal”!

Seguem duas galerias de imagens: a primeira com fotografias do arraial do Centro Social da Paróquia de Gualtar, disponibilizadas por este Centro; a segunda com fotografias da visita a Castro Laboreiro, todas da autoria do Alberto Gonçalves.

Galeria 1: Arraial de São João no Centro Social da Paróquia de Gualtar

Galeria 2: Passeio por terras do Laboreiro (fotografias de Alberto Gonçalves)

Os velhos

Albrecht Durer. Hands.

Albrecht Dürer (?). Hands.

“Velhos são os trapos”. Fico perplexo perante tanta sabedoria. Um argumento incontestável. Os velhos não são velhos, porque velhos são os trapos, e os velhos não são trapos. Com os trapos, desmoronam-se séculos de uma língua. Doravante, os velhos não são velhos, são idosos, seniores e pessoas de idade. Em tempos, terceira idade. Os bem-pensantes pensam bem! No meu entendimento, os velhos são velhos. Os meus velhos continuam a ser os meus velhos. Não são os meus idosos, os meus seniores ou as minhas pessoas de idade. A canção de Jacques Brel chama-se Les vieux e a de Daniel Guichard, Mon vieux, apesar de todas as “personnes âgées” residentes na Bélgica e em França. E o romance O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, nunca será O Idoso e o Mar. Idosos, seniores e pessoas de idade são enxertos linguísticos de burocratas e cientistas. Assim gira a nossa identidade: somos seniores nas universidades seniores, idosos nos centros de dia e pessoas de idade num outro sítio qualquer. O que me intriga é sermos velhos cada vez mais tarde e idosos cada vez mais cedo.

Seguem dois anúncios com velhos. Há mais de dez anos que colecciono anúncios publicitários. Acontece revisitar uma ou outra pasta. São anúncios antigos, porventura, seniores. A qualidade gráfica e a resolução da imagem acusam o tempo. Não deixam de ser bons anúncios.

Marca: Butterfinger. Título: Sharing. Agência: JWT Chicago. USA, 2002.

Marca: Fita Biscuits. Título: Fairy. Agência: Lowe, Makati City Phyllipines. Filipinas, 2003.