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A nova canção de Paris

paris-je-taimeEm Paris, até os passos se perdem. O anúncio da Câmara de Paris é empolgante, mas há tanto Paris esquecido. O museu Rodin mantém-se secreto, o Jardim do Luxemburgo, reservado aos habitués e a Sainte Chapelle, aos aficionados de banhos de luz… É certo que as atrações de Paris não cabem em 150 segundos. Il faut choisir! As imagens correm tão a galope que o olhar não as consegue ver. Deve ser um vídeo para connaisseurs. E a canção? Tem sotaque inglês ou é mesmo inglesa? Deve ser isto o French Kiss. Não é? O vídeo mostra? Cantar Paris em inglês é uma opção. Presume-se ser a língua dos destinatários. Voilà! Assim resulta melhor. A França está no bom caminho. Em tempos de cortesia linguística, a melhor língua é aquela que mais vende. I love Paris!

Anunciante: Mairie de Paris. Título: Paris je t’aime. Direcção: Jail Lespert. França, Setembro 2016.

Liturgia do paladar

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Este Natal esqueci-me de desejar um bom e guloso apetite. A Ladurée de Paris é uma delícia. À semelhança da Fouchon, a Ladurée é um dos recantos de Paris que um gourmet não deve perder. Ninguém como os franceses para criar uma liturgia do paladar. Gosto dos dias em que se celebra o sagrado com o estômago. Felizmente, são muitos.

Para aceder ao anúncio, carregar na imagem.

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Marca: Ladurée. Título: Noel 2015. Produção: HK Corp. Direcção: Anaëlle Moreau. França, Dezembro 2015.

Saudades de Paris

Tenho saudades de Paris. Por aqui, planta-se tristeza. Carregar na imagem para aceder ao vídeo.

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Marca: Cartier. Título: Game. Agência: 75 Wanted. Direcção: Christian Larson. França, Junho 2015.

Bataclan

Pormenor da fachada da sala de espetáculos Bataclan, em Paris

Pormenor da fachada da sala de espetáculos Bataclan, em Paris

Retomo um artigo, publicado na ComUM online , em 30 de Setembro de 2013 (http://www.comumonline.com/?p=116), com um trecho dedicado ao Bataclan, casa de espectáculos de Paris, em tempos frequentada por emigrantes portugueses.

“Caravanas

A noite passada, sexta 27, corria pelas ruas um buzinão danado. Celebração desportiva? Excesso da praxe universitária? Casamento de meia-noite? Não! Eram, em vésperas de eleições, as caravanas políticas, ajuntamento cuja aritmética me escapa: em fila sonora, parecem mais, logo são mais; se forem muitos, ainda mais serão… Qual é a fé que sustenta esta extravagante procissão motorizada? Congregar as hostes e chamar os indecisos? Jogar a última carta? A convicção de que ganha quem mais berra? Será um ritual premonitório do resultado eleitoral? Um ritual antecipatório em que armar, hoje, músculo garante, por magia, força amanhã? Uma simulação de vitória para atrair quem gosta de acertar no vencedor? Uma pulsão tribal na era da técnica? Seja qual for a razão, não deixa de ser comovedor ver tanto português a carburar tanto combustível.

No dia 25 de Abril de 1975, já lá vão quase quarenta anos, fiquei com o trauma das caravanas. Responsável de um partido político no concelho natal, surpreendeu-me a vitória, nacional e concelhia, nas eleições para a Assembleia Constituinte. Para comemorar, organizou-se, em jeito de ex-voto, uma caravana. Enorme! Um milagre de multiplicação de adeptos. A caravana dirigiu-se à fronteira. Passou pela alfândega e desceu a encosta rumo à rotunda e à ponte que separa os dois países. Aguardavam-nos, do lado espanhol, dezenas de soldados da guarda civil de metralhadora em riste. Ainda governava Franco. Nunca circundei uma rotunda sob tamanha tensão. Um arrepio de emoções no poço do inferno. A situação foi séria, nada de simulações ou hiper-realidades. Com 16 anos, viajava no carro da frente. Aquelas metralhadoras não esquecem; continuam apontadas à memória.

Bataclan. Paris

Bataclan. Paris

As caravanas lembram-me, por homofonia, a canção Caravan, dos Blur, bem como o grupo rock/jazz Caravan, criado em 1968. Por acaso, o vídeo dos Blur (https://www.youtube.com/watch?v=J8hG_CXvSjg) e o vídeo dos Caravan (https://www.youtube.com/watch?v=8dpNzczhW-w) partilham uma característica: ambos foram filmados, ao vivo, no Bataclan: os Blur, em 2003, e os Caravan, em 1973. O Bataclan, em Paris, não é uma casa de espetáculos qualquer: tem o selo de Portugal, a impressão digital de compatriotas de carne e osso. Ao domingo, o Bataclan era um dos principais pontos de confluência de jovens emigrantes portugueses. Acorriam de longe. O Vítor, por exemplo, vinha de Bordéus, cerca de 600 km sem TGV. Outros deslocavam-se da Bretanha ou da Lorena. Numa tarde, reunia-se uma dúzia de colegas de escola! Assim sucedia com os melgacenses, com os montalegrenses, com os pombalenses… Em Paris, os portugueses ocupavam, ao domingo, outros locais de dança: a sala Wagram, junto ao Arco de Triunfo, o Week-end, em Montparnasse, a “Mairie du XVI Arrondissement”, perto da Torre Eiffel. Estes jovens, arrancados da terra ainda verdes, não mereciam este país mendigo. Um colega de escola, companheiro, também, do Bataclan, regressou a Portugal, onde criou uma empresa, por sinal, de sucesso. Má sina, o negócio era na área da construção civil; com quase sessenta anos, voltou a emigrar, agora, para a Suíça. Este país depenado continua a dar-se ao luxo de dispensar pessoas trabalhadoras, empreendedoras e experientes, de que, se calhar, precisa mais do que imagina.”

Paris num zootrópio

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De Singapura a Paris, pela mão da Airbnb. Além da cidade monumental, dos parques e dos jardins, existe um outro Paris que até os parisienses desconhecem: antiquários e bouquinistes, pequenas livrarias onde moram livros esgotados, praças, bistrots e caves, onde se toca jazz , carrosséis de sonho (Jean Loup Passek, que esteve na origem do Museu do Cinema, em Melgaço, é proprietário de um carrossel no Jardin du Luxembourg).

Só um golpe de sorte nos dá acesso a este Paris diferente. Ou um guia da Airbnb…

Marca: Airbnb. Título: A different Paris. Agência: TBWA Singapore. Direcção: Norman Yeend. Singapura, Setembro 2015.

O anúncio recorre a uma técnica de animação criada em 1833, o zootrópio. Uma técnica que exige trabalho, precisão, tempo e meios (ver https://tendimag.com/2013/03/25/fotografar-o-movimento-do-corpo/). O vídeo nº 2 mostra como foi feito o anúncio e o terceiro exemplifica como funciona um zootrópio moderno.

Behind the scenes. A different Paris. Setembro 2015.

Sony Bravia. Zoetrope. 2009.

É difícil falar de Paris sem que nos venham à memória algumas canções: por exemplo,  Sous le ciel de Paris, de Edith Piaf, e À Paris, de Yves Montand. Yves Montand foi um grande ator e cantor francês. Teve uma relação com Marilyn Monroe e com Edith Piaf.

Yves Montand. Olympia. Paris. 1982.

Edith Piaf. Sous le soleil de Paris. Carnegie Hall, 1957.

Cães, porcos e carneiros

Estive aqui! Nunca mais voltei a assistir a um espectáculo como este.

Estive aqui, no dia 22 de Fevereiro de 1977. Nunca mais voltei a assistir a um espectáculo como este.

Nunca vi tanto cachaço ao sol, nem tanta besta num pedestal.
Assim gira o mundo dos animais. Como na quinta de George Orwell.

Pink Floyd. Seamus The Dog. Meddle. 1971.

Pink Floyd. Pigs on the wind. Animals. 1977.

Pink Floyd.Sheep. Animals. 1977.

Teimoso e despistado

Em 1567 artigos do Tendências do Imaginário, pouco falei de mim. A quem interessa? Sabe-se que sou sociólogo, professor universitário, fumador e pouco mais. O meu rapaz mais novo, o Fernando, descobriu, há dois ou três dias, uma página que me é dedicada e que, no meu alheamento crónico, desconhecia. Trata-se de um trabalho realizado por Filipa Magalhães e Ricardo Grilo, ambos licenciados em ciências da comunicação. Os textos e os vídeos incidem sobre o meu tempo de estudante em Braga e em Paris. O período mais turbulento e mais suculento da minha vida. Salpicos biográficos. A Filipa e o Ricardo desencantaram, ainda, o meu rapaz mais velho, o João, bem como o Álvaro Domingues, amigo de infância, e a Ana Moreira, minha aluna. Gosto do resultado. A não ser mais, constata-se que, no meu caso, a escrita é muito mais fresca do que o autor.

Para aceder à página carregue na imagem ou no seguinte endereço: http://ensinopij1314.weebly.com/vocaccedilatildeo.html.

Teimoso e despistado

Papoilas

René Magritte. Golconda, 1953.

René Magritte. Golconda, 1953.

Graças a um toque de fada, as papoilas de um jardim subaquático ascendem aos céus de Paris. “Para um mundo mais belo”. Onírico e divertido, como um quadro de Magritte, o perfume deste anúncio não é o Opium de Yves Saint Laurent, mas o Flower de Kenzo.

Marca: Kenzo. Título: Flower by Kenzo. Agência: Kenzo. Direcção: Patrick Guedj. França, 2013.

Anelar

cartierCartier é Cartier. Pode dar-se ao luxo de fazer anúncios de seis minutos. Não foi Cartier quem descobriu o dedo anelar. Mas podia ter sido! Sabe, como ninguém, o valor de um encontro e de um beijo em Paris. Do anúncio, só me apetece falar do Musée Rodin. Uma joia da arte, uma joia de prazer. Estar no jardim do Musée Rodin é, a cada vez, estar como nunca. Morei junto ao Musée Rodin. Nem cinco minutos a pé. Nunca tive o paraíso tão perto. Estudar, pasmar, ler e namorar, de bronze em bronze.

Marca: Cartier. Título: The Proposal. Produção: Psycho. Direcção: Sean Ellis. França, Fevereiro 2015.

O corpo não cabe no ecrã

eurostar-paris-londresEstes anúncios encantam-me. Tão bem feitos! Despertam todos os sentidos. Bem como o imaginário, a pele e o corpo. Presenciamos, cheiramos, tocamos, saboreamos, ouvimos, descansamos, participamos, vestimos os símbolos. Os olhos são uma extensão do corpo. Transfiguram-se numa orquestra de sentimentos, sensações e emoções. O ecrã não basta, não faz justiça ao corpo, nem à pele, nem ao movimento. O corpo quer andar, apalpar, perder-se, regalar-se à mesa, molhar-se à chuva, acariciar os ícones, espantar-se com o quotidiano, misturar-se com os outros e falar outra língua. O corpo pede para estar lá. Em Londres ou em Paris, com ou sem o Eurostar. Estes anúncios são, antes de mais, um convite à viagem ou, mais precisamente, à descoberta.

Marca: Eurostar. Título: Stories are waiting in Paris. Agência: AMV BBDO London. Direção: Simon Ratigan. UK, Outubro 2013.

Marca: Eurostar. Título: Tant d’histoires à venir à London. Agência: AMV BBDO London. Direção: Simon Ratigan. UK, Outubro 2013.