Tag Archive | Pink Floyd

Richard Wright. Uma festa no céu.

Dos quatro membros dos Pink Floyd, dois são ostensivos, David Gilmour e Roger Waters, e dois, discretos, Richard Wright e Nick Mason. A notoriedade coloca sempre o mesmo à frente dos olhos e os outros, nas costas. Neste sentido, a notoriedade enviesa e empobrece.

Richard Wright, falecido em 2008, não era apenas o teclista da banda, era compositor e vocalista. Assinou, por exemplo, cinco das dez músicas do The Dark Side of the Moon, mormente o fabuloso The Great Gig in the Sky. Produziu álbuns a solo antes e depois da separação do grupo: Wet Dream, em 1978, Identity, com Dave Harris, em 1984, e Broken China, em 1996. Retive três músicas: Reaching for the Rail, com Sinead O’Connor; Breakthrough, ao vivo, com David Gilmour, em 2002; e, para culminar, The Great Gig in the Sky (1973).

Richard Wright. Reaching for the Rail. Com Sinead O’Conner. Broken China. 1996.
Richard Wright. Breakthrough. Com David Gilmour. Broken China. 1996. Ao vivo em 2002.
Pink Floyd. The Great Gig in the Sky. Dark Side of the Moon. 1973. Compositor: Richard Wright.

David Gilmour. A guitarra e o saxofone.

David Gilmour.

David Gilmour e Roger Waters são diferentes. Talvez por esse motivo funcionaram bem juntos. Dos discos a solo de David Gilmour, escolhi três músicas: Love On The Air, do álbum About Face, de 1984, e Smile, do álbum On An Island, de 2006. A terceira música é um extra: David Gilmour toca um solo, não de guitarra, mas de saxofone (Red Sky At Night, On An Island, ao vivo, The Island World Tour 2007).

David Gilmour. Love On The Air. About Face. 1984.
David Gilmour. Smile. On An Island. 2006.
David Gilmour. Red Sky At Night. On An Island. 2006. The Island World Tour 2007

Roger Waters. O pranto da contestação.

Roger Waters. Álbuns.

Tenho-me sentido pobre. Falta-me tempo. O que me ocupa é autofágico. Consome e não produz.  Os membros dos Pink Floyd produziram discos a solo: Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright… São discos menos conhecidos, longe do sucesso dos Pink Floyd. Roger Waters publicou vários discos, incluindo uma espécie de ópera: Ça Ira, de 2005. As músicas que seguem pertencem aos discos Radio K.A.O.S., estreado em 1987, após a saída dos Pink Floyd, e Amused To Death, lançado, mais tarde, em 1992. Quando voltar a estar sem tempo, será a vez  de David Gilmour.

Roger Waters. The Tide is Turning. Radio K.A.O.S., 1987.
Roger Waters. Amused to death. Amused to death. 1992.

Da dificuldade de ser vaca

Em 1907, foi inventado o plástico. Em 1942, é criado o super-herói Plastic Man, numa serie de histórias de quadradinhos da Quality Comics. Desde então, o Plastic Man “viu coisas que nós não imaginaríamos” (Blade Runner). Ouviu, já lá vão anos, algumas vozes a alertar contra os riscos ambientais do plástico. Ouve, agora, muitas vozes a erguer-se contra a invasão do plástico. Como diria Hegel, uma mudança quantitativa, de alguns para muitos, pode resultar numa mudança qualitativa. Entramos num mundo novo.

Anunciante: Ministerio del ambiente. Título: Promesas en plástico. Agência: Circus Grey. Direcção: Renzo Tavalera. Perú, Dezembro 2019.

A circulação de ideias obedece, porventura, ao princípio dos vasos comunicantes: sobe aqui; desce ali; até ao equilíbrio. Tanto fervor contra o plástico é capaz de trazer algum descanso à flatulência das vacas, das ovelhas, dos porcos, dos búfalos, das zebras… Entretanto, a ciência e a técnica experimentam uma nova dieta, menos aerofágica, com resultados promissores. As vacas não são discretas: ora estão loucas, ora estão esgazeadas. Deve ser cada vez mais difícil ser vaca.

Quando penso em vacas dá-me vontade de ruminar. O álbum Atom Heart Mother, dos Pink Floyd, com uma vaca na capa, é especialmente recomendado para ruminação auditiva. Segue a música Father’s Shout.

Pink Floyd. Father’s Shout. Atom Heart Mother. 1970.

O regresso do gato

O gato desapareceu sem aviso prévio. Regressou ao décimo sétimo dia. Magro, assustadiço e carente. Para lhe dar as boas vindas, coloquei a versão mais antiga da música Grantchester Meadows, dos Pink Floyd. Um solo de Roger Waters. Começa com pássaros a cantar. Espetou as orelhas, inspecionou a sala e olhou para mim como quem diz: “de pássaros, percebo eu”. E saiu, devagar, deixando-me com a cantoria dos Pink Floyd. Prosseguindo com o canto dos pássaros e os Pink Floyd, acrescento a música Cirrus Minor, do álbum More (1969).

Pink Floyd. Grantchester Meadows. Ummagumma. 1969.
Pink Floyd. Cirrus Minor. More. 1969.

Diferenças e defeitos

Peter Huys. O Inferno. 1570. Pormenor.

Admiro Syd Barrett, fundador dos Pink Floyd. Cedo se saturou dos outros. Faleceu, diabético, em 2007, de complicações de obesidade mórbida. A obesidade, outrora conforto e fartura, degenerou em deformidade, vício e pecado. Faltou Michel Foucault ter-se dedicado à genealogia da obesidade.

Uma sociedade que persegue a obesidade é moderna. Nem pós-moderna, nem líquida, nem outra desmodernidade qualquer. O obeso é um indexável (apontável pelo dedo) e um estigmatizado (não há mais dedo a apontar). Não somos filhos de Adão e Eva, somos filhos do padrão e da balança. Do Arcanjo São Miguel. O nosso século descobriu uma fórmula alquímica que transforma as diferenças em defeitos.

Matilda Mother (1967) é uma canção dos Pink Floyd da era Syd Barrett (guitarrista e vocalista).

Pink Floyd. Matilda Mother. The Piper At The Gates Of Dawn. 1967.

O ninho

É bom saber que se tem um ninho. Segue a versão Pearl Jam (2011) da canção Mother dos Pink Floyd, bem como a canção Mamy Blue, dos The Pop Tops

Pearl Jam. Versão da canção Mother dos Pink Floyd. 2011 11 06 – Rio de Janeiro, Brazil.
The Pop Tops. Mamy Blue. Mamy Blue. 1971.

Conversa sobre investigação

Convite: O ofício do investigador: aprender com a prática

Sexta, dia 1 de Março, vou partilhar experiências graças às quais melhorei a arte de investigar. Com uma vintena de projectos concluídos, algo se aprende. As histórias contadas não aparecem nos manuais. Pouco valem se as procuramos nos livros. São histórias que remetem para a vida e as suas contingências. Sexta, às 17:30, é uma data ingrata. Para muitos, já é fim de semana, tempo para voar noutras paragens. Acresce que estas conversas não dão pontos no pinball da intelligentsia académica.

Resistência e impotência

Marcel Mauss

Marcel Mauss.

“De todos os fenômenos religiosos, mesmo os considerando apenas de fora, é a oração que apresenta imediatamente a impressão de vida, riqueza e complexidade. Ela possui uma história maravilhosa: parte de baixo, e ascende gradualmente até as cimeiras da vida religiosa. Infinitamente flexível, assume as formas mais variadas, alternadamente adorativas e vinculativas, humildes e ameaçadoras, secas e abundantes em imagens, imutáveis e variáveis, mecânicas e mentais. Preenche os papéis mais diversos: aqui é um pedido brutal, lá uma ordem, noutro lugar um contrato, um ato de fé, uma confissão, uma súplica, um elogio, um Hosana. Às vezes, uma mesma espécie de orações tem passado sucessivamente por todas as vicissitudes: quase vazia na origem, encontra-se um dia cheia de sentidos; em outro, quase sublime no início, se reduz gradualmente a um salmo mecânico (Marcel Mauss, La Prière, 1909, traduzido por Mauro Guilherme Pinheiro Koury)”.

As orações podem ser de revolta e desespero. A canção The Great Gig In The Sky, dos Pink Floyd, versa sobre a resistência e a impotência perante o “destino da vida”.

The song began life as a Richard Wright chord progression, known variously as “The Mortality Sequence” or “The Religion Song”. During 1972 it was performed live as a simple organ instrumental, accompanied by spoken-word samples from the Bible and snippets of speeches by Malcolm Muggeridge, a British writer known for his conservative religious views (The Great Gig In The Sky. Wikipaedia, acedido em 28/11/2018).

Para um descrente de Deus, do Homem e do Diabo, nestes dias, já rezei muito.

Pink Floyd. The Great Gig In The Sky. The Dark Side Of The Moon. 1973.

 

Liberdade digital

Quando um poder alheio me invade o quintal, fico zangado. Asseguram que a Internet é uma infinita liberdade rumo ao paraíso da igualdade. Como são felizes aqueles que acreditam! Atrás, ao lado, dentro ou em cima de uma rede social, de uma plataforma ou de um algoritmo estão seres humanos, feitos do mesmo barro que nós. Prepotentes, omnipotentes, omnividentes e omniscientes, são deuses ocultos. Num ápice, apoderam-se da tua conta, da tua página, do teu blogue… Armados com regras e protocolos, censuram, retificam, bloqueiam, removem. Estes poderes do mundo digital fazem de nós o resto de nada. Um grão de areia na praia da Figueira da Foz.

A que propósito vem a praia da Figueira da Foz? Este fim-de-semana, o Facebook “encerrou”, sem aviso, mais de 2 000 artigos da minha página pessoal e bloqueou as ligações ao blogue Tendências do Imaginário. Uma autêntica purga. Qual o motivo? “Spam”! Componho os artigos no Tendências do Imaginário e partilho-os na página do Facebook. Uma rotina com, pelo menos, oito anos. Levou tempo a descobrir o “spam”! Isto dói.

Muitas das músicas dos Pink Floyd são de revolta e resistência. Hoje, apetece-me ouvir o álbum Meddle (1971), que conserva alguma frescura dos primeiros álbuns no momento de viragem para a maturidade.

Gosto dos Pink Floyd, sobretudo do álbum Meddle (1971), que conserva alguma frescura dos álbuns anteriores sem ceder ainda à maturidade dos seguintes. Quando estou zangado, costumo ouvir a primeira faixa, “One of these days”, e a terceira, “Fearless”. Nos dias de indignação, os Pink Floyd oferecem-se como um bálsamo estimulante.

Carregar nas imagens para aceder aos vídeos.

Pink Floyd. One of these days. Meddle. 1971. Video extracted from the DVD Pink Floyd Live @ Pompeii (The Director's Cut).

Pink Floyd. One of these days. Meddle. 1971. Video extracted from the DVD Pink Floyd Live @ Pompeii (The Director’s Cut).

Pink Floyd. Fearless. Meddle. 1971

Pink Floyd. Fearless. Meddle. 1971