Algo







Fui a Coucieiro, algo rural, com o Eduardo, o Lilo e o Alberto, algo foliões. Na nave da igreja, uma celebração às colheitas, algo tardia, na torre, altifalantes com cantigas brejeiras, algo profanas, e no salão paroquial, a Festa das Papas de Sarrabulho, algo precoces. No regresso, a tasca do Valente, na Senhora do Alívio, algo atemporal, e, em casa, os Penguin Cafe Orchestra, algo minimalistas. No conjunto, um domingo, algo entre o céu e a terra.
Às voltas. O Ouroboros

A propósito da folia, música e dança de origem portuguesa (ver A folia portuguesa), comentou-se que continuava a inspirar novas versões, aludindo a Rita Ribeiro a um grupo célebre, sem, contudo, se lembrar do nome. Tão pouco consigo adivinhar.
Posteriormente, acudiu-me que a Rita talvez estivesse a pensar nos britânicos Penguin Cafe Orchestra. Por acaso, dias antes, ao escutar o álbum Ummagumma (1969), dos Pink Floyd ,tinha-me ocorrido que a música “The Narrow Way, Part I” prenunciava um pouco o estilo dos Penguin, cujo primeiro álbum, Music from the Penguin Cafe, foi lançado em 1976.
Às voltas com a noção de circularidade na teoria do imaginário do Gilbert Durand, a música Perpetuum Mobile, dos Penguin, acabou, também, por ressoar nos meus ouvidos.
Enfim, penso ilustrar, numa próxima comunicação, a referida noção de circularidade com a gravura do M. C. Escher “Um Encontro” (1944), que, por sinal, é capa do livro da Rita As lições dos aprendizes (2001)…

Tantas voltas que a serpente, o Ouroboros, dá! Até acaba por morder a própria cauda, renovando o ciclo.
Sinais de vida
Vamos andar sem sair do lugar! Seguem três músicas do álbum Signs of Life, dos Penguin Cafe Orchestra: Perpetuum Mobile; Dirt; e Southern Jukebox Musc. Lembram-se?
Pinguins

Penguin Cafe Orchestra, Music from the penguin cafe. 1976 
Penguin Cafe Orchestra. Music from the penguin cafe. 1981. 
Penguin Cafe Orchestra. Broadcasting from home. 1984. 
Penguin Cafe Orchestra. Signs of life. 1987. 
Penguin Cafe Orchestra. Union cafe. 1993.
Acordei preguiçoso. Temo cansar-me. Lembram-se capas dos álbuns dos Penguin Cafe Orchestra? Humanóides com cabeça de pinguim em movimentos parados (ver galeria). Os Penguin Café Orchestra são um testemunho de que, muitas vezes, a originalidade é um opção para o esquecimento. A originalidade é indigesta, preferimos adubar a inteligência com com mais do mesmo, de preferência, com certificação ISO. A originalidade é indigesta. Para exemplo da música dos Penguin Café Orchestra, escolhi, por preguiça, as primeiras faixas do álbum Broadcasting From Home.
Pinguins
O artigo precedente associa os desenhos de Grandville às capas dos discos dos Queen. Apetece-me fabular uma ponte entre os desenhos de Grandville e as capas dos discos dos Penguin Cafe Orchestra. O híbrido de Grandville que passeia, em 1844, na praça da Concorde em Paris parece migrar para as capas dos discos dos Penguin Cafe Orchestra. Têm um certo ar de parentesco.
Estas linhas são uma brincadeira, uma “drôlerie”. Um abuso da atenção apressada. Para remissão, acrescento uma música dos Penguin: Perpetuum Mobile, do álbum Signs of Life (1987).
Penguin Cafe Orchestra. Perpetuum Mobile, Signs of Life. 1987.

