Tag Archive | René Magritte

Ternura

René Magritte. Os amantes. 1928.

Dois computadores avariados. O fixo e o portátil. Uma orfandade eletrónica? Nem por isso. Existe vida para além do ecrã. A música, por exemplo. E sentimentos frescos. A ternura, por exemplo. Segue La Tendresse, de Daniel Guichard.

Daniel Guichard. La Tendresse. La Tendresse. 1973. Ao vivo em Lille, em 2015.

A cópia, a série e a ovelha negra

Golconda, 1953 by Rene Magritte

René Magritte. Golconda. 1953.

Trump X Magritte. The Surrealist Series by Butcher Billy (2016) Trump Travesty

Trump X Magritte. The Surrealist Series by Butcher Billy (2016) Trump Travesty.

Eu me contradigo? Pois muito bem, eu me contradigo. Sou amplo, contenho multidões (Walt Whitman).

Eu me duplico? Pois muito bem, eu me duplico. Sou amplo, contenho massas. A reflexividade não é pós-moderna. Mas tanta reflexividade, quem sabe? “Eu é um outro” (Arthur Rimbaud). Numa galeria de espelhos, eu sou vários outros iguais a mim. Um desfile de cópias como no Golconda de René Magritte. Mas ressalve-se: ainda existem ovelhas negras. O vídeo de Vladimir Cauchemar não as esquece.

Vladimir Cauchemar. Aulos. Direcção: Alice Kunisue. Ed Banger records. 2017.

A engenharia da imagem

É preciso adivinhar o pintor, para entender a imagem (Friedrich Nietzsche, Considerações Extemporâneas, 1873-1876)

Hand with Reflecting Sphere by M. C. Escher. Lithograph, 1935.

Hand with Reflecting Sphere by M. C. Escher. Lithograph, 1935.

The Marmalade é uma empresa, conceituada, de criação de vídeos, particularmente exímia ao nível da pós-produção. Showreel reúne excertos de vídeos produzidos pela empresa até 2016. A técnica ao serviço da estética. A técnica e a estética ao serviço do cliente e do consumidor.

“É preciso adivinhar o pintor, para entender a imagem”, escreve Nietzsche, a partir de Arthur Schopenhauer. Existem correntes na Sociologia que se concentram nos sujeitos colectivos em detrimento dos sujeitos individuais. Por exemplo, Lucien Goldmann e o estruturalismo genético. Não me ocorrem abordagens da arte que tenham logrado esta suspensão do artista. De qualquer modo, nada de mais social, histórico e cultural do que uma pessoa, artista ou não.

The Marmalade. Showreel. 2016.

Flor&Cultura

“C’est le temps que tu as perdu pour ta rose qui rend ta rose importante” (Saint-Exupéry. Le Petit Prince.1943).

maxresdefaultFlower. ps3.

Com ou sem fumo, há sinais de criatividade no mundo digital. Os videojogos são a meca da originalidade. Há jogos para todos os gostos e para todos os sonhos. Por exemplo, o Flower, desenvolvido, em 2009, pela Thatgamecompany para a Playstation 3.

Rene Magritte (1838-1967) L'invitation au voyage, 1961

R. Magritte. L’invitation au voyage, 1961

Salvador Dali. Meditative Rose, 1958

S. Dali. Meditative Rose, 1958

O Davide elegeu este videojogo para o trabalho da disciplina de Sociologia e Semiótica da Arte, do Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura:
“Para quem está familiarizado com videojogos, mesmo ao nível mais básico, este trailer pode parecer bastante confuso. Se neste momento pedisse a você leitor, para simplesmente pensar em qualquer videojogo, imaginaria você uma temática onde se utiliza o vento para colher pétalas de flores, e revitalizar espaços verdes? Pois essa é a proposta de Flower. Kellee Santiago, a presidente de Thatgamecompany, descreve o jogo como:

“…a videogame  version of a poem. I think asks something different of the player.” (Playstation, 2009)” (Davide Gravato, Flower – Uma poesia interactiva: https://comartecultura.wordpress.com/2015/04/23/flower-uma-poesia-interativa/)”.

O videojogo Flower é sweet, com aroma a flower power. A música (Catch the Wind, 1965), também. Nos antípodas do movimento Punk, Donovan é o compositor e cantor apropriado.

Playstation 3. Flower. Trailer. 2009.

A Volkswagen vai ao museu

Uma campanha da Volkswagen promovida em 2008 pela agência BBD de Berlim publicita o baixo consumo do Polo Bluemotion através de prints inspirados em Hieronymus Bosch, René Magritte e Salvador Dali.

Volkswagen Bosch

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A Teia

René Magritte. Au Seuil de la Liberté. 1937.

René Magritte. Au Seuil de la Liberté. 1937.

Dizem os sábios que a liberdade é um estado e a libertação, um acto. Afirmam, também, que tendemos a sentir o acto, mas não o estado. À libertação opõe-se a opressão. A liberdade aumenta com a libertação e diminui com a opressão. Na segunda metade do século XX, viveram-se momentos de libertação: a descolonização, a emancipação da mulher, a independência dos países de Leste, a queda do muro de Berlim, a fragmentação da Jugoslávia e a independência de Timor Lorosae. Nas últimas décadas, não se vislumbram sinais expressivos de libertação (a não ser que se considere a Primavera Árabe uma libertação). Ao nível global, o aumento da opressão é-nos servido diariamente na bandeja mediática. Ao nível nacional, o Estado regulador cerceia as margens de liberdade, nos actos, nas palavras e nas omissões. O seu zelo estende-se a esferas outrora consideradas privadas ou íntimas. A autonomia é condicionada pela normalização, pela programação e pelo controlo. Há quem, no início dos anos 2 000, se sinta menos livre do que há três décadas atrás. Os ímpetos libertadores dos anos sessenta enrolam-se agora numa teia sem princípio nem fim. E os computadores? E a Internet? E o tribunal de Haia? E as ONG? Na verdade, o que capacita pode não libertar.

Marca: Yves Saint Laurent. Título: Femmes Modernes. Agência: CLM & Team. França, 1973.

Da necessidade de voar

Convocar gaivotas e música dos anos setenta com um vídeo pasmado e escuro é, na opinião de um amigo, um desconsolo. Importa dar vida e asas à canção Seagull, dos Bad Company (19739, de um modo mais animado. Quando o horizonte anda por baixo, voar é preciso. E quanto mais asas, melhor! Mesmo que sejam tão místicas como o Be de Neil Diamond (álbum Jonhatan Livingston Seagull,1973).

Bad Company. Seagull. Bad Company. 1973

Neil Diamond. Be. Jonhatan Livingston Seagull. 1973

René Magritte