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Balanço da Espada, da Cruz e do Cálice

Bem-disposta e algo intimista, a conversa sobre “a espada, a cruz e o cálice nas imagens de Cristo e da Virgem Maria” já pertence ao passado. Mobilizou uma vintena de pessoas. Data e hora pouco oportunas. De qualquer modo, a conversa teve a audiência merecida.  Por sinal, suficiente. Com fraco espírito missionário, não cuido de espalhar a palavra. Pouco importa o tamanho da audiência, o que conta é a qualidade da comunicação.

Durante 150 minutos, com um intervalo de 15, foram projetados 93 diapositivos e 160 imagens. As ideias propostas, algumas originais e sustentadas em anos de investigação pessoal, justificam prudente reserva.

A Sala das Cavalariças do Mosteiro de Tibães é um aconchego. Motivados, saímos exaustos, mas satisfeitos. Uma experiência única, que ganha em não ser repetida.

Segue uma galeria com uma seleção de 20 imagens (desordenadas). Um oitavo do conjunto.

A Espada, a Cruz e o Cálice

No próximo sábado, dia 26 de abril, às 15 horas, vou falar no mosteiro de Tibães sobre a relevância dos símbolos da espada, da cruz e do cálice na interpretação das imagens de Cristo e da Virgem Maria. A meio de um fim-de-semana prolongado e coincidente com a Festa do Alvarinho em Melgaço, a data não é a mais propícia. Desejava-a perto da Páscoa e no mosteiro de Tibães, espaço que me é particularmente grato. Nestas condições, foi a única disponível. Não me apoquenta. Interessa-me mais a relação com o público do que a sua dimensão. Como a generalidade das minhas conversas, será única. Projeto retomá-la apenas como aula na academia sénior de Melgaço.

Demasiado ampla, tive que a reduzir. Concentra-se, assim, nos seguintes episódios e figuras: Juízo Final, Menino Jesus com a cruz, Anunciação, Expetação e Virgem Entronizada. Principalmente na Baixa Idade Média e no início da Moderna. A Senhora da Misericórdia e a Pietà resultam adiadas para uma próxima conversa. A Natividade e a Virgem do Leite justificarão, porventura, uma terceira. Não obstante, prevê-se densa e extensa. Afortunadamente, bastante ilustrada e algo original.

Se se proporcionar, apareça. Caso contrário, não lhe sentirá a falta.

Amores humanos e lugares sagrados

O Canadá é um berço ímpar de intérpretes musicais: Neil Young, Leonard Cohen, Diana Krall, Celine Dion, Alanis Morissette… Chantal Chamberland destaca-se como um desses talentos. Ousa dar um toque pessoal, com um muito ligeiro sotaque québequois, a canções que nos convencemos ser indissociáveis das celebridades que as imortalizaram, tais como Joséphine Baker, Charles Trenet, Jacques Brel ou Yves Montand.

Imagem: No Mosteiro de Tibães. Fotografia de Maria Fátima Machado Martins

Guimarães também é berço. Da Nação e de excelentes artistas visuais.

Antigo emigrante em França, adoro entreter-me a faire des bricoles. Desta vez, deu-me para sobrepor duas séries relativamente extensas: uma lista com canções interpretadas pela Chantal Chamberland e uma galeria com fotografias da Maria Fátima Machado Martins. Preguiçoso, confinei a seleção às fotografias partilhadas que tirou no Mosteiro de Tibães, um recanto privilegiado para atividade e retiro. A Chantal Chamberland tanto canta em inglês como em francês. Por agora, abracei a segunda língua. Condiz mais com a minha cara. Quando se produz um regalo, importa assiná-lo!

A cada fotografia corresponde uma canção, identificada na respetiva legenda. Insinua-se uma certa dissonância entre ambas: as canções prendem-se com amores humanos e as fotografias com lugares sagrados. Na verdade, amores humanos e lugares sagrados não são de todo incompatíveis.

Chantal Chamberland – J’ai deux amours (Joséphine Baker, 1930). Soirée, 2014. Fotografia do Mosteiro de Tibães por Maria Fátima Machado Martins
Chantal Chamberland – Que reste-t-il de nos amours? (Charles Trenet, 1943) Soirée, 2014. Fotografia do Mosteiro de Tibães por Maria Fátima Machado Martins
Chantal Chamberland – Les feuilles mortes (Yves Montand, 1949). Serendipity Street, 2003. Fotografia do Mosteiro de Tibães por Maria Fátima Machado Martins
Chantal Chamberland – Ne me quitte pas (Jacques Brel, 1959). Serendipity Street, 2003. Fotografia do Mosteiro de Tibães por Maria Fátima Machado Martins
Chantal Chamberland – Dis moi (The Beatles, 1966). Soirée, 2014. Fotografia do Mosteiro de Tibães por Maria Fátima Machado Martins
Chantal Chamberland – Je l’aime à mourir (Francis Cabrel, 1979). Autobiography, 2015. Fotografia do Mosteiro de Tibães por Maria Fátima Machado Martins
Chantal Chamberland – Mon mec à moi (Patricia Kaas, 1988). Soirée, 2014. Fotografia do Mosteiro de Tibães por Maria Fátima Machado Martins

Apresentação de dois livros: Festas de São João de Sobrado / Mosteiro de Tibães

Sexta, dia 15 de março de 2024, pelas 21H00 no Centro de Documentação da Bugiada e Mouriscada, em Sobrado, Valongo, decorrerá a apresentação do livro “São João De Sobrado: A Festa da Bugiada e Mouriscada”, da autoria de Rita Ribeiro, Manuel Pinto, Albertino Gonçalves, Alberto Fernandes, Luís Cunha e Luís António Santos. Os promotores são a Comissão de Festas do São João de Sobrado 2017 e a Associação São João de Sobrado.

Sábado, dia 16 de março de 2024, às 15 h, na Sala do Capítulo do Mosteiro de Tibães, decorrerá, promovida pelo Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães, GAMT, a apresentação do livro “Para uma interpretação do mosteiro: Tibães do espaço à vivência, da materialidade à simbólica”. A publicação será apresentada pelo Professor José Carlos Miranda, da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (UCP – Braga).

Restaurado

Missão cumprida. À seguinte! A conversa “A Arte do Restauro: Alcance e Dilemas” (Conhecer o Mosteiro de Tibães. Curso: Restauro, Sala das Cavalariças do Mosteiro de Tibães, 14/10/2023) correu melhor do que temia atendendo à insuficiente preparação (ando a espremer os minutos). Senti-me em casa, na grata companhia da Margarida Coelho e da Aida Mata. O Mosteiro de Tibães tem sido um abrigo. A título individual ou com os cursos de sociologia da Universidade do Minho, designadamente o mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, cujos alunos tiveram a gentileza de comparecer. Para além de várias comunicações, recordo o seminário O Trágico e o Grotesco no Mundo Contemporâneo (2005), a exposição Vertigens do Barroco: em Jerónimo Baía e na Atualidade (2007), os Encontros de Sociologia (2018 e 2019) e as aulas em contexto, anuais, sobre a Educação pelos Sentidos no Mosteiro. Regresso, portanto, como quem nunca se despediu, feliz pelo reencontro, à vontade e satisfação que são, à partida, meio caminho andado para cativar o público, que não deixou cadeiras vazias.

Cumpria-me abrir dispondo de uma hora. Sem cuidar, excedi-me. Quando perguntei pelo tempo de que dispunha, afinal, já o tinha ultrapassado. Soy muy raro, como dizem os espanhóis: palrador em público, calado em privado. Afortunadamente, a audiência não aparentou acusar o abuso. O estilo ajudou. Descontraído e despretensioso, a namorar por vezes a confidência. Com uma enxurrada de diapositivos à mistura (38 imagens de pinturas e esculturas), atraentes e surpreendentes. Conquistam cada vez maior protagonismo. Intervalam a soporífera monotonia da oralidade. Aprendi como docente com os alunos que a concentração e a atenção pedem momentos de distração e descompressão.

Acrescem como amortecedores da massagem a arte e o motivo da comunicação. Com a idade, fui degenerando. A aposentação e o afastamento da universidade agravaram a tendência. Dispenso cada vez mais o coro das generalidades e das grandes teorias. Prefiro o concreto e o particular: o caso. Conto historinhas, de preferência extraídas da minha própria experiência. Partilho assim testemunhos únicos. Promovo, efetivamente, partilha, originalidade e imprevisibilidade.

O teórico e o nomotético emergem do concreto e do particular, com uma espessura quase corporal. Nas antípodas do modelo da aula académica, salto, saboreando, de assunto em assunto. E divirto-me, sobrepondo o prazer ao saber. Inspiro-me mais no Perrault e no La Fontaine do que no Descartes ou no Kant. Encadeio episódios que sugerem, quando muito, uma ou outra elação proverbial.

Assumir que o discurso voa baixo, que não se pretende teórico, não implica que a teoria esteja ausente. Semelhante quimera não é possível! “Está no sangue”. Se existe algo que a universidade inculca são teorias. Exposto uma vida, quase meio século, não há modo de escapar ao veneno. Por outro lado, proporciona-me imenso gozo sentir os pequenos pormenores, palavras soltas, a beliscar ou a fazer cócegas às teorias.

Ainda de ressaca, este memorando de escrita automática, amaneirado quanto baste, já vai demasiado longo. Estou cansado. Proponho-me publicar uma ou outra historinha da conversa sobre o restauro. Por enquanto, não disponho de tempo. Sexta, volto a ter espetáculo. Em Melgaço, no Serão dos Medos, de que sou o animador. Aguardam-me duas conferências e uma conversa coletiva “socioterapêutica” em torno das premonições e dos prenúncios de morte. De motivo em motivo, sem repetir, vou(-me) entretendo.

Estou a ouvir a banda sonora do filme Into The Wild, de 2007. Mas, não obstante me embalar a voz escorreita do Eddie Vedder, opto pela irreverência do Klaus Nomi. Seguem três canções inéditas no Tendências do Imaginário que já contempla uma dezena deste contratenor excecional que, precocemente falecido em 1983, foi uma das primeiras vítimas conhecidas da SIDA: Lighting Strikes; Wasting My Time; e Simple Man.

Klaus Nomi. Lightning Strikes. Klaus Nomi. 1981
Klaus Nomi. Wasting My Time. Klaus Nomi. 1981
Klaus Nomi. Simple Man. Simple Man. 1982

Ésquilo, o abutre e a tartaruga

Ando absorvido, acelerado e fragmentado. Excessivo na recuperação do tempo perdido, sinto-me a ultrapassar o ponto previsto pelo princípio de Peter. Quinta, 15, entrevista aos Porto Canal sobre os Farrangalheiros de Castro Laboreiro; sábado, 18, a conferência “Vestir os Nus”, no Museu D. Diogo de Sousa; ontem, 24, arguição da dissertação, excelente, de Sílvio Messias dedicada à figura do palhaço; hoje e amanhã, últimos retoques no capítulo “Castro Laboreiro: Acessibilidade e migrações até aos anos 1930”; na próxima semana, duas atividades previstas no âmbito do Fórum Cidadania: Pela Erradicação da Pobreza (BRAGA) de que sou membro; na quinta, 2 de março, gravação de entrevista sobre o nu na sociedade atual para o programa da A Voz do Cidadão, da RTP, a emitir sábado, 4 de março, às 14 horas; no sábado, de manhã, às 10 horas, aula “A arte do restauro: Alcance e dilemas”, no mosteiro de Tibães (ver programa anexo).

Mais tartarugas me vão cair, certamente, na cabeça. Poucas folgas para o Tendências do Imaginário e o Margens. A agenda lembra demasiado o ritmo e as variações de algumas composições espanholas. Sem a formosura das intérpretes Ana Vidovic e Alexandra Whittingham. Não me resta outra solução senão abrandar e fazer escolhas. Como se costuma dizer, já não tenho estofo nem pedalada para tanto.

A propósito da “queda de tartarugas na careca”, Jean-Martin Rabot, uma autêntica enciclopédia dos óbitos de celebridades, relata este derradeiro episódio de Ésquilo, completamente calvo, na ilha da Sicília.

               Algumas aves quando pretendem quebrar um objeto duro, agarram-no, sobem alto e deixam-no cair. Um abutre pegou uma tartaruga e lançou-a contra o que lhe pareceu uma pedra a brilhar no solo. Era a cabeça de Ésquilo que caiu fulminado.

Ana Vidovic. Asturias (1892). De Isaac Albéniz. 2015.
Alexandra Whittingham. Capricho Arabe (1892). De Francisco Tárrega. 2017.

Miserere.

Hoje, fui ao Mosteiro de Tibães. Vi cogumelos brancos, amarelos, castanhos e vermelhos com pintas brancas. Não é que os cogumelos cantam! Hoje, voltei do Mosteiro de Tibães com os cogumelos nos olhos e o Miserere de Allegri nos ouvidos.

Cogumelos no Mosteiro de Tibães. 2018.

Gregorio Allegri. Miserere. 1638. Interpretação: The Choir of Claire College, Cambridge, Timothy Brown. 1995.

Para além do céu azul

Órgão de Tibães

Órgão do Mosteiro de Tibães

Acabou o Encontro de Sociologia (mosteiro de Tibães). Quando a realidade ultrapassa o sonho, a gente sente-se assim, não sabe bem como; sente-se também assado, não sabe bem como. Hoje, levantamos a cabeça, erguemos o olhar e rasgamos horizontes. Fomos “para além do céu azul”.

Seguem duas músicas do álbum beyond the Missouri Sky (1997), de Charlie Haden e Pat Metheny: The Moon is a Harsh Mistress e Spiritual.

Encontro de Sociologia no mosteiro de Tibães

O Encontro de Sociologia traz-me afastado da música e do blogue. Mas é uma iniciativa compensadora. Seguem o cartaz, o texto de divulgação, o programa e a imagem do íman que será oferecido durante o Encontro.

Cartaz Encontro Sociologia

O Encontro de Sociologia congrega todos os alunos dos cursos de Sociologia da Universidade do Minho (licenciatura, mestrados e doutoramento), bem como os docentes e os funcionários do Departamento de Sociologia. O Encontro decorre no dia 18 de Abril, durante a tarde, no Mosteiro de Tibães. Para a deslocação entre a Universidade e o Mosteiro, haverá dois autocarros que partem às 13 horas junto à pastelaria Montalegrense e regressam às 19 horas. O Encontro inclui visita guiada ao Mosteiro, um dos mais belos exemplares da arte barroca em Portugal, uma conferência e um espetáculo com música, teatro e vídeo protagonizado por estudantes de Sociologia.

Contamos com a presença de todos!
A Direção do Departamento de Sociologia

Programa

14h00 | Visita guiada ao Mosteiro

16h00 | Sessão de Abertura

Rui Vieira de Castro, Reitor da Universidade do Minho,
Helena Sousa, Presidente do Instituto de Ciências Sociais
Albertino Gonçalves, Diretor do Departamento de Sociologia
Maria de Lurdes Rufino, Coordenadora do Mosteiro de Tibães
Joana Mota Silva, Presidente do NECSUM

Conferência “Vigilância, segurança e crime: desafios para a Sociologia”

por Helena Machado, Departamento de Sociologia da Universidade do Minho.

17h00 | Espetáculo de Música, Teatro e Vídeo pelos alunos dos cursos do Departamento de Sociologia

Moderação: José Cunha Machado, Diretor adjunto do Departamento de Sociologia & Joana Mota Silva, Presidente do NECSUM.

19h00 | Encerramento.

Imagem do íman alusivo ao encontro

Imagem do íman alusivo ao Encontro de Sociologia.