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Campanha portuguesa distinguida no Festival de Cannes

Fazer das fraquezas força

A campanha IKEA Hidden Tags da agência Uzina para a IKEA, lançado em maio de 2024, acaba de conquistar cinco Leões no Festival de Cannes 2025: dois de Ouro, dois de Prata e um de Bronze. Poucas semanas antes, em 23 de maio, a campanha foi a “grande vencedora” do 27.º Festival do Clube da Criatividade de Portugal (CCP), arrecadando os dois maiores troféus: o Grande Prémio CCP e o Grande Prémio Jornalistas. A agência Uzina foi então eleita “agência do ano”.

O trabalho “Etiquetas Escondidas”, da Uzina para a Ikea, vai receber mais uma prata, esta vez na categoria de Brand Experience. Ao prémio que será anunciado esta quinta-feira, recorde-se, somam-se já dois ouros, nas categorias de Direct e de Creative Media. EAestes, juntam-se ainda uma prata em Direct e um bronze em Creative Data. / A campanha foi lançada pela Ikea para celebrar os seus 20 anos em Portugal, tendo a marca desafiado os clientes a procurarem as etiquetas dos seus produtos, com o objetivo de encontrar o móvel mais antigo da marca sueca em Portugal. Quem tivesse a peça de imobiliário com maior idade ganhava um voucher de 2.000 euros. / Para comunicar a ação, a marca apostou na altura numa campanha presente com um filme em televisão e digital, mas também com imagens em mupis, redes sociais e site. Contou ainda com conteúdo de uma influenciadora para mostrar aos consumidores como ler as etiquetas. / A campanha gerou um aumento de 14% nas vendas (em relação ao ano passado), com 31% das vendas registadas provenientes de novos membros Ikea Family e 42% de crescimento de novos membros no programa de fidelização (+95,5 mil novos membros). (Idias +M 19.06.2025 – Uzina e Ikea somam mais uma prata em Cannes).

Marca: IKEA. Título: IKEA Hidden Tags. Agência: Uzina. 2025. Inglês
Marca: IKEA. Título: Etiquetas Escondidas | 20 anos IKEA Portugal. Maio 2024. Português

Fotografias minimalistas

Gosto que as pessoas partilhem comigo aquilo que fazem ou gostam. Resulta, no entanto, raro. Afortunadamente, verifica-se um franco crescimento. Nos últimos tempos, o número triplicou: passou de 2 para 6.

Fotografia de Almerinda Van Der Giezen

Esta fotografia de Almerinda Van Der Giezen conquistou o prémio de Premier Photo no grupo  Photographic Minimalism. Felicito-a! Aproveito para acrescentar três fotografia da sua autoria.

MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço. Prémio

MDOC-Cartaz da edição de 2019

“Deixem escorrer o crepitar do pensamento” (Álvaro Domingues, Viste aquela galinha gigante?, Público, 29 de Dezembro de 2019.

Mencionei, repetidamente, no Tendências do Imaginário, o festival Filmes do Homem, entretanto, rebatizado, por censura feminista, MDOC – Melgaço International Documentary Film Festival. Procuro fazer o que me apetece e discorrer sobre aquilo que me interessa. Designação à parte, gosto do MDOC. A plataforma UM-Cidades concede, anualmente, por concurso, prémios aos municípios que se destacam pelas boas práticas. Este ano, “na Categoria Município Projeto da região Norte, com menos de 20 mil habitantes, o vencedor foi Melgaço, com o MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço” (Agência Lusa, 15 de Novembro de 2019).

Felicito a Associação Ao Norte e a Câmara Municipal de Melgaço. Para festejar, o Prelúdio do Te Deum (c. 1690) de Marc-Antoine Charpentier, que foi tema das emissões da Eurovisão. Condiz com a vocação internacional do Festival. Charpentier não constava entre os músicos favoritos de Louis XIV. Não obstante, o Te Deum era capaz de fazer marchar os cavalos de bronze das estátuas equestres do Rei Sol.

Marc-Antoine Charpentier. Te Deum – Prelude (c. 1690).

Homo Hierarchicus

John Smith'sPrezamos os concursos, os rankings e os prémios. O Homo Hierarchicus, propenso a hierarquias (Dumont, Louis, Homo Hierarchicus, Essai sur le système des castes, Paris, Gallimard, 1971), desforra-se do Homo Aequalis (Dumont, Louis, Homo Æqualis I: genèse et épanouissement de l’idéologie économique, Paris, Gallimard, 1977), propenso à igualdade. Como chegamos a esta inflexão? O capitalismo liberal, associado à igualdade e ao individualismo, conheceu melhores dias. Os Estados, os grandes grupos económicos e o sector financeiro não ajudam. Após a crise de 2008, o sector financeiro revigora-se. Os dispositivos que nos governam são tudo menos reféns da democracia. E o autoritarismo tecnocrático ergue-se como a principal alternativa a si próprio.

Por estes lados, as democracias, em avulso (nações) ou por atacado (comunidades), andam musculadas. Ajustam os cidadãos. Mas nada que se compare aos rebanhos humanos das utopias disfóricas da ficção científica. Quer-me parecer, mesmo assim, que nos últimos anos me puseram mais brincos nas orelhas do que às vacas do contrabando. Com o regresso do Homo Hierarchicus, o olhar refocaliza-se nas hierarquias, de preferência certificadas. Os concursos, os rankings e os prémios são procedimentos de hierarquização. Procedimentos humanos. Imagine-se um jogo em que os “favoritos” podem ditar as regras e decidir o que é trunfo e o que é palha. Só se forem péssimos favoritos é que não serão grandes campeões…

Este anúncio, Diving Contest, para a marca de cerveja John Smith’s, é uma caricatura dos dispositivos de competição. Segundo as regras, com júris isentos e resultados inequívocos.

Marca: John Smith’s. Título: Diving Contest. Agência: TBWA (London). UK, 2003.

Apontar é feio

Fernando Saraiva. Homem Digital

Fernando Saraiva, Homem Digital. 3º prémio do 13º Porto Cartoon, 2011.

Estão na moda os rankings, os concursos e os prémios. Temo que o País se esgote em galardões e que a excelência se banalize. Antevejo os candidatos e os laureados a exibir-se nas ruas com um cartaz à frente e outro atrás. A escultura de Fernando Saraiva (Homem Digital, 3º prémio do 13º Porto Cartoon, 2011) vem a despropósito. Por teimosia minha. A escultura alude à importância do dedo na era electrónica, mas, quanto a mim, visa a hipertrofia da indexação na sociedade portuguesa. Tal e qual, com pernas e sem cabeça. Simboliza o apontar do dedo não reflexivo nas elites de baixo, do meio e de cima. A vertigem de uma sociedade que tem os melhores de quase tudo e o proveito de quase nada.