Ser IA ou não ser IA, eis a questão

Mostram-se imagens de paisagens da Islândia a londrinos; são unânimes a considerá-las falsas, geradas pela IA. Apresentam-se a islandeses como falsas; indignam-se, reconhecendo-as. Reside nesta propensão a maior ameaça da IA: menos a tomar o falso como verdadeiro e mais o verdadeiro como falso.
A mobilização das identidades locais. O caso da aldeia da Varziela de Castro Laboreiro

Acaba de ser publicado na revista Trabalhos de Antropologia e Etnologia (2025, volume 65, pp. 379-398) o artigo “Varziela – Do comunitarismo agro-pastoril às redes sociais”, da autoria de Álvaro Domingues.
Chegou a estar previsto integrar este estudo na revista Boletim Cultural nº 11, da Câmara Municipal de Melgaço, lançada em janeiro de 2025, mas não se proporcionou.

Centrado em Castro Laboreiro, nomeadamente na aldeia de Varziela, o artigo constitui, antes de mais, um ensaio sobre a mobilização das identidades locais na era da globalização, no caso vertente um projeto de aproveitamento turístico por um influencer de um lugar (destino) recôndito com selo (#) de autenticidade cultural e qualidade ambiental.
Centrado em Castro Laboreiro, nomeadamente na aldeia de Varziela, o artigo constitui, antes de mais, um ensaio sobre a mobilização das identidades locais na era da globalização, neste caso, a propósito de um projeto, promovido por um influencer, de aproveitamento turístico de um lugar (destino) recôndito com selo (#) de autenticidade cultural e qualidade ambiental.
Para aceder ao artigo através do link respeitante à globalidade da revista, carregar na imagem com a capa ou no seguinte endereço: https://revistataeonline.weebly.com/uacuteltimo-volume.html
Acrescento um vídeo com o projeto de aproveitamento turístico da aldeia da Varziela programado pelo influencer João Amorim.
Anúncio português vintage 4. Quanto mais cópias, menos originais
Folha a folha, apaga-se a floresta. O anúncio “Cópias”, do Observatório do Ambiente, não precisa nem mais tempo, nem mais imagens. “Quanto mais cópias, menos originais. Não desperdice papel”. Neste aspeto, bem-vindo o digital. [Carregar na imagem para aceder ao vídeo]

Estou a chamar as minhas cabras

Volvidos quarenta anos, reencontrei uma amiga graças ao Tendências do Imaginário e ao Facebook. Publicou livros de poesia. Retenho o poema “Estou a chamar as minhas cabras”, humano e cósmico, um apelo e uma voz das raízes num imaginário que lembra Castro Laboreiro.
estou a chamar as minhas cabras
o dia fecha-se
um canto de pássaro já levanta as sombras
a cancela rangepesa-me o silêncio
por isso chamo as minhas cabrasos aloendros trazem -me aquele aroma
veio a coruja
e os lamentos a açoitar o ventovou chamar as minhas cabras
conto os grãos aligeiro os medos
levo-te na minha cesta
envolto no pão com passas
para oferecer àquele penedosão as águias que já lá vêm
e as colinas tombam
é tudo um segredochamarei as minhas cabras
quando a noite cantar
e trouxer consigo a lenda
dos lobos brandos e montanheirosfoge-me a voz
alongo o ouvido em quebrantoiria chamar as minhas cabras
na ventania errantee a música alisando as fragas
as luas rodopiando
os silvos cortam o ar
chamandosão as minhas cabras
dançando
os montes sulcando à procura de mimfui chamada pelas minhas cabras
a noite abre-se
a memória do mundo ecoou no tempo
e o silêncio viveé uma flor
que chama pelas minhas cabras
elas me levaramno monte me deitarei
eu e as minhas cabras(Almerinda Van Der Giezen)
Galeria de imagens: Caprinos (carregar nas figuras para as destacar).









A Suíça Portuguesa

No one upstages the Grand Tour of Switzerland, da Switzerland.com, é um belíssimo e apelativo anúncio. Mas à dupla Anne Hathaway e Roger Federer falta ainda explorar Melgaço. Recordo que à terra onde comecei costumava chamar-se “Suíça portuguesa”.
Para aceder ao vídeo Melgaço é um destino de natureza por excelência!, carregar na seguinte imagem (não se esqueça de ligar o som):

A viragem turística

Os portugueses têm o mar; os árabes, a areia. No mar, as sardinhas; na areia, o petróleo. Em ambos, uma herança histórica e cultural respeitável. Todos temos maravilhas. São belas, muito belas, as maravilhas do anúncio saudita Welcome to Arabia. A Arábia Saudita aposta no turismo para reduzir a dependência do petróleo.
“A Arábia Saudita abre as suas portas e o seu coração ao mundo”. O reino tem um plano para atrair turistas e acaba de facilitar vistos a 49 países, Portugal incluído (…) “A abertura da Arábia Saudita aos turistas internacionais é um momento histórico para o nosso país”. A frase do responsável pela Comissão Saudita para o Turismo e Património Nacional, Ahmed al-Khateeb, resume o significado do plano anunciado pelo país para a aposta no turismo como forma de diversificar as receitas para além do petróleo. (Público, 30 de Setembro de 2019, 20:55://www.publico.pt/2019/09/30/fugas/noticia/arabia-saudita-abrese-turismo-ha-vistos-turisticos-primeira-1888392).
Aproveito a oportunidade para sugerir o anúncio Sandman vs Waterman, da Al Kass Sport Channel, dos Emirados Árabes Unidos: https://tendimag.com/2011/10/30/a-agua-contra-a-areia/ .
O paradoxo da relação com o mundo
“No suor do teu rosto comerás o teu pão”; e pensarás com a cabeça dos outros.

Não estrague o futuro, cuide dele no presente. Perca-se na televisão, no telemóvel e na Internet, mas não esteja sempre absorto e distraído. Também existe o mundo, perto e longe. Os distraídos são, neste mundo, abençoados com o lixo.
Perspetiva-se a mineração de lítio e outros minerais no território do Fojo, junto ao Parque da Peneda-Gerês, nos concelhos de Melgaço, Monção e Arcos de Valdevez. O Fojo é uma extensa área natural “milagrosamente” preservada. A mineração pode ter um efeito ambiental devastador.
Quando focamos imagens como as do anúncio da WWF, concluímos com os nossos botões: isso é no mundo, não é aqui. E “sofremos à distância” com um mundo que, pelos vistos, não é o nosso. A nossa propensão para o simulacro de generosidade não tem limites. Há desflorestação, poluição química, esventramento do solo e outras desgraças, mas não neste “cantinho do céu” que pisamos todos os dias. O mundo está, assim, sempre longe; é um dos paradoxos da humanidade e um dos problemas da cidadania.
Beleza audiovisual
Ver e ouvir com prazer. Pena não haver nem gosto, nem tacto nem cheiro digitais. O anúncio Stay Wind, da Jackson Hole Travel & Tourism Board, é uma delícia para os olhos. E para os ouvidos. A música é dos Fleet Foxes. Acrescento outra música do mesmo grupo: White Winter Hymnal (2008). E pronto! Acabo de falar em Ponte de Lima e esperam-me em Briteiros (Guimarães).
Marca: Jackson Hole Travel & Tourism Board. Título: Stay Wild. Agência: Colle McVoy. Estados Unidos, Março 2018.
Fleet Foxes. White Winter Hymnal. Fleet Foxes. 2008.
Mercúrios
Nós, independentemente do que tenhamos perdido, pedíamos algo mais do que lágrimas à solidão, algo mais do que o bálsamo que adoça os corações magoados. Procurávamos um tónico para caminhar sempre em frente, uma gota das nascentes inesgotáveis, uma força nova, e asas.
(Jules Michelet, L’Oiseau, 1ª ed. 1856, Paris, Librairie Hachette e Cie, 1908, p. 5).
Neste anúncio da ASICS, It’s a big world. Go run it, bandos de mercúrios rasteiros correm com asas nos pés.
Marca: ASICS. Título: It’s a big world. Go run it. Agência: 180 Amsterdam. Direcção: Chris Sargent. Holanda, Fevereiro 2015.
Gelar no paraíso
Como deve ser bela a natureza para os lados da Colúmbia Britânica! Mostrada assim, dá vontade de gelar algures à porta do paraíso. O contraste entre a cidade e a montanha no final do anúncio é fabuloso. Imagens magníficas! E a letra? Como seria a letra se os canadianos tivessem Camões e Pessoa?
A Colúmbia Britânica tão longe, e a minha terra aqui tão perto… Pedra, água, árvores, musgo… Saudades (ver http://tendimag.com/2012/01/21/a-pedra-e-a-agua-imagens-de-melgaco/).
Marca: Destination British Columbia. Título: The Wild Within. Agência: Dare, Vancouver. Direcção: Sean Thonson. Canadá, Novembro 2014.




