Morrer só uma vez. Humor negro

Pega num cigarro tranquilo. “Fumar provoca ataques cardíacos”. Qual era a frase de ontem? “Fumar causa o cancro do pelo”? Ou algo parecido. Estava a viciar-se em mensagens anti tabaco. Sentou-se na varanda. Alinhou umas letras. Pousou o cinzeiro e os cigarros sobre o papel. E saltou.
O delegado afastou o cinzeiro e o maço de cigarros. No papel, uma frase singela: “é preferível uma única morte a tantas quantas nos prometem”. O bafo do Estado não engana: “o Homem é um ser para a morte”. Escusava, talvez, ser uma vanitas tão briosa. Existem anúncios anti tabaco que se resumem a espantalhos mórbidos.
Humor mórbido
O século XXI também ri da morte. Ri dos mortos e dos vivos; ri dos mortos vivos e dos vivos mortos. Um humor dispensado, por vezes, pelos cangalheiros de Estado. É assombrosa a quantidade de anúncios anti tabaco a gravitar na Internet, quase todos caveira, fumo e cinzas. A vanitas dos guardiões do templo. Com a caveira ora a rir, ora a penar.
Carregar nas imagens para aceder aos vídeos dos anúncios.
Anunciante: Anti Tabac. Título: Snowboard. Agência: FCB New York. USA, 2017.
Anunciante: Anti Tabac. Título: Birthday. Agência: FCB New York. Direcção: Peter Sluzlka. USA, 2017.
Anunciante: Anti Tabac. Título: Pool. Agência: FCB New York. USA, 2017.
O absurdo veste Levi’s
Uma música à Marilyn Manson, passagens à Monty Python e uma história sem calças. Grotesco, muito grotesco, grotesco apurado! O que é? Um anúncio às calças Levi’s, dirigido por Spike Jonze. Está escrito.
Marca: Levi’s. Título: Tainted Love. Agência: Foote Cone & Belding. Direcção: Spike Jonze. EUA, 1996.



