Extravagâncias surrealistas da idade avançada
Ao Moisés
“É preciso chegar a velho de boa hora para permanecer velho mais tempo” (atribuído a Catão, o Velho, 234 – 149 a.C.; provérbio milenar bastante atual)

“65 anos de estar vivo”! Que quereis que vos diga? Está-me a saber bem a velhice! Mais do que as quatro décadas de atividade profissional e a meia dúzia de anos tóxicos que a antecedeu. Enquanto for possível, houver “saúde, dinheiro e amor” suficientes, entregar-me-ei ao que quero e não ao que os outros requerem. A velhice, além dos netos, tem proveitos e potencialidades apreciáveis. Mais árvore que ruína, encaro-a como um tempo, uma oportunidade, de libertação e esperança. Quem diria?! Efeitos do sol de Moledo, provavelmente…

Afeiçoo-me à velhice tal como adotei a morte como interlocutora (ando a adiar desde 2017 a edição do livro A morte na arte, porventura, para não terminar o namoro). Assim, escutar músicas dedicadas ao envelhecimento releva menos do exorcismo ou da lamentação e mais do encanto ou da celebração. Obtuso? Talvez se assevere um sentimento mais partilhado do que se pressupõe.
Octavio Ocampo. Visions of Quixote. 1989
De qualquer modo, esta espécie de “proclamação” traduz um estado de alma prenhe de visões quixotescas acalentadas por um aniversariante mimado… Não sendo a vida constante, outros seguirão. Tão certo como, agora, estas cinco velhas e belas canções castelhanas.
