Aflição fascinante
Nem sempre se recorre à doçura para cativar o guloso. Por vezes, o isco consiste no inverso: na acidez. É o caso dos anúncios It’s Free. But it Could Cost You/Wooing Jeff e Scary Fast. O primeiro denuncia o cúmulo, o extremo, da inconveniência associado à absorção alienante provocada pela exposição, quase hipnótica, ao canal de televisão TVZN. O segundo, uma paródia de um thriller de terror, introduz o potente e heroico todo-terreno Ford Raptor R que escapa ileso a uma série de ameaças e perigos diabólicos. Ambos aos anúncios resultam imediata e assumidamente desagradáveis. Esta opção não é novidade. Com receitas e doses apropriadas, a adversidade e a perversidade podem compensar.
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Absurdo sem gelo
Se fazer rir é difícil, criar o absurdo não é menos. E se o absurdo não apelar ao estranho mas ao familiar, o caso ainda é mais problemático. Uma narrativa absurda não precisa de mudar nem o cenário nem os protagonistas. O mesmo cenário, os mesmos actores, do princípio ao fim. O absurdo inteligente é simples: basta operar uma quebra de sentido numa sequência banal, um desvio insólito, por exemplo, a intrusão da legenda no enredo do filme, um thriller para não variar. O anúncio Sniper, da Trident, é perfeitamente absurdo. Aproveito para recomendar outro anúncio da Tridente: Pet store, de 2012: https://tendimag.com/2012/10/22/surreal-2/.
Marca: Trident. Título: Sniper. Agência: JWT (Porto Rico). Direcção: Luís Gerard. Porto Rico, 2010.

