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Canção de embalar

Johannes Brahms (1833-1897)

Dorme, dorme, dorme e sonha também / Conta as estrelas a caminho de Belém.

Yo-Yo Ma, Kathryn Stott – Johannes Brahms Lullaby / Wiegenlied, Op. 49, No. 4 (Arr. for Cello and Piano).

Uma pincelada na personalidade

Lang Lang, Piano / 18.12.2006 / Philharmonie Essen

À família.

Gosto do Concerto para piano nº 5 (dito do Imperador) de Beethoven. Comprei o vinil há uma quarentena de anos. Foi uma pincelada na personalidade! O concerto reconcilia-nos com Beethoven, com o mundo e com nós próprios. Não creio que nos reconcilie com os outros. Gosto do pianista chinês Lang Lang. Lembra, pela versatilidade, o violoncelista, de origem chinesa, Yo-Yo Ma. Lang Lang salta da música clássica para a contemporânea, passando pela música tradicional chinesa. Surpreende-nos, ainda, a tocar hard rock com os Metallica. Gosto do Concerto do Imperador interpretado por Lang Lang. Procurei um vídeo de alta qualidade com o Adagio Un Poco Mosso, mas não tive sorte. Segue a melhor resolução que encontrei. Para quem possa interessar, anexo o concerto na globalidade, com melhor resolução, precedido por um discurso do director, em alemão, de quase quatro minutos.

Ludwig van Beethoven. Piano Concerto No. 5 in E-Flat Major, Op. 73: Adagio un poco mosso. Berliner Philharmoniker. Piano: Lang Lang. 2012.
Metallica: One (featuring Lang Lang) (Beijing, China – January 18, 2017).
Ludwig van Beethoven. Piano Concerto No. 5 in E-Flat Major, Op. 73. Berliner Philharmoniker. Piano: Lang Lang. 2012.

Música para não ouvir na areia

Revisitemos Paris com a pianista franco-georgiana Khatia Buniatishvili. Há três semanas, no dia 14 de Julho, dia nacional da França, Khatia Buniatishvili toca Mozart, músico barroco, acompanhada pela Orchestre Nationale de France, no Champs de Mars, junto à Torre Eiffel (vídeo 1). O ambiente é excessivo, barroco. Até a torre Eiffel parece um anjo tocheiro… Mais artifício do que artefacto. Só faltou o Jean-Michel Jarre.

Paris é uma cidade barroca? Nem por isso. Nada a ver com cidades barrocas como Roma ou Braga. A relação histórica da França com o barroco é complicada. Existem vários exemplares barrocos em Paris. Por exemplo, a capela da Sorbonne ou a igreja dos Invalides. O insuficiente para fazer de Paris uma cidade barroca. Paris é gótico e neoclássico. Gótico, da Notre Dame, da Sainte Chapelle e da torre de Saint Jacques. Neoclássico, da Igreja da Madeleine, da praça da Concorde ou do Arco de Triunfo.

Paris não é barroco? Talvez. Menos ao nível do monumento e mais ao nível do acontecimento. Paris é uma das capitais mais destacadas do efémero, o efémero caro ao barroco dos séculos XVII e XVIII: triunfos, festas, festivais de água e luz, efemérides, concertos, bailes, paradas, desfiles e procissões… Paris é barroco, por exemplo, no que respeita à moda: roupas, joias, adereços, perfumes, protagonistas, desfiles, anúncios publicitários… Paris também é barroco na política: recordo a cerimónia da visita ao Panthéon por François Mitterrand, em 1981, recém-eleito Presidente da República (ver https://tendimag.com/2015/01/04/sociologia-sem-palavras-15-a-encenacao-do-poder/). Paris é ainda barroco pela cultura: recordo vários eventos, entre os quais a efémera Fête de la Musique, uma iniciativa do ministro da cultura Jacques Lang, no início dos anos oitenta: na noite de 21 de Junho, data de início da Primavera, qualquer pessoa ou grupo pode tocar música nas ruas de Paris.

Acrescento dois vídeos em que Khatia Buniatishvili toca Schubert (vídeo 2) e Beethoven (vídeo 3).

Khatia Buniatishvili – Mozart Piano Concerto no.23 (14 Juillet 2019).
Khatia Buniatishvili – Schubert: Impromptu No. 3 in G-Flat Major, Op. 90, D. 899.
Khatia Buniatishvili. Largo from Beethoven’s Piano Concerto No. 1 in C Major, Op. 15.

A Bela e o Velho

Kersting, Der Geiger Nicolo Paganini. 1830-1831.

Músico velho: Victor Borge, 80 anos, mais célebre pelas peças de humor do que pelas teclas de piano. Música bela, Esther Abrami, francesa, uma promessa no domínio do violino.

Victor Borge. Octogésimo aniversário. Tivoli Concert Hall, Copenhaga, 1989. Com Michala Petri. Música: Czardas, de Vittorio Monti, 1904.
Esther Abrami interpreta Niccolò Paganini (Cantabile, 1822-24). Royal College of Music. 2017.

O primeiro passo

Bianco. The Lift. 2019.

O anúncio dinamarquês The Lift, da Bianco, revela-se inteligente, criativo, original, minimalista, lento e convincente. A interacção no elevador peca por incomunicação verbal e não verbal. Desejo sem iniciativa, sentimento sem risco, corpos sem contacto. “Amor que arde sem se ver”. Convenha-se que a interpelação do outro, seja qual for a orientação sexual, é cada vez mais problemática. E, no entanto, a menina até perdeu o emprego por excesso de utilização do elevador. Feitos um para o outro e faltou-lhes uma acendalha. Aperta-nos este nosso cerco interior, sem janela nem tranca, que nos separa de quem nos atrai!

Marca: Bianco. Título: The Lift. Agência: & Co. Direcção: Daniel Kragh-Jacobsen. Dinamarca, Março 2019.

Estou em crer que se o elevador tivesse música, o desfecho seria diferente. O primeiro passo culminaria num passo de dança. A música reduz a censura dos afectos. Para ajudar, acrescento duas músicas do compositor irlandês Phil Coulter: In Loving Memory (1998) e Tranquility (1984).

Phil Coulter. In Loving Memory. Serenity. 1998.
Phil Coulter. Tranquility. Sea of Tranquility. 1984.

Orelhas grandes

Ice Goðafoss Waterfall. Iceland.

Ando a pensar demasiado com as orelhas, que não crescem com a idade segundo os cientistas (a cartilagem permanece) mas crescem segundo a realidade (pelos vistos, tornam-se mais moles cedendo à gravidade). Não obstante a Ciência, as minhas orelhas têm crescido. Deve ser algum cruzamento hereditário animal. Mas as orelhas grandes têm algum préstimo: ouvir para além do habitat cultural. O meu habitat cultural quer que conheça a Ariana Grande, que não conheço, e desconheça quem desejo conhecer. Ironia à parte, para ouvir longe basta ouvir os próximos. O mundo está aqui. Seguem duas músicas do finlandês Ólafur Arnalds: Particles, do álbum Island Songs (2016) e Only the Winds, do álbum For Now I Am Winter (2013).

Ólafur Arnalds. Particles. Island Songs. 2016.
Ólafur Arnalds. Only the Winds. For Now I Am Winter. 2013.

Cavalo cansado

Bretanha

Gosto de ligar o que não tem ligação ou está solto. Em todos os domínios menos um: o mundo académico e científico. Fazem-no por mim. Em França, a Bretanha, como o Minho, tem uma ascendência celta, o que se presta a simbolismos profundos. Em 1975, Pierre-Jakez Helias escreveu um livro chamado Cheval d’Orgueil dedicado à cultura bretã. Teve um enorme sucesso. Em 1977, volvidos dois anos, Xavier Grall publica o livro Le Cheval Couché a criticar o passadismo de Pierre-Jakez Helias. Ambos são bretões. Yann Tiersen e Didier Squiban também são bretões, compositores e pianistas. Yann Tiersen é sobejamente conhecido, Didier Squiban nem por isso. Para comparação, junto as músicas Porz Gwenn e Ar Baradoz, de Didier Squiban, e a música Porz Goret, de YannTiersen.

DidierSquiban. Porz Ween. Porz Ween. 1999.
Didier Squiban. Ar Baradoz. Molene. 1997.
Yann Tiersen. Porz Goret. EUSA. 2016.

Pare e escute

 “Sem a música, a vida seria um erro” (F. Nietzsche. Crepúsculo dos Ídolos, 1888).

Música, sem pressa, nem distracção. Como um lago na montanha. Conheci Dustin O’Halloran graças a um anúncio da Audi  (2007) cuja música compôs (ver Hedonologia). Tem uma obra vasta, que inclui a banda sonora de vários filmes. Estes dois excertos,  Fragile nº4 e We float, pertencem à banda sonora do filme Like Crazy (2011).