Teledesejo
Penélope transformou o teledesejo em tapeçaria. Na Idade Média, os cavaleiros andantes queriam-se teledesejantes. A saudade é teledesejo embalado no colo dos dias vazios. E, no entanto, os corpos movem-se. Mas o desejo voa!
José Afonso, Menina dos Olhos Tristes, 1969.
Peso nos ombros
Este vídeo, com a canção “Decades” (1980), dos Joy Division, não é oficial. Foi publicado décadas depois do suicídio do vocalista, Ian Curtis, e consequente desagregação do grupo (1980). Não deixa de ser um trabalho interessante. Insiste na alusão à história, convocando espaços, momentos e figuras marcantes. Uma história que não fizemos, mas que tão pouco impedimos: “Where have they been?” Várias passagens remetem para a arte. O vídeo termina com um morphing de quadros célebres. A inserção das fotografias de Eadweard Muybrdge (a quem já dedicámos um artigo: http://tendimag.com/2013/03/25/fotografar-o-movimento-do-corpo/) é uma opção de mestre. O autor do vídeo assina anemic silence.
Pergunta
Por que motivo um homem (ou uma mulher) quando perde um apoio mais nele se firma?
Abel Korzeniowski: Song of Time. Music for Drama. 2005.
Será histerese? Será vício? Será luto? Ou ter a vontade mais forte do que o discernimento?
Palavra puxa palavra: canções de amor, ódio e melancolia
Num artigo recente, foi questão do hino “chant des partisans”, interpretado por Yves Montand. Pois, quem diz “chant des partisans” lembra-se logo da canção bilingue “The Partisan” (1969), de Leonard Cohen. Ambas deram azo a muitas montagens vídeo com imagens de guerra e resistência (ver, por exemplo, http://www.youtube.com/watch?v=S34cVkL6zCE). Optei, porém, por partilhar esta actuação ao vivo de 2008:
“The partisan” é uma “canção de amor e ódio”, para retomar o título do álbum de Leonard Cohen de 1971, mas é também uma canção com um profundo trago de melancolia. “Les Feuilles Mortes, de Yves Montand (ver http://www.youtube.com/watch?v=Xo1C6E7jbPw), distingue-se também como uma das canções francesas mais melancólicas. Quem fala de Yves Montand e de Leonard Cohen, de canções de amor, ódio e melancolia, também pode falar da chilena Violeta Parra, autora e intérprete de notáveis “canções de amor e ódio”, inspiradoras de vídeos ilustrados com imagens de repressão e revolta. É o caso de “Que dirá el Santo Padre?” (https://www.youtube.com/watch?v=dvk6ovIuozE). Concebeu, por outro lado, algumas das canções melancólicas com maior vocação universal. Por exemplo, “Gracias a la vida”. Suicidou-se em 1967.



