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Nojo

NHS. Anti-smoking

O meu rapaz mais novo aproxima-se com uma embalagem de cigarros Marlboro de Angola.

– Vês! Só tem a frase “Fumar prejudica a saúde”, sem sentenças, nem imagens. Bastava assim…

– Não, filho! Não bastava assim. Não era suficientemente nojento.

Estou com gripe. Porquê? Toda a gente sabe e faz questão em mo dizer: “porque fumo”, a última tentação do demo. Como pode caber tanta sapiência no cérebro das pessoas? Tenho diabetes, porque fumo; insuficiência renal, porque fumo; torci um pé, porque fumo; extraí a tiróide, porque fumo; fui operado a duas hérnias, porque fumo. Escrevo azedo porque fumo. A medicina regressou à teoria dos humores. Trata-se de diagnósticos amigavelmente nojentos. Os estigmas são assim: poluidores, extravasam o seu âmbito. Gritamos a um cego! Qualquer dia, alguém vaticinará que a minha calvície e a minha teimosia tresandam a fumo. A estigmatização é um nojo e os seus paladinos, nojentos. E não usam travões. Já, em tempos, ninguém travava o medo dos vampiros: estaca cravada no corpo do suspeito e uma pedra a fechar a boca. Por vezes, as mesinhas antitabaco lembram medalhas de São Bento.

Enojar pessoas parece estar na moda. Até parece que quanto mais me enojas mais gosto de ti. Como no anúncio tailandês Disgusting, da Wai Wai Quick. Nada que se compare, porém, às campanhas antitabaco. Que a cruzada sanitária e higienista degrade a qualidade de vida de milhões de pessoas resume-se a um mero efeito secundário.

Marca: Wai Wai Quick! Título: Disgusting. Agência: Ogilvy & Mather. Tailância, 2000.

Vou propor a criação de um curso de nojologia. Centrado na ciência e na técnica do enojamento público, e vocacionado para os especialistas dos corredores e dos arredores do poder.

Os anúncios Accidents (2012) e Sugar Sugar (2011) ilustram o que pode ser a excelência de um trabalho de nojologia aplicada.

Anunciante: Quit. Título: Accidents. Reino Unido, 2012.

Anunciante: Make Smoking History. Título: Sugar Sugar. 2011.

Fumar é feio

Ricardo Marenco. 2009.

Ricardo Marenco. 2009.

As três parcas da higiene pública são o nojo, a culpa e a morte. Moram no jardim da publicidade degradante. Estes três anúncios, dois da Fundação Portuguesa de Cardiologia e o terceiro da Asociación Española Contra el Cancer, convocam o nojo, à boa  maneira dos anúncios anti tabaco do início dos anos 2000. Estes vídeos são difíceis de encontrar. Desconhece-se o motivo.

Anunciante: Fundação Portuguesa de Cardiologia. Título: Modelos. Campanha”Fumar é feio, tu não comeces”, Central Models / Brandia Novodesign. Portugal, Setembro 2005.
Anunciante: Fundação Portuguesa de Cardiologia. Título: Gémeos no campo. Campanha”Fumar é feio, tu não comeces”, Central Models / Brandia Novodesign. Portugal, Setembro 2005.
Anunciante: AECC. Título: Sneeze. Agência: Torrelazur McCann, Barcelona. Espanha, Julho. 2002.

Urna

Stride. Urn.Um nojo! Em todos os sentidos da palavra. Um nojo ao cubo. Subsiste, porém, um não sei quê de genial. Quando a urna quebrou, ocorreu-me um aspirador. Mas não! Não se trata de uma purga mas de uma partilha. Uma aberração rara. Imprevisível! Mas estranho, mesmo estranho, é o anúncio dar vontade de mastigar pastilhas elásticas! Se fosse nutricionista, era capaz de aconselhar aos clientes em cura de emagrecimento este vídeo antes das refeições.

Marca: Stride. Título: Urn. Agência: JWT. Direção: Michael Downing. USA, 2011.