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A Mãe Terra, o Pai Natal e o Consumismo

“Os Correios da Noruega (Posten), encontraram uma perspetiva muito interessante sobre o que significa celebrar o Natal em 2022. Com o combate às mudanças climáticas cada vez mais premente e central nas nossas sociedades, a curta-metragem de 4 minutos mostra a relação de amor e ódio entre o Pai Noel e a Mãe Terra.

Generoso, o Pai Natal está determinado a proporcionar o máximo de alegria às pessoas através da distribuição de presentes, enquanto a Mãe Terra encara o consumo excessivo como um problema.
O serviço postal também utilizou dados do “Índice Climático” da Noruega, que relevam que apenas 10 em cada 100 empresas reduziram as emissões de acordo com as metas estabelecidas no Acordo de Paris, convidando-nos a todos a dar um passo em frente” (LLLLITL).

Anunciante: Posten (The Norwegian Postal Service). Título: Father Christmas and Mother Earth. Agência: POL, Oslo. Noruega, novembro 2022

Arrumar sombras

Se te apetece

Vem
limpa as lágrimas.

Se te apetece gritar, grita
Não cales a dor que te rompe a alma
nem a tempestade que te mareja os olhos.
Não temas ventos esquivos que te derrubam
nem ondas que te rasguem a pele.

Vem
eu ensino-te a arrumar as sombras
e a disfarçar as feridas
que vagabundeiam pelo teu corpo
amotinado.

©Fátima Guimarães in A VOZ do Nó

Não consigo resistir ao prazer de partilhar um pequeno mas generoso poema, uma espécie de carícia reconciliadora, da Fátima Guimarães

Inspirado no encontro entre Alexandre o Grande e Diógenes, costumo alertar para a sombra que difundimos sobre os outros, mormente quando nos consideramos iluminados.

A propósito das comemorações do 25 de Abril, escrevi recentemente: ” A defesa da democracia requer alguma humildade (democrática), mormente ponderação na sombra que se projeta sobre os outros. Amarga ironia seria regar cardos com a água dos cravos. Convém não esquecer o provérbio alemão: “As árvores grandes dão mais sombra do que fruta”.

“Arrumar sombras”. Surpreende-me e seduz-me esta magnífica expressão. Representa, aliás, algo de que estou a precisar. Ressoa a apaziguamento e disponibilidade. Quando muito, uma ou outra reticência quanto ao alcance desta jardinagem do sombrio. Paradoxalmente, as nossas sombras, embora nos estejam vinculadas, resultam difíceis de controlar. Talvez a poesia possa ajudar!

Passei uma década a envelhecer precocemente. Nos últimos três anos, tenho recuperado. Como que rejuvenesço. “Recuo”, agora, meio século recordando-me dos Camel. Sombras lunares no mar da memória! Talvez esteja a aprender a arrumar sombras.

Camel – Selections From The Snow Goose. 1975 (Live At The BBC, London – 1975 – Medley)
Camel – Preparation. The Snow Goose. 1975