Alucinações hipnopômpicas

Na transição do sono para a vigília, acontece alucinar: a comunicação e as redes sociais desistem da obsessão com autocratas, plutocratas e sociopatas. Reduzem-nos a subespécies, abrindo-se à diversidade e à generosidade humanas. Para despertar menos apoquentado, sem guinadas tragicómicas de Oeste e de Leste, viro-me para o Centro e para o Norte. Do Norte, não nos chegam apenas frentes frias, mas também freias que abraçam violoncelos e valquírias que cavalgam pianos.
Imagem: James Doyle Penrose. Freyja and the Necklace. 1890
Hania Rani e Dobrawa Czocher são duas jovens compositoras polacas. Hania toca piano e canta, Dobrawa é violoncelista. Partilharam dois álbuns: Biała Flaga (2015) e Inner symphonies (2020).
O Passarinho Azul
Um conto de carnaval sem palavras.


Melgaço lunar
A lua cheia quando não assombra encanta, em particular os caranguejos. Reuni três fotografias fabulosas da Carla Cristina Esteves, provenientes do arquivo do Município de Melgaço. Datam de 2021 e 2023. Adicionei outras tantas músicas do Paul de Senneville, compositor francês, falecido fez um ano, aliás bastante popular e pouco conhecido.



Muito querido sono
Quando escrevi o artigo com as fotografias da Almerinda Van Der Giezen, escolhi uma música para as acompanhar. Tarefa nada fácil. Com a pressa, esqueci-me de a colocar. Segue agora, fora de contexto. De qualquer modo, Dear Sleep, do sueco Johannes Bornlöf, vale por si mesma.
Dono do tempo?


“Agora não é mais dono do seu tempo?” Pergunta uma amiga. Na realidade, ando ocupado. Talvez para fugir do vazio, vou-me deixando ocupar. Os meus colegas e amigos também andam ocupados, mas com coisas importantes: meetings, calls, papers, media, projects, reports, classrooms, contracts, bureaucracies, protocols, platforms, virtualities, travels, budgets, referees, metrics, contests, prices, rankings, positions & propositions. As minhas ocupações resumem-se a minudências invisíveis: revejo e traduzo textos alheios, presto-me a ser organizador sombra ou suplente de última hora, preparo aulas e encontros na aldeia, entrego-me a investigações vadias, intermitentes e gratuitas, edito e reescrevo livros que nunca têm fim, cuido da saúde que bem precisa e convivo cada vez mais com os amigos. Vale-me isso e a música, minha musa e companhia. E insisto em pingar pensamentos e sentimentos neste blogue. É certo que, reformado, a maioria destas atividades, decididas ou aceites, são livres. Mas uma vez iniciadas deixam de o ser. Devoram recursos e tempo. Regressando à pergunta inicial: neste momento, sou menos dono do meu tempo, mas provisoriamente. Trata-se de uma perda a que não me resigno, que não sei se prefiro à riqueza de ter todo o tempo do mundo.
Música e imagem

“Nunca tenho receio do “excesso” – excesso de amor, liberdade, imaginação ou respeito, porque essas coisas são imateriais e emocionais e não podem ser medidas ou limitadas” (Khatia Buniatishvili).
Quando penso na música clássica a render-se à imagem contemporânea, acode-me a talentosa pianista francesa de origem georgiana Khatia Buniatishvili. Um prodígio que não teme excessos! A “pop star do mundo da música clássica”. Quem mais poderia ser?
Impromptus
Sonhem com os anjos.
Ryuichi Sakamoto

Não é quando temos força que precisamos ser fortes.
Ryuichi Sakamoto é um músico, compositor, produtor e ator japonês radicado em Tóquio e em Nova Iorque. Colaborou com Rodrigo Leão.
Ryuichi Sakamoto. Put your hands up. Ryuichi Sakamoto: Playing The Piano 2009 Japan.
Ryuichi Sakamoto. energy flow. BTTB 20th Anniversary release. 1999.
Rodrigo Leão. Rosa. Cinema. 2006. Com Rosa Passos e Ryuichi Sakamoto.
Chopin por Maria João Pires

À selecção de obras culturais aplica-se o princípio abdominal: é mais fácil alargar do que reduzir (AG).
Anunciei no último artigo uma seleção de obras de Frédéric Chopin. Mais vale cedo do que nunca. Retenho duas composições para piano: um noturno e uma sonata, interpretados por Maria João Pires. Dois é pouco, mas é mais que três. Assim vaticina a psicologia dos públicos. Colocam-se dois vídeos, visualizam um; colocam-se três, não visualizam nenhum.

