Tag Archive | tribunal

Capuchinho Vermelho nas Redes Sociais

O lobo estende o tapete vermelho. Aquilo que resta do Capuchinho Vermelho (Charles de Leusse, Respire, 2004).

“É proibido proibir” era uma das palavras de ordem de Maio de 1968. Hoje, sobram poucas dúvidas, porventura, apenas de grau: “É permitido proibir” ou “proibido permitir”? Apontam nesse sentido os artigos Capuchinho vermelho na era digital (21.07.2012) e É proibido proibir (21.07.2015).

Não vem a propósito, mas entre a floresta musgosa da imagem anterior e o labirinto viscoso dos artigos seguintes, aproveito para introduzir os 10 CC no Tendências do Imaginário.

10 CC – I’m Not In Love. Single / The Original Soundtrack, 1975

É proibido proibir

Gerald Beauchemin. O Capuchinho Vermelho.

Gerald Beauchemin. O Capuchinho Vermelho.

“Segundo decisão do Tribunal da Relação de Évora, os portugueses não podem publicar fotos dos filhos nas redes sociais. O tribunal recorda que as redes sociais podem ser usadas por predadores sexuais” (http://exameinformatica.sapo.pt/noticias/mercados/2015-07-21-E-proibido-publicar-fotos-de-criancas-em-redes-sociais-diz-Tribunal-de-Evora).

O lápis azul nunca nos abandonou. Apenas regressa a uma fase ostensiva.

A propósito da violação de mulheres, Kathleen Basile alerta para o risco de colocar “o ônus da prevenção nas possíveis vítimas, possivelmente obscurecendo a responsabilidade de seus autores e outros” (http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/afp/2015/06/10/estudo-aponta-sucesso-em-treinar-mulheres-para-prevenir-estupros.htm). Desvia-se o olhar e o juízo do agressor para a vítima. Uma sessão de tribunal pode concentrar-se em indícios tais como a maquilhagem, altura da saia, o recorte do decote ou a decisão de sair, logo de passar pela garagem do prédio, à meia-noite. A sombra de Eva.

Se tiverem um Capuchinho Vermelho não lhe peçam para levar a cesta à avó. Devia ser proibido. A boa acção pode ter péssimo resultado! Como lembra Perrault, os lobos andam à solta!

“MORALIDADE:

Vê-se aqui que crianças jovens, sobretudo moças belas, bem feitas e gentis, fazem muito mal em escutar todo o tipo de gente; e que não é coisa estranha que o lobo tantas delas coma. Digo o lobo, porque nem todos os lobos são do mesmo tipo. Há-os de um humor gracioso, subtis, sem fel e sem cólera, que — familiares, complacentes e doces — seguem as jovens até às suas casas, até mesmo aos seus quartos; mas ai! Quem não sabe que estes lobos delicodoces são de todos os lobos os mais perigosos” (Charles Perrault).