Poesia e violência

Em 2018, observa-se, em Londres, um aumento inesperado de crimes com arma branca. Não conformada com a ausência de respostas eficientes, a associação londrina Lives not Knives decide promover um anúncio pautado pela poesia: No more knives. Para o efeito, recorre à inspiração de Maya Sourie. Não é a primeira vez que a poesia é convocada como forma de sensibilização (recordo Maio de 1968). Algumas imagens são poéticas e angustiantes, por vezes, trágicas. O anúncio é notável.
Uma banda no telhado

A genialidade e a extravagância andam muitas vezes de mãos dadas. Os Beatles deram, no dia 30 de Janeiro de 1969, um concerto no telhado do edifício Apple Headquarters, no 3 Saville Road, em Londres. O engenheiro de som foi Alan Parsons, ligado aos Pink Floyd e fundador dos Alan Parsons Project. O efeito foi, no mínimo, perturbador, com a Polícia Metropolitana a intervir. Consta que foi o último concerto público dos Beatles. Seleccionei a canção Don’t Let Me Down (1969).
Nem com excesso de recursos é fácil ser original. Menos de dois meses antes, no dia 7 de Dezembro de 1968, a banda norte-americana de rock progressivo Jefferson Airplane deu um concerto num telhado em Nova Iorque. Foi filmado por Jean-Luc Godard. O efeito? Tudo menos discreto. Seleccionei a canção The House at Pooneil Corners (1968).
The Beatles. Don’t Let Me Down. Ao vivo no telhado do edifício Apple Headquarter, nº 3 Saville Road. Londres, 30 de Janeiro de 1969.
Jefferson Airplane. The House at Pooneil Corners. Ao vivo num telhado em Nova Iorque, 7 de Dezembro de 1968.
O corpo não cabe no ecrã
Estes anúncios encantam-me. Tão bem feitos! Despertam todos os sentidos. Bem como o imaginário, a pele e o corpo. Presenciamos, cheiramos, tocamos, saboreamos, ouvimos, descansamos, participamos, vestimos os símbolos. Os olhos são uma extensão do corpo. Transfiguram-se numa orquestra de sentimentos, sensações e emoções. O ecrã não basta, não faz justiça ao corpo, nem à pele, nem ao movimento. O corpo quer andar, apalpar, perder-se, regalar-se à mesa, molhar-se à chuva, acariciar os ícones, espantar-se com o quotidiano, misturar-se com os outros e falar outra língua. O corpo pede para estar lá. Em Londres ou em Paris, com ou sem o Eurostar. Estes anúncios são, antes de mais, um convite à viagem ou, mais precisamente, à descoberta.
Marca: Eurostar. Título: Stories are waiting in Paris. Agência: AMV BBDO London. Direção: Simon Ratigan. UK, Outubro 2013.
Marca: Eurostar. Título: Tant d’histoires à venir à London. Agência: AMV BBDO London. Direção: Simon Ratigan. UK, Outubro 2013.




