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A balada do arco-íris

Até os fenómenos naturais mais efémeros se conjugam para unir o Minho e a Galiza.

Moledo do Minho 1. 18.01.2025. Fotografia de Fernando Gonçalves
Moledo do Minho 2. 18.01.2025. Fotografia de Fernando Gonçalves

Está bom tempo para dormitar, embalados, por exemplo, pela “Berceuse” (1879) de Gabriel Fauré.

Gabriel Fauré – Berceuse Opus 16. Violin: Shishi Zhou; Piano: Chewon Park. Shishi’s Graduation Recital, Master of Music. New England Conservatory’s Brown Hall. February 23, 2016

Sentinela. Vista sobre Santa Tecla

Monte de Santa Tecla visto do Forte da Ínsua. Fotografia de Fernando Gonçalves

Do cume do monte de Santa Tecla tiram-se fotografias magníficas: em baixo, de Moledo, ao monte, também. Só é preciso ter bom olho e boa câmara. Associar uma fotografia a uma música é um entretenimento desafiante. Cismei, um pouco desbussolado, que devia ser música eletrónica. Da discografia dos Tangerine Dream, do Klaus Schulze e do Mike Oldfield, retive três canções: Song of the Whale, Pt. 1: From Dawn…; Wellgunde; e Sentinel. Qual valoriza e resulta mais valorizada? Se obtiver respostas, coloco a eleita em primeiro lugar.

Tangerine Dream – Song of the Whale, Pt. 1: From Dawn… Underwater Sunlight, 1988
Klaus Shulze & Lisa Gerrard – Liquid Coincidence 6. Farscape, 2008
Mike Oldfield – Sentinel. Tubular Bells II, 1992

Pelas alturas

Por mais alto que algo seja lançado é à terra que regressa (provérbio africano)

Ando saído, surpreendendo-me atraído pelas alturas. O que dá que pensar… Depois do planalto de Castro Laboreiro, a subida ao cume do Monte de Santa Tecla. Seja qual for o ponto cardeal, surpreendem-nos paisagens fantásticas sobre o vale e o estuário do rio Minho e a orla marítima a perder de vista, tanto para o lado de Moledo como de Laguardia. Acompanhado pela Rosa, pelo Agostinho e pelo Daniel Noversa, as fotografias são da autoria deste último.
Aproveito para acrescentar uma dezena de fotografias da viagem a Castro Laboreiro, desta vez da autoria do Américo Rodrigues e do José Domingues.

Imagem: Monte de Santa Tecla visto de Moledo

Galeria 1: Vistas a partir do Monte de Santa Tecla

Galeria 2: Castro Laboreiro

Vangelis – Ask the mountains. Voices, 1995
Manfred Mann’s Earth Band – Visionary Mountains. Nightingales & Bombers, 1975

Furacão

O tempo esteve particularmente interessante este fim de semana em Moledo. Ontem, as listas dos aviões, hoje um furacão.

Furacão. Moledo. 06.11.2022. Imagem: Conceição Gonçalves
Furacão. Moledo. 06.11.2022. Filmado por Conceição Gonçalves

Tráfego aéreo

Tráfego aéreo. Poente. Moledo, 05.11.2022. Fotografia: Albertino Gonçalves
Moledo. 05.11.2022. Fotografia: Fernando Gonçalves

Para sempre jovem

Cristoforo de Predis. Influence of Venus. the garden of love and the fountain of Youth (miniature c1470.

Há ano e meio que não ia a Moledo, não via o mar, não apanhava tanto sol, não bebia um sumo de laranja numa esplanada, não esperava encontros inesperados, não almoçava um arroz de tamboril tão saboroso e não dava tantos passos. Afinal, ainda pareço um hospedeiro e um peregrino da vida.

Rod Stewart. Forever young. Out Of Order [Expanded Edition]. 1988. Vídeo oficial ao vivo.

Morrinha

Moledo do Minho visto de Santa Tecla.

Em Moledo, sinto-me galego. Quando a chuva é miudinha, há quem lhe chame morrinha. Na Galiza, a morriña é um sentimento de melancolia com enxerto de saudade. Seguem dois cantos a Galiza distintos: Romeiro Ao Lonxe, dos Luar Na Lubre, e Un Canto a Galicia, de Júlio Iglesias, ao vivo com Amália Rodrigues.

Luar Na Lubre. Romeiro ao lonxe (con Diana Navarro). Ao vivo. 2009.
Júlio Iglesias (com Amália Rodrigues). Un Canto a Galicia. Ao vivo. 1980.

Festival para Gente Sentada

Acalmia em Moledo. Fotografia de Fernando Gonçalves

Acalmia em Moledo. Fotografia de Fernando Gonçalves. 2018.

As férias terminaram, mas Moledo continua. Não me lembro de ver tantos carrinhos de bebé, tantas mulheres grávidas, tantas pessoas com cão e, sobretudo, tamanha afluência de carros a banhos. Moledo, no verão, está a mudar, a mudar no sentido inverso. Não estranhava ver nas redondezas de Moledo o Sufjan Stevens, cantor e compositor norte-americano, nascido em 1975. Tenho dois cd de Sufjan Stevens: Seven Swans (2004) e Illinoise (2005). Adquiri-os por altura da sua participação no Festival para Gente Sentada, em Braga, em 2004, no mesmo ano que Devendra Banhart. As três músicas seleccionadas pertencem ao disco Seven Swans.

Sufjan Stevens. We Won’t Need Legs to Stand. Seven Swans. 2004.

Sufjan Stevens. A good man is hard to find. Seven Swans. 2004.

Sufjan Stevens. Seven Swans. Seven Swans. 2004.

Go east!

Moledo 2. 21 Ag 2017. Fernando Gonçalves

Moledo 2. 21 Ag 2017. Fernando Gonçalves

Estou orientado. Cara a oriente. O meu rapaz fotografou o pôr-do-sol por altura do eclipse do dia 21 de Agosto. Resultou uma série apreciável de fotografias do regresso crepuscular da luz.

Segundo Edward T. Hall, os ocidentais tendem a ser “monócronos”, fazem uma tarefa de cada vez. A fazer fé no anúncio chinês Piano, do Windows 8, os orientais são “polícronos”: conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo. Por exemplo, trabalhar e jogar.

Marca: Windows 8. Título: Piano. Agência: JWT Beijing. Direcção: Jon Jing Zhu. China, 2013.

Sociologia sem palavras 21. A massificação e o homem-máquina

“The mediator between head and hands must be the Heart” (Metropolis).

Metropolis. Cartaz.

Metropolis. Cartaz.

Há palavras bipolares. A esquerda romântica do século XX encarava a massificação como uma doença social desumanizadora. Nos últimos anos, o argumento migrou, sendo adoptado pelo poder. Arrebanha-se, normaliza-se e disciplina-se a pretexto de se estar a lidar com realidades massificadas: os hospitais, os tribunais, as casernas, as escolas, as universidades, os concursos… Estamos confrontados com uma massificação de segundo grau, uma massificação da massificação. Uma hipermassificação temperada pelo fantasma do homem-máquina. Max Weber alerta para a seguinte propensão:  quando ocorre um problema numa burocracia, a solução consiste em acrescentar mais burocracia, criar, por exemplo, uma nova comissão, que, por sua vez, comporta novos problemas para a burocracia. Algo como o milagre da multiplicação das comissões com peritos responsáveis inimputáveis.

Gamboa. Moledo do Minho. Albertino Gonçalves.

Gamboa. Moledo do Minho. Albertino Gonçalves.

Tenho pouco apreço pelo conceito de massificação. Em Moledo, o nevoeiro parece espuma das ondas. Vê-se e sente-se. Já, ao lado, em Caminha. o nevoeiro não se vê nem se sente. Mas subindo à Serra de Arga, vê-se nevoeiro em Moledo e, embora menos, em Caminha. Vê-se mas não se sente. Muitos fenómenos naturais e culturais são assim: dependem da escala e da perspectiva, não estando isentos de ilusões. Os rios também são dados a ilusões: o nevoeiro é sempre maior na outra margem. A massificação é um conceito que requer distância sobranceira. Fabula-se de longe e em plano picado.

O realizador Fritz Lang e o filme Metropolis (1927) dispensam apresentação. Retive dois excertos dedicados aos temas da massificação e do homem-máquina.

Fritz Lang. Metropolis. 1927