Turismo olfativo e outras narigadas

Georg Simmel escreveu, em 1912, que “se pode qualificar [o odor] como sendo o sentido desagregador ou anti-social por excelência”. É possível, mas não é a impressão que se desprende dos anúncios a perfumes. Atraem e seduzem.
A finlandesa Visit Turku Archipelago procura cativar, precisamente, pelo nariz, com o cheiro no centro do anúncio “Get a Nose Job in the Turku Archipelago”, estreado este mês.
Transpiração
O olfato “é o sentido desagregador e anti-social por excelência” (Simmel, Georg. 1981. “Pour une sociologie des sens”, in Sociologie et épistémologie, Paris, PUF).

Pode um anúncio ser reflexivo? Funcionar como um espelho? É o objetivo da maior parte dos anúncios. A mais ínfima parte do corpo humano intervém na interação social. Um nada corporal, significativo, pode decidir a relação com o outro. E com o próprio. A transpiração é um excesso de comunicação, uma ameaça ao self, tal como, noutro registo, o ato incontrolado de corar. Bem sugeria Simmel que o odor separa e afasta. Quem não se revê nas inseguranças do protagonista, nos clichés dos seus receios e impasses? Gosto deste anúncio: consegue o que pretende. Aposta nas noções, religiosas, de condenação e de salvação. Entre ambas, uma epifania: o chamamento, a revelação e a graça do desodorizante Hidrofugal.
