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Fantasia

Bruges. Bélgica. Fotografia de Joel Morais.

Don Quixote de la Mancha, depois da refrega com os gigantes transformados em moinhos de vento, virou-lhes as costas e entregou-se à leitura de um romance de cavalaria. Mas o Moinho da fotografia é de Bruges e não das bandas de Teboso. Aquele ponto negro não é o Don Quixote, mas o meu rapaz mais novo a comunicar com as estrelas. Adora fantasia, que lê e escreve com afinco. Dedico-lhe este artigo.

Marca: Bud Light. Título: Game of Thrones. Joust. Agência: Wieden+Kennedy. Estados Unidos, Fevereiro 2019.

A cerveja Bud Light apostou no Super Bowl. Estes dois anúncios passaram na fase final do campeonato de futebol americano. Assinados pela agência Wieden+Kennedy, são excelentes. Ressalte-se que um único anúncio, o primeiro, promove duas marcas: a Bud Light e o Game of Thrones. Tudo indica que é um expediente que vai vingar.

Marca: Bud Light. Título: Special Delivery. Agência: Wieden+Kennedy. Estados Unidos, Fevereiro 2019.

Cavaleiros, torneios, castelos e dragões são tópicos, eventualmente com ancoragem medieval, repletos de encantos. Não é de estranhar a opção pela música Arthur, de Rick Wakeman. Costuma associar-se o barroco e o faustoso. No caso de Rick Wakeman, o faustoso torna-se, algumas vezes, fastidioso.

Rick Wakeman. Arthur. The Myths and Legends of King Arthur and the Knights of the Round Table. 1975.

Oxalá e Nanã

“Por conta das velhas de terracota e da morte grávida: Imagem de Oxalá e de Nanã”

Gosto do comentário de Ana Rita Ferraz ao artigo O riso da velha Grávida. Ana Rita é professora na Universidade Federal de Feira de Santana – UEFS, actriz e dramaturga. Trocamos ideias em torno do grotesco.

Ana Rita Ferraz chama a atenção para uma crença corporizada em rituais afro-brasileiros:
“Conta-se que Olorum, o criador, chamou Oxalá e lhe deu uma tarefa: deveria criar a humanidade. Oxalá coçou a cabeça pois não sabia como fazer. Então, pegou o vento e começou a trabalhar nele tentando uma forma; em vão. Com o fogo também não teve sucesso. Tão pouco com as águas. Já estava desanimado quando Icu, também conhecida como Nanã, a morte, senhora que vive nas águas lamacentas, perguntou-lhe porque não fazia os seres encomendados de lama. Oxalá aceitou. Nanã desceu lá no fundo das águas e lhe trouxe um punhado de lama. Sentaram-se e começaram a esculpir criaturas. Assim foi que Oxalá, o que é pai, e Nanã deram por cumprida a tarefa dada por Olorum.
Este é um mito africano. Nanã, ou Icu, é representada com gravetos no colo, que simbolizam seus filhos. Acho lindo pensar que temos como mãe a morte.
Veja a canção CORDEIRO DE NANÃ , quase um acalanto” (Ana Rita Ferraz).

Mateus Aleluia e Thalma de Freitas – Cordeiro de Nanã | Compacto Petrobras.

“Como oxalá é pai, aqui em Salvador, não apenas o povo das religiões de matriz africana, costuma vestir roupas brancas, especialmente às sextas-feiras” (Ana Rita Ferraz). Segue um vídeo sobre o culto a Oxalá. Para terminar, a música Meu Pai Oxalá, interpretada pela banda Moinho, da autoria de Vinicius de Moraes e Toquinho, mas inspirada no candomblé.