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Festival para Gente Sentada

Acalmia em Moledo. Fotografia de Fernando Gonçalves

Acalmia em Moledo. Fotografia de Fernando Gonçalves. 2018.

As férias terminaram, mas Moledo continua. Não me lembro de ver tantos carrinhos de bebé, tantas mulheres grávidas, tantas pessoas com cão e, sobretudo, tamanha afluência de carros a banhos. Moledo, no verão, está a mudar, a mudar no sentido inverso. Não estranhava ver nas redondezas de Moledo o Sufjan Stevens, cantor e compositor norte-americano, nascido em 1975. Tenho dois cd de Sufjan Stevens: Seven Swans (2004) e Illinoise (2005). Adquiri-os por altura da sua participação no Festival para Gente Sentada, em Braga, em 2004, no mesmo ano que Devendra Banhart. As três músicas seleccionadas pertencem ao disco Seven Swans.

Sufjan Stevens. We Won’t Need Legs to Stand. Seven Swans. 2004.

Sufjan Stevens. A good man is hard to find. Seven Swans. 2004.

Sufjan Stevens. Seven Swans. Seven Swans. 2004.

Go east!

Moledo 2. 21 Ag 2017. Fernando Gonçalves

Moledo 2. 21 Ag 2017. Fernando Gonçalves

Estou orientado. Cara a oriente. O meu rapaz fotografou o pôr-do-sol por altura do eclipse do dia 21 de Agosto. Resultou uma série apreciável de fotografias do regresso crepuscular da luz.

Segundo Edward T. Hall, os ocidentais tendem a ser “monócronos”, fazem uma tarefa de cada vez. A fazer fé no anúncio chinês Piano, do Windows 8, os orientais são “polícronos”: conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo. Por exemplo, trabalhar e jogar.

Marca: Windows 8. Título: Piano. Agência: JWT Beijing. Direcção: Jon Jing Zhu. China, 2013.

Sociologia sem palavras 21. A massificação e o homem-máquina

“The mediator between head and hands must be the Heart” (Metropolis).

Metropolis. Cartaz.

Metropolis. Cartaz.

Há palavras bipolares. A esquerda romântica do século XX encarava a massificação como uma doença social desumanizadora. Nos últimos anos, o argumento migrou, sendo adoptado pelo poder. Arrebanha-se, normaliza-se e disciplina-se a pretexto de se estar a lidar com realidades massificadas: os hospitais, os tribunais, as casernas, as escolas, as universidades, os concursos… Estamos confrontados com uma massificação de segundo grau, uma massificação da massificação. Uma hipermassificação temperada pelo fantasma do homem-máquina. Max Weber alerta para a seguinte propensão:  quando ocorre um problema numa burocracia, a solução consiste em acrescentar mais burocracia, criar, por exemplo, uma nova comissão, que, por sua vez, comporta novos problemas para a burocracia. Algo como o milagre da multiplicação das comissões com peritos responsáveis inimputáveis.

Gamboa. Moledo do Minho. Albertino Gonçalves.

Gamboa. Moledo do Minho. Albertino Gonçalves.

Tenho pouco apreço pelo conceito de massificação. Em Moledo, o nevoeiro parece espuma das ondas. Vê-se e sente-se. Já, ao lado, em Caminha. o nevoeiro não se vê nem se sente. Mas subindo à Serra de Arga, vê-se nevoeiro em Moledo e, embora menos, em Caminha. Vê-se mas não se sente. Muitos fenómenos naturais e culturais são assim: dependem da escala e da perspectiva, não estando isentos de ilusões. Os rios também são dados a ilusões: o nevoeiro é sempre maior na outra margem. A massificação é um conceito que requer distância sobranceira. Fabula-se de longe e em plano picado.

O realizador Fritz Lang e o filme Metropolis (1927) dispensam apresentação. Retive dois excertos dedicados aos temas da massificação e do homem-máquina.

Fritz Lang. Metropolis. 1927