Horta desbragada

A agência de publicidade Lola Mullen Lowe, sediada em Madrid, acaba de conquistar um Leão de Ouro em Cannes pela campanha de outdoors Scratch & Sniff, para a AXE/Lynx.
O transeunte é convidado a raspar e, em seguida, cheirar um sítio bem circunscrito, junto aos genitais, do corpo de um homem em cuecas. O alto, o nariz, é convidado a descer e a explorar a fonte de fertilidade. Ousado?
A história manifesta-se, por vezes, cíclica. Após mais de uma década de contenção e conveniência, a publicidade deixa-se novamente tentar pelo baixo corporal e pelo desbragamento [“deixar cair as calças”]. Andarão a intolerância e a censura assoberbadas, sobreocupadas, com outros domínios e outros públicos?
Esqueça as tradicionais tiras de teste e as típicas cabinas de amostragem. A mais recente campanha da Lynx adota uma modalidade muito diferente: convida os homens a fazer o que sempre fizeram – raspar e cheirar. / Para lançar seu novo Lower Body Spray, uma fragrância fina e ousada desenvolvida especificamente para a região íntima, a AXE/Lynx e a LOLA Mullen Lowe transformam o gesto masculino mais primitivo numa experiência interativa. O resultado: outdoors raspados e cheirosos – atrevidos, irreverentes e inconfundivelmente Lynx. / À primeira vista, parecem anúncios clássicos de roupas íntimas: a preto e branco, abdómenes esculturais, cuecas justas. Mas existe algo inesperado: tinta perfumada impressa diretamente nas cuecas. Graças à tecnologia de microencapsulação, uma vez esfregada, a impressão liberta uma fragrância real, transformando o outdoor numa demonstração instantânea do produto… através do movimento manual masculino mais instintivo. (MULLENLOWE GLOBAL)
Aqui há gata!
À Sushi
Em França existem mais lares com gatos do que com cães desde há cerca de uma década. A urbanização tende a favorecer os felinos. Na Península Ibérica ainda predominam os caninos, o que não impede o anúncio espanhol “Get Apprrrrroved!” de apostar nos felinos, em conformidade, aliás, com o nome da marca: Lynx.
Desodorizante com efeito Casanova
No Carnaval nada parece mal.
Nas últimas décadas, o Ocidente tem-se tornado, não descoberto mas encoberto, cada vez mais puritano. Nos mais diversos domínios, publicidade incluída. O nu e sexo, com ou sem erotismos ou eufemismos, desapareceram praticamente dos anúncios. Subsiste uma marca, a Lynx (ou Axe, consoante os países) que insiste na brejeirice, apostando no mágico “efeito Casanova” do seu desodorizante.
Os dois primeiros anúncios estrearam este fevereiro. O terceiro, de 2003, já adotava o mesmo esquema. O último, sem foco no baixo corporal, a falta de decoro menos ostensiva.

