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Enoturismo em Melgaço

Vinha em Melgaço. Fonte – Voz de Melgaço, 9 de Novembro, 2023

Graças ao Válter Alves e ao blogue Melgaço, entre o Minho e a Serra, tomei conhecimento da convidativa reportagem da RTP dedicada às múltiplas virtudes do enoturismo do território de Melgaço. Para aceder, carregar aqui ou no vídeo seguinte.

Programa “A Essência” da RTP de 13-09-2020 dedicado a Melgaço

Recordar o que não se viveu

O INE (Instituto Nacional de Estatística) estima que, em Portugal, a população residente com menos de 50 anos ascendia, em 2022, a cerca de 5 713 000 pessoas (54,7% do total). Mais de metade dos “portugueses” nasceu, portanto, após o 25 de Abril de 1974. O documentário Como era Portugal antes da Democracia? aborda o período anterior à Revolução.

O documentário consiste numa “montagem para utilização didáctica em aulas de História realizada a partir de extractos da série Portugal, um Retrato Social, de António Barreto e Joana Pontes”. Bastante abrangente, dedica poucas palavras e imagens à emigração e ao contrabando, estimados, porventura, menos relevantes para o propósito geral.

Rodrigo Leão. Portugal, Um Retrato Social. 2007

No canal do YouTube de João Cardoso, o documentário soma, desde 2015, mais de1 089 138 consultas. Convido a espreitar, sobretudo, quem nasceu após o 25 de abril de 1974. Recordar o que não se viveu talvez resulte uma experiência interessante.

Como era Portugal antes da Democracia? – Montagem a partir de extratos da série Portugal, um Retrato Social de António Barreto e Joana Pontes, estreada na RTP1 em 2007. Duração: 39:22

Ricardo Costa: Castro Laboreiro – Episódio 3

Ricardo Costa

Segue o terceiro e último episódio do documentário dedicado a Castro Laboreiro publicado pela RTP em 1979. Volvidos mais de quarenta anos, o realizador Ricardo Costa abraça o projeto de regressar a Castro Laboreiro e retomar caminho com as pessoas que participaram no documentário. Encetou, neste sentido, em 2021, contatos. A morte, no entanto, antecipou-se. Faleceu no dia 8 julho de 2021, aos 81 anos.

Em 2018, o festival internacional de cinema documental de Melgaço, então designado Filmes do Homem, projetou na sessão de encerramento o documentário Castro Laboreiro, de Ricardo Costa.

” Professor, ensaísta e editor, foi um dos fundadores da cooperativa cinematográfica Grupo Zero e um dos colaboradores do filme colectivo «As Armas e o Povo», de 1975.

Tendo feito depois disso diversas docuficções, curtas-metragens e séries televisivas, é a sua faceta de cineasta de uma revolução em curso que mais se instalou no nosso imaginário, de modo que muitas das imagens de 1974 que todos conhecemos, tão anónimas como o povo anónimo, tinham na verdade um autor, que por isso, e não apenas por isso, deve ser recordado.” (Marcelo Rebelo de Sousa – Presidente da República lamenta a morte do produtor e realizador Ricardo Costa: https://www.presidencia.pt/atualidade/toda-a-atualidade/2021/07/presidente-da-republica-lamenta-a-morte-do-produtor-e-realizador-ricardo-costa/.

Homem Montanhês / Castro Laboreiro. Terceiro episódio: Brandas. Uma coprodução Diafilme com a RTP, com realização e montagem de Ricardo Costa. 1979.

Afinal, o que fica? Ainda os Farrangalheiros.

Existem, afortunadamente, registos do Entroido de Castro Laboreiro. O documentário Castro Laboreiro: Transumâncias, realizado por Ricardo Costa, em 1979, dedica um episódio de dois minutos ao Entroido castrejo (a partir de 20:50).

 Agradeço ao geógrafo conterrâneo Valter Alves o acesso a esta relíquia. Incansável, tem-se empenhado em resgatar documentação sobre Melgaço proveniente de uma multiplicidade de arquivos, alguns raros e improváveis, que publica na página Melgaço, entre o Minho e a Serra: https://entreominhoeaserra.blogspot.com/. Tenho imenso gosto na nossa colaboração.

Ricardo Costa

Outros conterrâneos e outras páginas também zelam pela partilha de informação sobre o concelho. Por exemplo, Fred Sousa, administrador de Melgaço, Portugal começa aqui, e Justino Vieira, de FAS DE MELGAÇO. Sempre a aprender, sempre a corrigir.

Homem Montanhês / Castro Laboreiro. Segundo episódio: Transumâncias. Uma coprodução Diafilme com a RTP, com realização e montagem de Ricardo Costa. 1979

Carpideiras

The deathbed of Philippes de Commines. France. 1512.

The deathbed of Philippes de Commines. France. 1512.

Qual é o efeito das novas tecnologias ao nível da tradição? Se fosse romântico, diria que é lamentável; se fosse futurista, diria que é promissor. A comunicação multimédia proporciona à tradição uma notoriedade nunca antes navegada. E como encarar os híbridos que baralham tradição e (hiper)modernidade (ver Balandier, George, Sens et Puissance, 1971)?
Muda a embalagem? Ao mudar a forma muda o conteúdo… E depois? Vivemos tempos de pós-tradição? Que interessa que uma prática ou um vestígio sejam ou não tradição quando o sábio, o político, o comissário ou o curador assim o entendem? Vertiginoso e efervescente, o presente é herdeiro de curta memória e alta reciclagem. A tradição é, como sempre, hóspede do presente.

O anúncio indiano Rudali, da Radio Mirch, é uma paródia, ou uma parábola, que mostra como uma tradição tão arreigada como o choro ritual das carpideiras é ameaçada, e vencida, pela música de uma estação de rádio. Em compasso lento, o filme regista como as carpideiras, contanto pagas, deixam de chorar. Preferem ouvir rádio (vídeo 1)! O prazer do ouvido substitui o simulacro da dor. Até a anciã adere.

Michel Giacometti filmou uma carpideira no Soajo. O documentário foi realizado para o programa “Povo que canta”, da RTP, em 1970 (vídeo 2).

Marca: Radio Mirch. Título: Rudali. Agência: McCann Erickson Mumbai. Índia, Dezembro 2015.

A Carpideira (lugar da Várzea, Soajo, Arcos de Valdevez). Autor: Michel Giacometti. Programa “Povo que canta”, RTP, 1970.