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Luzes

Acontece fazer incursões no passado do Tendências do Imaginário, principalmente para verificar se determinado anúncio, música ou imagem já foi colocado. Hoje, ao deparar com o artigo Luz, não consigo evitar constatar que o blogue já teve mais qualidade. Menos sôfrego, entre outras virtudes, privilegiava a maturação e a criatividade. Devo pensar em langar o vício de publicar um artigo por dia.

Recoloco a artigo Luz (25/11/2012) pelo vídeo que combina, algo inesperadamene, as pinturas do William Turner com a música dos Creedence Clearwater Revival. Acrescento os vídeos com as canções a que o texto alude: “Blinded By The Light”, dos Manfred Mann’s Earth Band; e “Light My Fire”, dos Doors.

Pensar! Pensar em quê? No presente pixélico dos formulários electrónicos? No futuro? Na luz ao fundo do túnel que nem ilumina, nem aquece? No passado? Nas luzes que embalaram “a criação do mundo”? Luzes que cegam, da Manfred Mann’s Earth Band, luzes que incendeiam, dos Doors, luzes que rasgam caminhos, dos Creedence Clearwater Revival. Pelo menos, estas luzes enchiam os olhos, não eram falácias políticas. Não eram luz de vela invertida… Eram faróis de cabo de mar que enchiam os céus de luz como nos quadros de William Turner. Carregar em HD.

Manfred Mann’s Earth Band – Blinded By The Light (original: Bruce Springsteen) . The Roaring Silence, 1976. On the television program The Midnight Special, recorded on March 18, 1977
The Doors – Light My Fire. The Doors, 1967. Live at Hollywood Bowl, 1968

Sombras e transparências

Fotografia de Almerinda Van Der Giezen

A escala cinza e o claro-escuro permitem captar a aura, a tonalidade e a energia dos fenómenos, sem o ruído das cores. Como diria Henri Bergson, dão vida às sombras sem desperdiçar a luz. Como na Alegoria da Caverna de Platão, as sombras partem de alguma realidade, não a reproduzem. Dependem a luminosidade, da projeção e do olhar. Geram ilusões: “Se enxerga um gigante, inteire-se primeiro da posição do sol, e veja se o gigante não é a sombra de um pigmeu” (Novalis). Um fenómeno pode inclusivamente mudar de feição: clássico, hierático como o copo, pode tornar-se barroco ou trágico, redobrando-se. “Se o corpo é direito que importa que a sombra seja retorcida” (provérbio chinês).

Uma pessoa diz para logo se desdizer. As sombras também permitem, mais ou menos indiretamente, o acesso à verdade dos fenómenos. Atente-se na seguinte asserção atribuída a Fernão de Magalhães: “A igreja diz que a terra é plana, mas vi a sombra na lua e tenho mais fé na sombra do que na igreja”.

As nossas sombras escapam-se à frente ou demoram-se atrás; nada as impede de andar ao lado. São, porém, de outra ordem aquelas que se aninham na nossa alma. Nem sempre nos é dado escolhê-las.

A fotografia, premiada, da Almerinda Van Der Giezen tem a arte de sugerir estas diversas perspetivas e experiências, mesmo o que vai na alma! Não é qualquer música que se presta para a acompanhar. Em 2015, com 92 anos, Menahem Pressler interpretou o Noturno nº 20 de Chopin. Uma escolha que não desmerece.

Menahem Pressler interpreta o Noturno nº 20 de Chopin em dó sustenido menor, op. post. 2015

O quarto escuro

Persistimos nos velhos tópicos do imaginário. Por exemplo, a oposição entre a luz e as trevas. A luz é luminosa e as trevas, tenebrosas. Por outro lado, os monstros querem-se vazios, como os fantasmas translúcidos, e sem forma, instáveis, como o Alien no filme The Thing (1982), de Carpenter. Os monstros são avessos à luz, que os degrada ou destrói, como é o caso de vampiros e mortos-vivos. Dão-se melhor nas trevas. No “quarto escuro”, não vemos os monstros, imaginámo-los, o que é terrível. Os monstros desconhecidos podem ser medonhos; os monstros reconhecidos podem ser adoráveis, como os monstros da Rua Sésamo.

No anúncio tailandês Picnic para as lâmpadas Sylvania, a iluminação, a claridade, banaliza os monstros. Mas tudo muda quando a corrente eléctrica ou as lâmpadas falham!

Marca: Sylvania. Título: Picnic. Agência: JEH United Bangkok. Direcção: Thanonchai SORNSRIWICHAI. Tailândia, 2008.

Enquanto escrevia, morreu um monstro, um “monstro sagrado” da canção francesa. O Tendências do Imaginário já contempla algumas canções de Charles Aznavour, incluindo La Bohème. Chegou a vez de Non, je n’ai rien oublié.

Charles Aznavour. Non, je n’ai rien oublié. 1971. Ao vivo em Paris, Palais des Congrès. 1991.

Iluminar a cegueira

ADOT Homeless Lights

 

Para ver não é a luz que falta mas os olhos.

Anunciante: ADOT Homeless. Título: Lights. Agência: Ogilvy & Mather. Direcção: Dan Nathan. UK, Dezembro 2014.

Dentes brilhantes

Happydent

A Happydent desenvolveu na Índia, entre 2005 e 2009, uma campanha publicitária luminosa, com um humor absurdo que lembra o surrealismo.

No primeiro anúncio, de 2005, durante uma sessão fotográfica, um homem, que mastiga uma pastilha elástica Happydent, substitui, ao rir, o flash.

O segundo, datado de 2007, é um anúncio monumental. Num palácio, um jovem corre aflito. Entra numa sala, sobe para o candeeiro, mostra os dentes e faz-se luz. Graças ao efeito Happydent, o jantar pode começar.

No terceiro anúncio, de 2009, um pastor perde um cordeiro. As defesas dos elefantes mergulhadas em água com Happydent iluminam a busca nocturna.

Marca: Happydent. Título: Photographer. Agência: McCann Erickson New Dheli. Direção: Abhihit Chaudhuri. Índia, 2005.

Marca: Happydent. Título: Palace. Agência: McCann Erickson Mumbai. Direção: Ram Madhvani. Índia, 2007.

Marca: Happydent. Título: Elephant. Agência: McCann Erickson. Direção: Abhihit Chaudhuri. Índia, 2009.

Sonho de luz

Discover Your LightTentei encontrar um vídeo com maior resolução para esta versão longa do Dreamlike World / Discover your light de Bruno Aveillan. Não consegui melhor do que  este vídeo colocado pelo próprio Bruno Aveillan. Um bailado entre a mulher e a luz.

Marca: Swarovski. Título: Dreamlike World / Discover your light. Direção: Bruno Aveillan. Março 2011.