O humano nas alturas

Ontem, socializei! Visitas ao almoço e ao lanche. Ao entardecer, o magnífico concerto na Igreja dos Congregados dedicado às “Lamentações para a Semana Santa”, do compositor belga Joseph-Hector Fiocco, pelo Ensemble Bonne Corde, com Diana Vinagre, violoncelo barroco e direcção artística; Ana Quintans, soprano; Rebecca Rosen, violoncelo barroco; Marta Vicente, contrabaixo barroco; e Miguel Jalôto, órgão. Tantos talentos jovens!

À noite, explorei imagens da Virgem Maria para um texto que estou a escrevinhar intitulado “A Cruz e o Cálice” onde abordo as figuras de Cristo como proeminência e Maria como recetáculo. Bafejado pela sorte, descortinei um detalhe inesperado com o momento em que a pomba do Espírito Santo penetra na auréola/corpo da Virgem, num painel da Oficina de Llorenç Saragossà, datado por volta de 1365.
Por último, o habitual momento de recolhimento quotidiano. Coloquei um vídeo com a música My Heart’s in the Highlands, do Arvo Pärt (na imagem), e, reclinado, deixei-me planar pelas alturas, como quem se aproxima do divino neste mundo.

Fotografias minimalistas
Gosto que as pessoas partilhem comigo aquilo que fazem ou gostam. Resulta, no entanto, raro. Afortunadamente, verifica-se um franco crescimento. Nos últimos tempos, o número triplicou: passou de 2 para 6.

Esta fotografia de Almerinda Van Der Giezen conquistou o prémio de Premier Photo no grupo Photographic Minimalism. Felicito-a! Aproveito para acrescentar três fotografia da sua autoria.



Ilhas de solidão

Se te sentes só quando estás só, estás em má companhia (Jean-Paul Sartre).
O vídeo musical do japonês Ryuichi Sakamoto, Solitude, ajusta-se aos novos tempos de confinamento e isolamento. Isolar vem do italiano “isolare”, que vem de “Isola” e do latim “insula”, que significam ilha. Em Português, existe a alternativa “insulamento”. Os espanhóis dizem “Aislamiento”, da palavra “isla” (ilha).
Sem palavras
Um anúncio português culto, desconcertante e macabro. Para aceder ao vídeo, carregar na imagem ou no seguinte endereço: http://www.culturepub.fr/videos/4-hands-scriptwriting-festival-kitchen/.
Anunciante: Portugues Film Academy. Título: Kitchen. Agência: FCB Lisbon. Direcção: Mário Patrocínio. Portugal, Agosto 2017.
Luta pelo prazer
Em 2009, Wim Mertens deu um concerto memorável no Theatro Circo, em Braga. Compôs, volvidos poucos anos, a obra When Tool Met Wood, especificamente para Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura. Struggle for Pleasure e Close Cover são duas músicas que integram o álbum Struggle for Pleasure (1983) produzido com os Soft Verdict, um grupo de composição variável dirigido por Wim Mertens. A qualidade do som e da imagem dos vídeos originais deixa a desejar. Mantive o primeiro, Struggle for Pleasure, mas recorri no segundo, Close Cover, a uma interpretação de 2009.
Soft Verdict / Wim Mertens. Struggle for Pleasure. Struggle for Pleasure. 1983.
Wim Mertens Ensemble. Close Cover. Struggle for Pleasure. 2009.
Maçã de Outono
Não é qualquer marca que se permite um anúncio como este. Minimalista, sem narrativa e não figurativo. Ele é a história, ele é a figura. A lembrar os filmes de James Bond, a música, essa sim, enche qualquer espaço deixado vazio. Há anúncios assim, que se fazem esperar. Saem primeiro no cinema; a demais publicidade pode aguardar. E basta-lhes sugerir levemente, dizer quase nada, para o anúncio ser um sucesso. Por um lado, a Apple conjuga design e performance. Por outro lado, o que importa, o que realmente interessa, o que está em jogo, é uma simples frase: “Mac Pro – Fall 2013”. Este é, de facto, um anúncio: Mac Pro, o futuro do computador, “universo, fogo e visão”, está a chegar. Tanto quanto baste para criar suspense e frisson.
Marca: Apple. Título: Apple Mac Pro. Agência: TBWA. EUA, Agosto 2013.
Marcas de fogo
Este anúncio da Zew Zealand Fire Service é exemplar. É minimalista até não poder mais. Nas sequências, nos movimentos, nas personagens, na cor, nas palavras e na música. E, no entanto, impressiona. Sem falhar o alvo.
Anunciante: New Zealand Fire Service. Título: Nightmares. Agência: M&C Saatchi New Zealand. Direção: Glendyn Ivin. Nova Zelândia, Janeiro 2013.




