A moral e o riso
“Sair para fora, cá dentro” é um dos meus lemas preferidos. Graças à Internet, também vou ao Brasil, cá dentro, no âmbito de um projecto aliciante e inovador em torno da moral e do riso.
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Turbulência universitária
“Demasiado repouso entorpece-nos. Demasiado tumulto atordoa-nos. Demasiado frio gera indolência. Demasiada actividade, turbulência (Charles-François Panard, 1689-1765)
Gosto deste anúncio da Universidade de Melbourne (Austrália). Gosto da composição de corpos humanos, nada rara mas sempre única. Gosto do pormenor da caveira a lembrar Salvador Dali. Gosto da turbulência onde bebe a seiva da criatividade. Até parece que na Universidade de Melboune não se embalsamam os sábios em túmulos de burocracia. Gosto do cruzamento entre o choque de ideias e o choque de pessoas. Gosto da afirmação do vice-reitor da Universidade de Melbourne: “beyond science, important youthful intellectual movements have come from the humanities” (não traduzo porque em inglês vale a dobrar). Desengane-se quem mal pensou: a Universidade de Melbourne, 33ª no World University Rankings Elsevier, contempla todas as áreas científicas (http://coursesearch.unimelb.edu.au/grad).
Beyond science, important youthful intellectual movements have come from the humanities: the Romantic Movement from 1800 to 1850; the Bloomsbury Set of writers, intellectuals, philosophers and artists such as Virginia Woolf, John Maynard Keynes and E. M. Forster; the Great War poets. These young, brilliant, ambitious people were thrown together at university but carried on their conversations after graduation. They changed the way we view poetry, literature, art, economics and war. It’s barely possible to think about the most momentous issues facing us today without at least subconscious reference to the intellectual frames they constructed – especially in a world of threatened freedoms, economic uncertainty and military conflict. (A Message from the Vice Chancelor of the University of Melbourne: http://collision.unimelb.edu.au/#layer-vc-message).
Marca: University of Melbourne. Título: Where great minds collide. Agência: McCann Australia. Direcção: Mark Daly. Austrália, Setembro 2015.
A electricidade das plantas
Dou, por deformação profissional, alguma atenção aos anúncios promovidos pelas universidades. A UTEC, Universidade de Ingeniería & Tecnología, do Perú, iniciou a disseminação de uma nova forma de produção de energia eléctrica mediante recurso à fotossíntese das plantas. Num país com cobertura eléctrica insuficiente, como é o caso do Perú, a “plantalámpara” é uma bênção. O anúncio mostra, até certo ponto, como se faz e como se usa. Falta saber quanto custa. Na Holanda, uma empresa associada à Universidade de Wageningen trabalha no mesmo sentido (http://www.semprequestione.com/2015/06/empresa-colhe-eletricidade-partir-de-plantas.html#.VjjqcbfhCHt).
Marca: UTEC, Universidad de Ingeniería & Tecnología. Título: Plantalámparas. Agência: FCB Mayo. Direcção: Antonio Sarria. Perú, Outubro 2015.
Contos de fadas
“Passar dos fantasmas da fé para os espectros da razão é somente ser mudado de cela” (Fernando Pessoa, Livro do Desassossego por Bernardo Soares)
Quem não gosta de contos de fadas? De gatas borralheiras princesas e de sapos príncipes? Não obstante o filtro da razão, contos de fadas não faltam. Por exemplo, na publicidade e, em particular, nos anúncios a universidades, onde estas, “espectros da razão”, convivem com os contos de fadas, “fantasmas da fé”. As universidades são dos maiores viveiros de sonho acordado. Estes anúncios da Western Sydney University regalam-nos com dois contos de fadas, porventura reais. No primeiro, Jay Manley Unlimited, um estudante australiano apaixonado por mecânica ingressa na vanguardista Tesla Motors, no Silicon Valley. No segundo, Deng Thiak Adut Unlimited, uma criança negra raptada por guerrilheiros no Corno de África consegue tornar-se um advogado de sucesso.
Marca: Western Sydney University. Título: Jay Manley Unlimited. Agência: WCD + WE. Collective. Direcção: Jae Morrison. Austrália, Setembro 2015.
Marca: Western Sydney University. Título: Deng Thiak Adut Unlimited. Agência: WCD + WE. Collective. Direcção: Jae Morrison. Austrália, Setembro 2015.
Correr ao ritmo da vida
A era digital alterou o trabalho, desenraizou-o. Perdeu local, horário e fronteira. As plataformas eletrónicas impõem-se como dispositivo de agenda e disciplina. São para a organização do trabalho atual o que a cadeia foi para o fordismo. Não há modo de desligar! Vêm estes desvarios a propósito de um anúncio a uma universidade: The University of Western Australia. Destaco dois eixos. Primeiro, a ideia, corrente, de que a luta pelo sucesso reside, principalmente, numa competição consigo próprio (a protagonista corre sozinha). Não se mover é parar o mundo. Segundo, a universidade deve estar em concomitância com o seu tempo (a protagonista corre no mundo actual). Nem atrás, nem à frente. Em sincronia. O impossível mora no presente à espera de ser conseguido. Há universidades que se querem à frente do seu tempo, tentadas a surfar muito à frente das ondas, porventura, no areal. Não desfazendo, este ímpeto visionário tem proporcionado um truculento caldo de asneiras. De tanto erguer a cabeça, descura-se onde pôr os pés. A University of Western Australia ocupava, em 2014, a posição 88 no Academic Ranking of World Universities (a Universidade do Porto situava-se entre 301 e 400). Estar no seu tempo não significa estar parado. O anúncio, com a ajuda da música, tem, aliás, um ritmo alucinante.
Marca: The University of Western Australia. Título: Pursue Impossible. Agência: The Brand Agency Perth. Direcção: Grant Sputore. Austrália, Maio 2015.
Dionísio na Universidade
A Ana Rita, do Brasil, pede o texto “Dionísio na Universidade: a praxe como rito de passagem”. É um texto curto, antigo, talhado para um editorial da publicação oficial da Universidade do Minho (UM boletim, nº 45, 7 Abr. 1997, pp. 1-2). Se um dia calhar ser eremita, longe de tudo e sem termo, e tiver que escolher cinco escritos para me acompanhar, este não será uma tentação.
Penélope na Idade da Técnica
As universidades apostam cada vez mais no marketing e na publicidade como modo de promoção. Este Soldier, da Singapore University of Technology and Design, lembra a dedicada Penélope. Volvidos alguns milénios, as mulheres continuam a cuidar dos homens; tecem roupas para os proteger: “See how thousands of men owe their lives to one woman”.
Anunciante: Singapore University of Technology and Design. Agência: Goodfellas Singapore. Singapura, Dezembro 2011.


