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Alucinações hipnopômpicas

Na transição do sono para a vigília, acontece alucinar: a comunicação e as redes sociais desistem da obsessão com autocratas, plutocratas e sociopatas. Reduzem-nos a subespécies, abrindo-se à diversidade e à generosidade humanas. Para despertar menos apoquentado, sem guinadas tragicómicas de Oeste e de Leste, viro-me para o Centro e para o Norte. Do Norte, não nos chegam apenas frentes frias, mas também freias que abraçam violoncelos e valquírias que cavalgam pianos.

Imagem: James Doyle Penrose. Freyja and the Necklace. 1890

Hania Rani e Dobrawa Czocher são duas jovens compositoras polacas. Hania toca piano e canta, Dobrawa é violoncelista. Partilharam dois álbuns: Biała Flaga (2015) e Inner symphonies (2020).

Hania Rani & Dobrawa Czocher – Tak tak to ja (Official Video). Biała flaga. 2015
Hania Rani & Dobrawa Czocher – Chwile. Biała flaga. 2015. At Sofar Warsaw on March 18th, 2016
Hania Rani & Dobrawa Czocher – Telefony. Biała flaga. 2015. Ao vivo em 2018
Hania Rani & Dobrawa Czocher – Con Moto. Inner symphonies (2020). Auditorium of Kraków’s Juliusz Słowacki’s Theater. 2021

O Passarinho Azul

Um conto de carnaval sem palavras.

Morning Joy. Realizador: John Henry Hinkel. USA. 2023

Melgaço lunar

A lua cheia quando não assombra encanta, em particular os caranguejos. Reuni três fotografias fabulosas da Carla Cristina Esteves, provenientes do arquivo do Município de Melgaço. Datam de 2021 e 2023. Adicionei outras tantas músicas do Paul de Senneville, compositor francês, falecido fez um ano, aliás bastante popular e pouco conhecido.

Torre de Menagem. Agosto 2023. Fotografia: Carla Cristina Esteves. Fonte: Município de Melgaço
Paul de Senneville. Quelques Notes Pour Anna. 1981
Porta da muralha. Maio 2021. Fotografia: Carla Cristina Esteves. Fonte: Município de Melgaço
Paul de Senneville – Mariage d’Amour. 1978
Muralha. Maio 2021. Fotografia: Carla Cristina Esteves. Fonte: Município de Melgaço. Detalhe
Paul de Senneville – Lyphard Melodie. 1977

Muito querido sono

Quando escrevi o artigo com as fotografias da Almerinda Van Der Giezen, escolhi uma música para as acompanhar. Tarefa nada fácil. Com a pressa, esqueci-me de a colocar. Segue agora, fora de contexto. De qualquer modo, Dear Sleep, do sueco Johannes Bornlöf, vale por si mesma.

Johannes Bornlöf – Dear Sleep. Dear Sleep. 2019

Dono do tempo?

“Agora não é mais dono do seu tempo?” Pergunta uma amiga. Na realidade, ando ocupado. Talvez para fugir do vazio, vou-me deixando ocupar. Os meus colegas e amigos também andam ocupados, mas com coisas importantes: meetings, calls, papers, media, projects, reports, classrooms, contracts, bureaucracies, protocols, platforms, virtualities, travels, budgets, referees, metrics, contests, prices, rankings, positions & propositions. As minhas ocupações resumem-se a minudências invisíveis: revejo e traduzo textos alheios, presto-me a ser organizador sombra ou suplente de última hora, preparo aulas e encontros na aldeia, entrego-me a investigações vadias, intermitentes e gratuitas, edito e reescrevo livros que nunca têm fim, cuido da saúde que bem precisa e convivo cada vez mais com os amigos. Vale-me isso e a música, minha musa e companhia. E insisto em pingar pensamentos e sentimentos neste blogue. É certo que, reformado, a maioria destas atividades, decididas ou aceites, são livres. Mas uma vez iniciadas deixam de o ser. Devoram recursos e tempo. Regressando à pergunta inicial: neste momento, sou menos dono do meu tempo, mas provisoriamente. Trata-se de uma perda a que não me resigno, que não sei se prefiro à riqueza de ter todo o tempo do mundo.

Franz Schubert. Serenade. 1826. Camille Thomas and Beatrice Berrut. Live at Palais des Beaux-Arts in Brussels on June 5, 2011
Vanessa-Mae. A Poet’s Quest (For a Distant Paradise). Vanessa-Mae Storm. 1997

Música e imagem

Kathia buniatishvill. Fotografia de Jean-Baptiste Mondino.

“Nunca tenho receio do “excesso” – excesso de amor, liberdade, imaginação ou respeito, porque essas coisas são imateriais e emocionais e não podem ser medidas ou limitadas” (Khatia Buniatishvili).

Quando penso na música clássica a render-se à imagem contemporânea, acode-me a talentosa pianista francesa de origem georgiana Khatia Buniatishvili. Um prodígio que não teme excessos! A “pop star do mundo da música clássica”. Quem mais poderia ser?

Khatia Buniatishvili – Schubert – Behind the Scenes. Schubert: Ständchen, S. 560 (Trans. From Schwanengesang No.4, D. 957).
Khatia Buniatishvili’s new music video for “Gymnopédie No.1” by Erik Satie from her new album “Labyrinth.”
Khatia Buniatishvili. Ungarische Rhapsody Nr. 2 cis-moll/v.Franz Liszt. Khatia’s arrangement.

Impromptus

Sonhem com os anjos.

4 Impromptus, D. 899, Op. 90: No. 3 in G-Flat Major · Murray Perahia · Franz Schubert

Ryuichi Sakamoto

Não é quando temos força que precisamos ser fortes.

Ryuichi Sakamoto é um músico, compositor, produtor e ator japonês radicado em Tóquio e em Nova Iorque. Colaborou com Rodrigo Leão.

Ryuichi Sakamoto. Put your hands up. Ryuichi Sakamoto: Playing The Piano 2009 Japan.

Ryuichi Sakamoto. energy flow. BTTB 20th Anniversary release. 1999.

Rodrigo Leão. Rosa. Cinema. 2006. Com Rosa Passos e Ryuichi Sakamoto.

Mãe

Agnolo Bronzino. Panciatichi Holy Family. 1541). Hands detail.

Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade

View Post

Thomas Newman. American Beauty. Main Theme. 1999. Intérprete: Thomas Newman.

Chopin por Maria João Pires

Eugène Delacroix. Frédéric Chopin. 1838

À selecção de obras culturais aplica-se o princípio abdominal: é mais fácil alargar do que reduzir (AG).

Anunciei no último artigo uma seleção de obras de Frédéric Chopin. Mais vale cedo do que nunca. Retenho duas composições para piano: um noturno e uma sonata, interpretados por Maria João Pires. Dois é pouco, mas é mais que três. Assim vaticina a psicologia dos públicos. Colocam-se dois vídeos, visualizam um; colocam-se três, não visualizam nenhum.

Maria João Pires: Chopin – Nocturne No. 1 in B flat minor, Op. 9.
Maria João Pires: Chopin – Piano Sonata No. 3 – III. Largo (excerto).