Como ser mais humano?

Os nossos tempos andam confusos e divididos. Ora apelam à superação, ao esforço e ao rendimento ((anúncios 1 a 3), ora sugerem a descontração, a lentidão e a sensibilidade (anúncios 4 e 5). Os nossos tempos ou nós?
Aflição
Mais um vídeo dos Dvein, desta vez um vídeo musical. Dos Dvein para os The Vein. Uma erupção de rostos perturbadores. Lembram outros rostos, por exemplo, o Grito, de Edvard Munch, a Tempestade, de Auguste Rodin ou a animação do filme The Wall, dos Pink Floyd. Mas lembram, sobretudo, os rostos de Francis Bacon (ver galeria de imagens). Convém, no entanto, precisar que mais do que pelos rostos, o vídeo dos Dvein sobressai pelo movimento, o fluxo magmático, em que estes se movem, se debatem, se desfiguram e se transformam. Um trabalho técnico e criativo notável.
Dvein. Magma. 2013.
Francis Bacon: galeria de imagens
Rafeiro
A figura do par composto por duas personagens opostas mas inseparáveis é muito antiga: Don Quixote e Sancho Pança, Bucha e Estica, Astérix e Obélix, Brown Shoes e Tenspeed (em francês Timide et Sans Complexes), Starsky e Hutch… Trata-se de um arquétipo avesso às ideias de separação, completude e perfeição. Os palhaços Branco e Augusto constituem um modelo deste tipo de interacção grotesca entre o direito e o torto, o responsável e o insensato, o organizado e o esperto, em suma, a ordem e a desordem. Os opostos tocam-se mas não se anulam, nem tão pouco se ultrapassam. Por um momento, o riso molesta a ordem, mas não acaba com ela. A publicidade recorre profusamente a este esquema enraizado no imaginário colectivo. O anúncio Good Dog, uma relíquia da Bud Light, é um bom exemplo de uma interacção entre um palhaço Branco, requintado, e um palhaço Augusto, destravado. Mais do que na caracterização dos dois homens, repare-se no contraste dos cães. Para aceder ao anúncio, carregar na imagem.
Marca: Bud Light Beer. Título: Good Dog. Agência: Downtown Partners. Canadá, 2004.



