Anúncio português vintage 5: As Algemas
O preconceito imagina a realidade dispensando alternativas (ver Com a verdade me enganas e Falácias da Perceção). O anúncio “Algemas”, da associação Olho Vivo, apanha-nos, desprevenidos, em flagrante. [Carregar na imagem para aceder ao vídeo]

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A Almerinda Van Der Giezen acaba de me enviar este vídeo com a canção “Atmosphere” dos Joy Division. Para além de recordar o Ian Curtis, creio que se ajusta, com a devida gravidade, a este artigo.
Não matamos ninguém!

Ontem, apresentei o nº 11 do Boletim Cultural de Melgaço, revista editada pela Câmara Municipal desde 2002. “Publicação que reflete a história e cultura do concelho (…) inclui artigos e estudos dedicados à história local, tradições, património e à identidade cultural de Melgaço, reafirmando o compromisso do município com a preservação e valorização das suas raízes”. Não me canso de falar na minha terra. Um destes dias, mandam-me pastar para o planalto.

Estas fotografias testemunham o evento. Na primeira, estou tal e qual. Na segunda, deveras favorecido. Lembra o título de uma obra quadragenária: O Presente Ausente. O emigrante na sociedade de origem.

Partilho o último artigo da revista “Não Matamos Ninguém. Os Espinhos da Emigração”, transcrição de uma entrevista filmada a Gilberto António Cardoso, em 2007, por altura da criação do Espaço Memória e Fronteira
Mas, primeiro, uma escapada rumo ao prazer. Gosto da canção “The Silence”, dos Manchester Orchestra. E esta interpretação é formidável. Meu Deus, como é bom gostar! Tanto que deve ser pecado…
Segue, em pdf, o artigo de Albertino Gonçalves: Não Matamos Ninguém. Os Espinhos da Emigração – Entrevista a Gilberto António Cardoso. Boletim Cultural nº 11 / 2024. Câmara Municipal de Melgaço, pp. 251-272. Nota: coloco uma versão correspondente a uma prova; a edição definitiva, mais comprimida, tem menos uma página (pp. 251-271).
Esperança e resignação

Gosto do anúncio Hope is Power, do The Guardian. Uma alegoria bem lapidada. Dispersão ao mínimo e saturação ao máximo: a aflição de uma borboleta fechada dentro de casa, que não baixa as asas. E o vidro quebra-se, num instante milagroso de libertação. Um anúncio sem palavras (as borboletas não falam), excepto o laconismo das duas frases escritas no final do anúncio: Change is possible; Hope is power. Neste tipo de anúncio, a banda sonora é crucial. Revela-se uma excelente escolha a música, despojada, Nothing Changes, de Anaïs Michell, do álbum Hadestown (2010). A duração da canção (0:51) “combina” com a duração do anúncio (1:00).
O anúncio Hope is Power lembra o anúncio Release Me (2007), da Saab. Vitalista e mais turbulento, Release Me versa sobre os mesmos tópicos: o encarceramento e a vontade de libertação. Retomo-o.
Contentor
O passado foi lá atrás
E nasce de novo o dia
Nesta nave de Noé
Um pouco de fé
(Xutos e Pontapés. Contentores)
Um contentor… Um contentor… Um contentor… O olhar do anúncio concentra-se no contentor. Importa não desviar o olhar da barbárie.
Anunciante: Reporters sans frontières. Título: Ceci n’est pas un container, c’est une prison. Agência: BETC. Direcção: Benjamin Darras, Jonhy Alves. França, Dezembro 2014.
Esclerose múltipla
Para além da razão, no limiar da hiper realidade, o sufoco no cubo da imaginação. Parece real? Mais que isso: este é o nosso realismo. Sentimos o real na pele a partir de uma catástrofe de sentidos. Neste anúncio da Multiple Sclerosis Society, sentimos o outro, aquele que não está no meio de nós, debaixo da pele. Carregar em HD.
Anunciante: Multiple Sclerosis Society. Título: Trapped. Agência: The Brand Agency. Direção: Perry Westwood. Austrália, Outubro 2014.
Elas ficam e partem. O papel das mulheres na emigração
As palavras deviam ser como os cigarros
Fumar uma de cada vez
Passadoras de Homens e Outras Aventureiras é uma reportagem de Ana Cristina Pereira (Texto), Adriano Miranda (Fotografia) e Mariana Correia Pinto (Vídeo) sobre o papel das mulheres na emigração dos anos sessenta, editada no Público de 13 de Abril de 2014. Para aceder carregar na imagem ou no seguinte endereço http://www.publico.pt/portugal/noticia/passadoras-de-homens-e-outras-aventureiras-1631504.



