Perversidades
Os anúncios “Storytime” e “Romance”, do Stockholm International Film Festival 2025, resultam perversos: “anormalizam” a meio do percurso, acabando por lembrar dois filmes (de terror) clássicos: O Exorcista (1973) e A Semente do Diabo (Rosemary’s Baby, 1968).
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Anúncio português vintage 8. Adultério
“O teatro tece o quotidiano”. O anúncio “Adultério”, da Câmara Municipal da Maia”, é uma raridade ousada e preciosa. Mostra como superar uma crise dando a volta por fora. “Dar a volta por cima” e “dar a volta por fora” constituem duas virtualidades da “força dos fracos”. Carregue na imagem para aceder ao vídeo.

Quanto mais menos

Pouco me interessei pela sociologia do trabalho e das organizações. O suficiente mesmo assim para me atrever a afirmar a seguinte lapalissada: quando uma organização possui colaboradores em demasia, “sem ter que fazer”, corre o risco de inventar tarefas que, além de desnecessárias, resultam contraproducentes. Conseguirá o piano traduzir esta evidência?
O vinagre e as moscas
Há muitas maneiras de o dizer e outras tantas de o entender, o que representa um desafio para os agentes publicitários. Tanto podem contribuir, junto do público, para o envolvimento e o agrado como para o enfrentamento e o desconforto, provocando sensações e sentimentos ora de satisfação, confiança e esperança, ora de perturbação, insegurança e receio. Difíceis de antecipar, as reações podem resultar perversas: indiferença, rejeição e, até, adversidade em vez de adesão, reconhecimento e conversão. A maioria dos anúncios comerciais, interessados em congregar e cativar, apostam na primeira modalidade; os anúncios de sensibilização, mais empenhados em assustar e mitigar, na segunda, destacando-se as campanhas antitabaco como exemplo extremo. Na prevenção ambiental ou rodoviária, a opção pela polémica e pelo choque tende a ser menos drástica e sistemática, com eventual recurso à fantasia, à simpatia e, até, ao humor. O anúncio natalício “Llegar”, da Dirección General de Tráfico (DGT), de Espanha, oferece-se como um excelente exemplo.
Um dia virá em que as altas autoridades se dignarão ponderar um provérbio antigo: “Não é com vinagre que se apanham moscas”; ou “Apanham-se mais moscas com uma colher de mel do que com vinte barris de vinagre“.
Entretanto insiste-se, décadas a fio, na repetição, na agressividade e, muitas vezes, na intrusão sem que os resultados correspondam. Algo me escapa! Existirão outras lógicas que não consigo ou ouso equacionar? Além da conversão, a discriminação, a estigmatização e a demonização? A justificação da penalização, nomeadamente através de impostos demasiado excessivos e pouco dissuasivos? Com certeza que não, seria grave.
Aflição fascinante
Nem sempre se recorre à doçura para cativar o guloso. Por vezes, o isco consiste no inverso: na acidez. É o caso dos anúncios It’s Free. But it Could Cost You/Wooing Jeff e Scary Fast. O primeiro denuncia o cúmulo, o extremo, da inconveniência associado à absorção alienante provocada pela exposição, quase hipnótica, ao canal de televisão TVZN. O segundo, uma paródia de um thriller de terror, introduz o potente e heroico todo-terreno Ford Raptor R que escapa ileso a uma série de ameaças e perigos diabólicos. Ambos aos anúncios resultam imediata e assumidamente desagradáveis. Esta opção não é novidade. Com receitas e doses apropriadas, a adversidade e a perversidade podem compensar.
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Segredos da mente
O mistério da mente humana assombra, frequentemente, as minhas travessias. Quando isso acontece, visiono duas ou três vezes o anúncio Head, da PlayStation 2, e sigo, revigorado, em frente. Nós somos todos videogamers. Carregar em HD.
Marca: Sony PlayStation 2. Título: Head. Agência: TBWA/Paris. Direção: Thomar Marqué. França, 2006.
Agressividade condicionada
Este anúncio é deliciosamente perverso. Nenhuma beleza, a não ser a beleza do feio. Nenhuma bondade, apenas desconforto e raiva. Bem concebido. No mundo da publicidade, a Argentina é um oásis.
Marca: BGH air-conditioner. Título: Summer Hater. Agência: Del Campo Nazca Saatchi & Saatchi, Buenos Aires. Direção: Juan Cabral. Argentina, Novembro 2012.
O Filtro do Amor
Os contos tradicionais costumam comportar uma boa dose de perversidade. Os desenhos animados actuais, também. Atente-se nesta versão, inquietante, da paternidade.
Marca: Condomshop.org. Título: Penguins. Agência: Ogilvy & Matter Frankfurt. Alemanha, Abril 2001.


