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Como de costume

Herman Brood. Arena. 1985

Uma vez é um erro; duas vezes é um mau costume (Provérbio do Quebec).

A Almerinda Van Der Giezen teve a generosidade de me enviar a versão de My Way interpretada por Herman Brood, canção que nos habituámos a associar a Frank Sinatra. Herman Brood, ator e poeta, mas sobretudo músico e pintor, com um percurso singular, multifacetado e controverso, tornou-se uma figura emblemática da Holanda, bastante consolidada após o seu suicídio em 2001, com 54 anos. My Way é uma das suas interpretações mais bem-sucedidas.

Herman Brood, , His Wild Romance – My Way. Cover. My Way – The Hits, 2001

O que poucos conhecerão, creio, é que a canção original que está na base de My Way é francesa: Comme D’Habitude, de Claude François, estreada em 1967 e contemplada na abertura dos jogos olímpicos de Paris. Creio, também, que poucos conhecem porque poucos o assumem. Acontece algo semelhante com a canção Autumn Leaves, cujo original, Les Feuilles Mortes, também é francês, com música de Joseph Kosma e letra de Jacques Prévert.

Claude François – Comme D’Habitude. Single, 1967

Em ambos os casos, a Inteligência Artificial não se engana:

A canção “My Way”, imortalizada por Frank Sinatra, é uma adaptação da música francesa “Comme d’habitude”, composta em 1967 por Claude François e Jacques Revaux, com letra de François e Gilles Thibaut. A versão original conta a história de um casal cuja rotina diária se torna monótona e sem paixão.
Paul Anka, cantor e compositor canadense, adquiriu os direitos da música em francês e escreveu uma nova letra em inglês, transformando-a em “My Way”. A nova versão foi feita sob medida para Frank Sinatra e se tornou uma das músicas mais emblemáticas da sua carreira. Apesar de ter mantido a melodia da versão original, a letra em inglês é completamente diferente e fala sobre uma reflexão de vida e realizações pessoais (ChatGPT, 05.11.2024).

A canção “Autumn Leaves” é originalmente francesa. Ela foi composta por Joseph Kosma, com a letra original em francês escrita pelo poeta Jacques Prévert. A canção se chamava “Les Feuilles Mortes” e foi lançada em 1945. Tornou-se popular através de performances de cantores franceses como Yves Montand.
Mais tarde, a canção foi traduzida para o inglês por Johnny Mercer e recebeu o título “Autumn Leaves”. A versão em inglês ganhou popularidade em todo o mundo e foi interpretada por diversos artistas famosos, incluindo Nat King Cole, Frank Sinatra e Édith Piaf. A melodia melancólica e as letras poéticas em ambas as línguas tornaram “Autumn Leaves” um clássico atemporal no repertório de jazz e música popular (ChatGPT, 05.11.2024).

Pneus surrealistas

Tony Kaye

Tony Kaye

Acabar a avaliação justifica uma celebração. O Joel, aluno de Sociologia da Arte, da licenciatura em música, analisou o anúncio Tested for the Unexpected I (Dunlop, 1993) do realizador Tony Kaye, que dirigiu vários filmes, documentários e vídeos musicais (e.g., Red Hot Chili Peppers, Roger Waters, Johnny Cash). De anúncio para anúncio, vem à memória o Tested for the Unexpected II, para a mesma marca (1993). O primeiro, com música dos Velvet Underground (Venus in Furs), o segundo com música dos Doors (The End). Estes anúncios são insólitos, com uma invejável desenvoltura grotesca. Metamorfoses, figuras estranhas, contornos indefinidos, deformações, movimentos bruscos… Convocam o surrealismo, a pop art, o psicadelismo e outros movimentos artísticos. Este género de anúncio marcou os anos noventa. Atente-se nos anúncios Diablo, do Renault Clio (1998) e Ghosts (1997) e Vampires (1997), da Citroen: http://tendimag.com/2013/01/08/nos-limites/. Gosto de anúncios assim, sulfurosos. Je suis comme je suis, je plais à qui je plaît (Jacques Prévert).

Marca: Dunlop. Título: Tested for the Unexpected I. Agência: AMV. Direcção: Tony Kaye. UK, 1993.

Marca: Dunlop. Título: Tested for the Unexpected II. Agência: AMV BBDO. Direcção: Jason Harrington. USA, 1993.

O artista vai à publicidade: Andy Warhol

O namoro de Andy Warhol com a publicidade é bem conhecido: quadros com anúncios, quadros para anúncios e vídeos publicitários desconcertantes (desde a absorção mecânica de hamburgers até à mediação interestelar com suporte eletrónico).

Andy Warhol, Burger King, 1981

Andy Warhol, TDK, 1982

Identidades omnívoras

Weight Watchers. Treat Yourself Better. Fred & Farid. França, 2012.

Pela boca sai o peixe, pela boca entra o sapo. Bocas omnívoras, despachadas, plurais, que gostam de tudo um pouco. Presumivelmente, rizomáticas e incertas. Agora engulo um ananás, logo mastigo um cacto… Assim pintadas, as bocas ostentam um ar Pop Art com trejeitos pós-modernos. Será esta campanha um hino à diferença? Dos alimentos, talvez; dos corpos alimentados, nem por isso. Nunca houve tamanha normalização dos corpos, nem tanta gente arregimentada. Esteja na linha, cuide bem de si, “reaprenda a comer”com a dieta dos “vigilantes de peso”! Belo anúncio, naturalmente pouco preocupado com as identidades omnívoras, sejam elas líquidas ou fragmentadas. Interessam-lhe antes as identidades desfasadas entre o sofá e o sonho.

Marca: Weight Watchers. Título: Treat Yourself Better. Agência: Fred & Farid. França, Janeiro 2012.